Artigo: os prazeres de uma viagem cultural em São Paulo

Artigo: os prazeres de uma viagem cultural em São Paulo

Cleber Ferreira, colaboração especial

No dicionário, arte significa a habilidade dirigida ou disposição para a execução de uma finalidade prática ou teórica, realizada de forma consciente, controlada e racional. Tem quem diz que arte é a linguagem humana, aquilo que vem do subjetivo. Outros dizem que é a forma mais simplória de expressão do ser humano diante das suas vivências. E segundo Leonardo Da Vinci: a arte diz o indizível, exprime o inexprimível, traduz o intraduzível.

A partir dessa reflexão, acredito que enquanto artista plástico, busco nutrir meu repertório artístico e técnico, tendo em vista que a arte e a cultura em sua pluralidade, é necessidade constante na minha obra e consequentemente em minha vida. Por exemplo, quando eu viajo, exploro o que existe de melhor no cenário artístico local, me organizo e aproveito todas as possibilidades.

Recentemente, fiquei uma semana em São Paulo, a propósito, lugar onde residi e estudei Artes Visuais no período de 2007 a 2013. Iniciei meu passeio caminhando pelo centro histórico de São Paulo, apreciando a bela arquitetura e sentindo o quanto é cosmopolita.

Assisti ao espetáculo teatral “Van Gogh – A sombra do invisível” que ocorreu no Viga Espaço Cênico, no bairro de Pinheiros. A trama girou acerca das cartas que Van Gogh trocava com seu irmão Theo, mostrando sua personalidade brilhante e perturbadora. Fui também ao show da dupla Sandy & Junior ocorrido no Allianz Parque.

No CCBB – Centro Cultural do Banco do Brasil, visitei a exposição “Man Ray”, um grande expoente do Dadaísmo e Surrealismo. Fui às compras na tradicional Rua Marquês de Itu, local onde encontra os mais variados e exclusivos materiais artísticos, que são minhas ferramentas diárias.

No Teatro Municipal de São Paulo, assisti “Romeu e Julieta 80”, uma versão adaptada do grande clássico. Na Avenida Paulista, iniciei pelo MASP –  Museu de Arte de SP. Visitei diversas exposições, entre elas, uma em especial me chamou muita atenção, a exposição temporária “Histórias das mulheres” que apresenta quase cem trabalhos do século I ao XIX. Como o título indica, não se trata de uma única história, mas de muitas, narradas por meio de obras feitas por mulheres que viveram no norte da África, nas Américas (antes e depois da colonização), na Ásia, na Europa, na Índia e no território do antigo Império Otomano.

Destaque também ao acervo permanente do MASP onde encontramos obras de arte desde a antiguidade clássica até as manifestações contemporâneas. No Centro Cultural da FIESP, apreciei a exposição de Alphonse Mucha (1860-1939), um dos artistas mais destacados da virada do século XIX na Europa e o principal expoente do movimento Art Nouveau. A mostra apresenta em torno de 100 obras, entre cartazes, desenhos, pinturas, gravuras, objetos, livros e fotografias, que percorrem a obra do artista e também sua influência no mundo contemporâneo.

Em meio aos passeios, participei do Seminário “Arte e Descolonização” com os palestrantes Srta. Nana Adusei-Poku (Consultora Acadêmica e Pesquisadora do Centro de Estudos Curatoriais e Arte Contemporânea do Bard College – EUA) e o Professor de História Europeia da Universidade de Sydney, Sr. Robert Aldrich. Foi um diálogo interdisciplinar que usou como referência a vida, a obra e as aspirações da escultora Nova-Iorquina Augusta Savage. E também sobre a descolonização das coleções dos museus europeus.

Novamente retornei ao Teatro Municipal para apreciar a Orquestra Filarmônica Bachiana SESI com a regência do Maestro João Carlos Martins, que ao final realizou uma sessão de autógrafos do seu livro “João de A a Z”.

São Paulo, lugar onde tudo acontece, você encontra o que precisa e o que não precisa. Mirandópolis, dizem que nunca tem nada por aqui, que é um lugar com escassez de cultura. Porém, acredito que tudo é relativo, cada um se nutre do que precisa, hoje em dia temos acesso ao mundo virtual, aos servidos de streaming com diversos filmes e séries, temos o controle remoto em nossas mãos.

Mirandópolis foi agraciada com a Comunidade Yuba, lugar onde a Arte transcende. Temos a música sendo representada por bandas marciais, bandas de garagem, pinturas de vários estilos, dança e até repentista. Nossas paisagens bucólicas são verdadeiras pinturas, as do Amandaba são incríveis. Temos monumentos, um exemplo é o busto do fundador de Mirandópolis Manoel Alves de Ataíde, fundido em bronze pelo eterno Professor Walter Victor Sperandio.

Na arquitetura, destaco a Igreja Matriz São João Batista e as estações ferroviárias, ora abandonadas, ora em ruínas, porém apresentam beleza. Enfim, não importa o lugar onde você está e sim o que você é ou quer se tornar. Esse relato tem o intuito de fomentar a apreciação do belo, independente do acesso que possui, sem preconceito ou pré-conceito estabelecido. Que espaços vazios sejam preenchidos e que a vida fique mais leve para que a arte seja plena.