42 anos de vida pública: conheça a trajetória profissional de Dr. Silvio, delegado de polícia

42 anos de vida pública: conheça a trajetória profissional de Dr. Silvio, delegado de polícia

Silvio Marinho Gimenes, 59 anos, delegado de polícia de Mirandópolis. Pai de dois filhos e casado com a professora Rose Terezinha Assunção há 33 anos. Atua no combate ao crime na Cidade Labor desde 2002. Quem não o conhece e o vê pela primeira vez, tem a percepção de um homem com um semblante sério e de poucas palavras.

Mas quem teve a oportunidade de conviver com o Dr. Silvio, como é conhecido, sabe o quanto ele se preocupa em ajudar. Atuou de forma voluntária em diversas instituições e pautou sua vida pela generosidade. Foi presidente de Loja Maçônica em Guaraçaí entre 2009 e 2010; esteve à frente da Casa da Criança da mesma cidade entre 2001 e 2002; presidiu a Loja Maçônica em Lavínia por quatro anos; foi presidente do asilo laviniense entre 2009 e 2012; atuou como diretor de hospital por quatro anos em Guaraçaí; foi diretor da APAE de Andradina entre 1992 e 1994; diretor do Andradina Tênis Clube (ATC) por 10 anos e contribuiu voluntariamente à APAE de Mirandópolis.

Em sua sala, na sede da delegacia de polícia, recebeu a equipe do jornal AGORA NA REGIÃO para uma entrevista. Entre os diversos temas abordados, Gimenes destacou a importância do trabalho dos governos, de todas as esferas, em busca de uma sociedade equitativa para evitar o crime, os desafios da profissão e opinou sobre posse e porte de arma de fogo.

Conte-me um pouco sobre sua trajetória profissional
Nasci em Andradina. Fui oficial de justiça, trabalhei no Poder Judiciário por lá até 1994. Antes disso me formei em Direito em 1981, na Instituição Toledo de Ensino. Depois ingressei na carreira da polícia civil, como delegado de polícia, isso há 25 anos. Fui oficial de justiça e cartorário durante 17 anos. Estou hoje com 42 anos de serviço público. Participei muito do esporte em Andradina. Fui vice-campeão estadual de natação, fui jogador de basquete, enfim, participei bastante. Quando me tornei delegado fui a São Paulo em meados de 1995. De lá, fui para Pirassununga como delegado titular e depois retornei a Andradina na sede da seccional. Fui delegado titular em Nova Independência em 1996. No fim do ano fui para Guaraçaí. Foi quando comecei a me apaixonar pela região. Fui titular também em Guaraçaí e depois vim para Mirandópolis em 2002.

O que levou o senhor a escolher essa profissão?
A polícia civil é uma instituição que tenta defender a sociedade de todos os males. Uma das coisas que me fez partir para essa profissão foi justamente esse interesse. O delegado de polícia é o primeiro analisador do Direito. Então, a situação fática chega para ele e é ele que vai decidir, muitas vezes, se faz uma prisão ou não e até mesmo uma situação social, que você pode dar um deslinde, que não seja de ordem penal, criminal, você consegue resolver e dar uma satisfação a ambas as partes e para a sociedade, ou seja, fazer com que o crime não ocorra. Trabalho de prevenção.

Muitas vezes essa decisão inicial determina a sequência lá na frente?
Justamente. Uma coisa mal resolvida pode delinear uma ação criminal, um homicídio, uma desavença. E a própria investigação em si é apaixonante. Ocorre o fato, nos é trazido a notícia e nós fazemos o serviço da polícia judiciária, que é a investigação propriamente dita, abre-se o inquérito policial para apuração e após conclusão encaminha-se ao Poder Judiciário e o Ministério Público avalia se oferta ou não a denúncia contra determinado cidadão que cometeu algum ilícito penal. Redunda com o julgamento final pela Justiça.

Qual o maior desafio da profissão?
São inúmeros os desafios. Mas os esclarecimentos dos crimes são os maiores. É um desafio e uma ansiedade que a gente vivencia. Infelizmente, o governo descuidou da polícia civil. Haja vista que quando cheguei em Mirandópolis havia 31 funcionários, hoje temos 13 e alguns não ficam aqui pois são designados para a cadeia pública de Ilha Solteira. Grande desafio é poder prestar o serviço à comunidade com a mesma eficiência como antes. De 2002 para cá a população aumentou, os presídios aumentaram e, infelizmente, a criminalidade também aumentou, assim como os tipos de crimes. A própria modernidade, com a internet, faz com que as coisas evoluam de tal maneira. Falta recurso humano. O maior desafio nosso hoje é conquistar o maior número de policiais aqui para concluir as investigações. Apesar de que os crimes de maior repercussão de nossa cidade e região, quase todos, se não a totalidade, foram esclarecidos.

Mirandópolis pode ser considerada uma cidade violenta?
Em termos de violência, eu quero crer que Mirandópolis não seja uma cidade violenta. Haja vista o que temos de crimes em nossa região como Pereira Barreto, Ilha Solteira, Castilho e Andradina têm muitos crimes de maior gravidade. Ocorre, infelizmente, alguns crimes graves por aqui também. Esses dias tivemos um feminicídio, mas estamos no encalço do cidadão que cometeu essa barbárie. Porém, não temos muitos crimes consideráveis graves, tendo em vista que temos três penitenciárias (duas regime fechado e uma regime aberto), três em Lavínia, duas em Valparaíso… Ou seja, não há crimes de maior brutalidade, de violência propriamente dito.

Como evitar que um crime ocorra?
Precisamos, primeiramente, de um mundo mais justo na parte social, mais equitativo.  Isso vem da educação, da saúde, do emprego… Se houver uma estruturação familiar, da cultura, com certeza não haveria tanta desigualdade. Depois vem as polícias militar, com trabalhos de prevenção que faz muito bem feito, e a civil que tem como papel a repressão, isto é, buscar a autoria dos crimes.  É interessante pedir aos nossos governantes a nível municipal, estadual e federal que cuidem da área social, que haja mais equidade entre a comunidade, e em outras áreas como educação, saúde, cultura, emprego. Precisamos também da paz social, que vem do entendimento das pessoas através da religiosidade, amar o próximo. Muitas vezes as pessoas se odeiam, se desentendem por pouca coisa. Precisa ter mais consciência.

O que o senhor pensa sobre a posse e o porte de armas de fogo?
É um assunto bastante polêmico. O meu conceito pessoal é no sentido de que não se dê da forma como está se pensando e que se restrinja ao máximo. A arma na mão é um instrumento infelizmente letal se for utilizada. E se a pessoa não tem consciência do que está fazendo, mesmo passando em cursos de aptidão física e psicológica, tem que ter muito equilíbrio. Ainda mais do jeito que saíram os decretos aí… Respeito todos os pensadores, mas a gente infelizmente vê situações de pessoas abalizadas para mexer com arma passarem por situações difíceis. Um profissional da área de segurança que conheci, depois de aposentado, quase morreu nas mãos de adolescentes que praticaram um assalto contra ele, e infelizmente não conseguiu reagir com a arma em punho. Entendo que o porte de arma deveria ser extremamente restringido e cedido em casos de muitas cautelas. O registro, para se ter em casa, também é muito complicado. Se a pessoa tem a arma em casa e não faz a sua guarda devida… Infelizmente já assistimos muitos suicídios, muitos crimes por descuidos. 

DESTAQUES
● Segundo o delegado, crimes de violência doméstica são elucidados com rapidez, apesar de não existir uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) no município. O pedido para instalação de uma DDM já foi solicitada ao estado e aguarda resposta;

● Um dos crimes que tem ocorrido com frequência na cidade é o de estelionato, principalmente em venda de veículos ou outros bens pela internet;

● Denúncias de crimes de qualquer natureza podem ser feitas pelos telefones 197, 181 ou 190. O anonimato é garantido.