‘Dinheiro não aceita desaforo e a melhor qualidade é a perseverança’, diz Nilton Orsi

‘Dinheiro não aceita desaforo e a melhor qualidade é a perseverança’, diz Nilton Orsi

Entrevistamos Nilton Orsi, empreendedor de sucesso que chegou em Mirandópolis em 1965, aos 18 anos de idade, para trabalhar no armazém da tia. Em 1983 abriu seu primeiro negócio próprio, uma cerealista, que depois foi transformada em mercado. Hoje são cinco lojas, sendo três em Mirandópolis, uma em Andradina e outra em Castilho. Se considerando conservador em seus investimentos, nunca aceitou convites para política e sua maior riqueza é a família. Confira abaixo a entrevista completa:

Onde o senhor nasceu?
Eu nasci em Guaraçaí em 1947 em uma família com mais dois irmãos (Atílio e Marlene). Em 1948 meu pai decidiu vir para Mirandópolis, comprou um armazém em sociedade com o tio Adelino Minari, mas acabou ficando apenas seis meses e precisou voltar para Guaraçaí. Lá o meu pai tinha máquina de arroz.

Ficou lá até quando?
Em 1955 meus pais mudaram para Guararapes. Fiz primeiro cientifico por lá, mas não gostava muito de estudar. Eu era meio malandrão no bom sentido, falo isso porque no exame de admissão do quarto ano prestei no particular e estadual, fui primeiro nos dois, mas não levava muito a sério. No primeiro ano de ginásio queria ser jogador de basquete e perdi o foco nos estudos, mas logo depois percebi que precisava estudar.

Quando chegou em Mirandópolis?
Ficamos por dez anos em Guararapes, daí em dezembro de 1965, quando eu tinha 18 anos, vim para cá. Vim para trabalhar com a minha tia Fátima. Fiz dois anos de técnico em contabilidade, é o meu diploma, mas foi para satisfazer meus pais. No Arroz Minari fiquei até 1981, foram anos de muito progresso. Entrei como auxiliar do Claudio Franco, posso dizer que era um gerente, um encarregado.

Pegou gosto logo cedo pelo trabalho?
Todos os lugares que trabalhei sempre me considerei parte da empresa. Trabalhei no cinema em Guararapes – passando filme, e também na Casa Jaraguá, sempre vestia a camisa. Nunca fui de apenas cumprir tabela, sempre fui responsável e dedicado.

E quando começou a empreender?
Depois em 1982 eu arrendei o prédio onde fica a Loja 1, do Terence, que tinha separado do Tonico Franco, e toquei a máquina cerealista por um ano de forma arrendada. Dai ele queria me vender, o valor era considerado alto na época e não compensava. Lembro que fazia a conta por boi e era algo na faixa de 200 bois gordos para ficar com o prédio.

Então você já tinha propriedade?
Sim, tanto que em 1983 mudei para Andradina para ser fazendeiro. Eu ia todos os dias cedo para a fazenda, mas não me adaptei. Eu falo que eu estou fazendeiro, mas não sou fazendeiro. Fiquei nove meses em Andradina, dai quando voltei, no final de 1983, e acabei comprando o prédio.

Pagou os 200 bois gordos?
Não, depois negociei e custou apenas 50 bois gordos, isso em 1983.

Hoje estão com quantas lojas?
Estamos com cinco lojas, sendo três em Mirandópolis, uma em Andradina e outra em Castilho. Aqui estamos com mais de 160 funcionários no total. Um detalhe é que a Loja 2 (Rua Rafael Pereira) nós montamos porque a CESP desapropriou cerca de 70 alqueires de terra. Com esse dinheiro consegui comprar o prédio e construir o mercado. Muita gente me questiona: daquela loja saiu isso aqui? Não foi só isso, tinha essa outra renda. Agora os meninos estão abrindo uma loja em Valparaíso, com terreno de cinco mil metros e o projeto todo pronto. Vai ser uma grande loja.

O senhor se considera empreendedor?
Eu sempre fui pé no chão, sempre que fiz um investimento foi porque tinha condição. Até hoje só comprei um carro financiado na minha vida, que foi o primeiro carro, e ainda me arrependi depois. Nunca gostei de pagar prestação, só compro se tenho dinheiro. É a minha filosofia.

Nunca interessou pela política local?
Tive vários convites, mas tive uma decepção por volta de 1970 com a campanha do Manoel Franco e Lourençao. Lembro que o Lourençao ganhou por poucos votos e foi uma grande decepção pessoal na época. Lembro que participei ativamente dos comissões e campanha, então aquele exemplo serviu para depois não entrar na política.

E a vida social?
Participo da Maçonaria desde os anos 80, é muito importante para crescimento pessoal. Além disso, há uns 15 anos atrás fiz o curso do Pro Vida, aprendi a ser mais paciente e olhar a vida com mais clareza.

Qual conselho deixa para um empreendedor?
A melhor qualidade é perseverança. E dinheiro não aceita desaforo, precisa usar comedidamente. Você precisa se vestir dentro do que você ganha, não ganhar como você se veste. Não existe esbanjar dinheiro em negócio. A minha tia Fatima me ensinou que dinheiro de pobre e de rico tem o mesmo valor. Então trate todos com respeito e tenha perseverança. Um último recado é nunca mirar o topo, mas sim o próximo degrau, subindo sucessivamente. Se mirar o topo pode bater no degrau e cair, por isso mire o próximo desafio.