Vamos conservar os bons diretores e os que não se adequarem ao nosso perfil, temos que mudar, diz David Boaventura em entrevista

Vamos conservar os bons diretores e os que não se adequarem ao nosso perfil, temos que mudar, diz David Boaventura em entrevista

Entre esta sexta-feira, 16 de agosto, e a próxima, 23 de agosto, o jornal AGORA NA REGIÃO realiza entrevistas com os dois candidatos ao cargo de prefeito de Mirandópolis. A eleição suplementar ocorrerá em 1º de setembro. Por ordem alfabética, o primeiro entrevistado foi David Boaventura da Silva (PSC). Ele, que nasceu em Andradina, foi vereador em Castilho na década de 80 e mora em Mirandópolis há quase 30 anos, falou, entre outros assuntos, sobre seu plano de governo caso seja eleito e garantiu que os diretores de departamento que não apresentarem resultados serão dispensados. Veja a entrevista.

Como o senhor pretende gerar emprego no Município por meio do agronegócio?

Essa geração de emprego que a gente tanto bate é porque eu vim da roça. Meu pai tinha uma pequena propriedade. Tinha 10 filhos e deu diploma universitário para todos eles. Nós sempre trabalhamos na agricultura. Eu vejo que hoje, não apenas Mirandópolis, mas o Estado de São Paulo, o Brasil, a saída nossa é na agricultura, onde está a maior geração de emprego. Haja vista que nossa cidade não produz o que se consome. O tomate, que a dona de casa faz na salada, o pepino, o repolho, a maioria absoluta vem de fora. Antigamente tinha vários caminhões que saiam daqui para levar legumes, verduras no Ceasa em São Paulo. Hoje, é o inverso. Hoje temos caminhões lotados de mercadorias que vem do Paraná, de outros estados, para abastecerem Mirandópolis. O dinheiro dessa mercadoria vai para o município de onde produziu esse alimento. Com tantos assentados e propriedades rurais aqui, por que não produzir esse alimento para que o dinheiro circule no comércio local? Evidentemente gerando emprego para aquele que planta, que cuida. Temos que pôr a Casa da Agricultura para organizar esse mercado. A geração de emprego mais rápida acredito que está na agricultura. Mas lembro que se uma empresa quiser se instalar em Mirandópolis estaremos de braços abertos.

Por que o senhor optou em concorrer às eleições em chapa pura, sem coligação com nenhum partido?

Quando se tem uma eleição rápida como a nossa, todos os partidos têm seus candidatos, têm seus vices… Na outra eleição eu fui candidato e por falta de um vice-prefeito acabei não saindo. O vice está sempre sendo problema em nossas eleições. Pensei: vou montar um partido simples, sem ramificações políticas e vou pegar um vice do meu partido. Como temos poucos recursos resolvi lançar chapa pura com o Marcelino para garantirmos que tenhamos espaço na eleição. Depender de um e de outro fica difícil.

Em sua proposta de governo o senhor diz que irá desenvolver disciplinas no currículo escolar onde os alunos possam experimentar a cidadania na prática, como prestação de serviços voluntários. Como isso funcionaria?

O mundo de 10 em 10 anos se transforma. Isso é uma realidade. Precisamos, então, formar os cidadãos que irão comandar esse planeta daqui para frente. O melhor caminho está na escola. Hoje, o maior problema nosso é o planeta. Na prática, as crianças devem plantar árvores, limpar os sítios, as lagoas, os rios… Não está acabando a água do planeta, está acabando a água limpa, por isso a reciclagem do óleo de cozinha é importante também. Então, temos que colocar na escola esse programa de vida futuro para transformar pessoas conscientes. Na criança é mais fácil embutir essa ideia. Pretendemos fazer muitos outros trabalhos.

Caso eleito, o senhor pretende fazer modificações nos chamados cargos comissionados?

Não. É lógico que tem setores ali que, por motivos e outros, não produzem. Mas a máquina tem sido eficiente. Têm comissionados eficientes. Por que trocar um funcionário que está desempenhando um bom trabalho para um governo de apenas um ano e pouco meses? Você tira alguém que está no cargo, sabe como fazer para colocar outro? Por isso eu me candidatei como chapa pura pois não tenho compromisso com ninguém. Nós vamos conservar os bons funcionários e aqueles que não se adequarem ao nosso perfil, evidentemente, temos que mudar.

A questão da construção do aterro municipal vem se arrastando há anos. Enquanto isso, mais de R$ 100 mil são gastos por mês pelo transporte do lixo. Como o senhor pretende resolver?

A gente não se reiterou da situação. Mas se tem que fazer o aterro nós vamos atrás de recurso. Mas antes do aterro temos que ter consciência de que o que está enchendo os aterros sanitários são produtos recicláveis, que a família pode ter uma receita à parte e o município não precisa se preocupar com tanto lixo. Essa é uma realidade do planeta. Temos que educar o morador a reciclar para que pouca coisa vá para o lixão. O objetivo maior meu é resolver esse problema o mais breve possível. Por menor que seja o espaço do administrador que assumir, tem que correr atrás.

Qual o planejamento do senhor para que o prédio da prefeitura e a rodoviária voltem para seus lugares?

É uma preocupação. Todo viajante de ônibus quando chega a uma cidade espera ver uma rodoviária bonita e nós, infelizmente, por motivo de deterioração do prédio o atual prefeito teve que mudar a prefeitura de local e a rodoviária. O atual prefeito já tem buscado recurso. Evidentemente ele deve ter alguns canais para buscar recurso. Não sei como está o caixa da prefeitura, a receita, mas acredito que com recurso próprio deve demorar mais uns três mandatos para ser reformado. Vamos analisar de que forma será resolvido. Temos esse compromisso.

Como será seu relacionamento com a Câmara Municipal?

Como fui Chefe de Gabinete por dois mandatos, aprendi que o ser humano tem que ser respeitado principalmente quando ele tem um cargo que representa muitos eleitores. A gente tem que entender que é uma autoridade e deve ser tratado como respeito. Eu, graças a Deus, tenho isso de berço. Sempre tratei muito bem os vereadores. Se tem alguém que porventura não me apoia é porque tem um ideal político diferente, o que é normal. Dentro da Câmara hoje tenho um acesso muito bom. Relacionamento deles comigo é muito bom porque respeito o cargo, a função. Acredito que não terei problema com os nossos vereadores. Mesmo porque nossa Mirandópolis está precisando de uma união. Se não nos unirmos e ficarmos com picuinhas de partido político, de vereadores que foram eleitos pelo povo e do prefeito que não for o seu, não vamos a lugar nenhum. Sozinho não vamos a lugar nenhum. 

Caso eleito, o senhor pretende ir para a reeleição em 2020?

Primeiro é [pensar em] ganhar a eleição. Vamos fazer o nosso trabalho. Isso é coisa para ser pensada daqui uns oito ou nove meses. A realidade é uma só: vou pegar um mandato com a receita da prefeitura lá em baixo, com muitos problemas para resolver. Aquele crítico terá muito espaço porque não teremos tempo de fazer tudo que ele sonha ou espera. Mas o andar da carruagem vai dizer se serei. Hoje, não.