Literalmente de Mirandópolis para o mundo

Literalmente de Mirandópolis para o mundo

Já escutou falar em Medford? É uma cidade no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos. E na cidade de Toulouse? Essa fica no sul da França. E Aldershot? Esse pequeno município fica no interior da Inglaterra. Estou perguntando porque tem mirandopolense trabalhando mundo afora.

Nos Estados Unidos está Eduardo Sanches, químico bacharelado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Na França, Mariana Zimiani de Paiva, especialista em Engenharia Aeronáutica e Sistemas pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), já na Inglaterra está Cesar Freschi, Technical Consultant da ServiceNow.

Eduardo Sanches estudou em diversas escolas em Mirandópolis, passou por Hélio Faria, SESI, Cene e Objetivo. A oportunidade de morar fora do país surgiu em 2015 por convite da empresa que trabalhava no Brasil. Hoje, atua como Especialista de Aplicação, sendo que uma das principais funções são vendas técnicas e assistência ao cliente.

O químico lembra que no início, sem dúvida, a maior dificuldade ao chegar em outro país foi a distância da família e dos amigos. “Fazer novos amigos também é bastante difícil por aqui. O estado de Massachusetts é reconhecido por não facilitar nesse caso. O frio aqui é congelante! O pico de baixa temperatura no inverno pode alcançar -30ºC. Você já sentiu saudades do calor de Mirandópolis? Eu já!”, brinca Sanches.

Eduardo Sanches com sua esposa Inara cidade de Rockport, nos Estados Unidos

Já Mariana Paiva fez faculdade na UNICAMP, em Campinas, onde também realizou um mestrado. “Passei no programa de traineer da Embraer, em São José dos Campos, onde iniciaria minha vida na aeronáutica. Fiz especialização em Aeronáutica no ITA e trabalhei por quase dez anos por lá, até surgir a oportunidade de ir para fora do país”, recorda.

Sua primeira ‘missão’ foi ir ao Japão trabalhar nos aviões da Mitsubishi, no sistema de piloto automático do avião que estavam desenvolvendo. Após este período, foi designada para uma posição permanente na sede da empresa na França, trabalhando com o sistema de piloto automático e computadores de vôo dos aviões AIRBUS.

“Hoje trabalho especificamente nos sistemas de pilotagem automática por computadores, aumento de estabilidade em vôo e simuladores. Basicamente é aplicar conceitos de física e matemática ao mundo real”, detalha Mariana.

Mariana morou um tempo no Japão e agora foi designada para uma posição permanente na sede da empresa na França

Para Cesar Freschi, que hoje mora na Inglaterra, são excelentes as lembranças da época escolar em Mirandópolis. “No Dr. Edgar participamos de um concurso para pintar os muros da escola, assim como fui ativo no Grêmio Estudantil e contribui na construção da quadra de vôlei de areia. Já no Cene usava muito o laboratório de informática, que era estado de arte na época. Dado a minha facilidade com computadores passava muito tempo lá organizando o laboratório com os professores Manoel, Fazano e Sonia Delai”, recorda Freschi.

Cesar começou a trabalhar cedo, aos 12 anos atuou como office boy no Escritório Santo Antonio, do Sr. Hiroshi Nakamura. Ele lembra que fazia as entregas o mais rápido possível para sobrar tempo para chegar no escritório para ficar à disposição para desligar os computadores no fim do expediente. “Parece coisa simples nos dias de hoje, mas naquela época ninguém tinha computador em casa e eles quase que ficavam em um pedestal de tão importantes (e caros) que eram. Mal sabia o impacto que isso teria na minha vida no futuro”, analisa Freschi, que depois de alguns anos foi trabalhar na MS Informática.

A vida levou Cesar para Araçatuba, onde iniciou curso de Direito, onde ficou apenas um ano, depois uma oportunidade apareceu em Sorocaba e na sequencia em São Paulo. “Eu tinha muita vontade de morar fora do Brasil, daí em 2008 logo me casei e a minha esposa teve a oportunidade de passar sete meses conduzindo uma parte da pesquisa do seu doutorado na Universidade de Oxford, na Inglaterra”.

Freschi lembra que depois teve uma segunda oportunidade de ficar 18 meses, entre 2014 e 2015, fora do país. “Hoje moramos em Aldershot, que é uma cidade do tamanho de Mirandópolis no interior da Inglaterra, fica a pouco mais de uma hora de Londres”, explica.

Atualmente trabalhando para a ServiceNow, que é uma empresa com sede no Vale do Silício, nos Estados Unidos, o escritório do Reino Unido atende a região da Europa, Oriente Médio e África. “A minha posição atual é de Technical Consultant, que é basicamente sentar com os nossos clientes e entender como negócio deles funciona e então fazer melhorias usando as ferramentas da empresa. Trabalho a maior parte do tempo de casa, pois fazemos nossas reuniões via conferencia e atualmente estou atuando em projetos de clientes na Itália, Reino Unido, França, Estados Unidos e Filipinas. Eventualmente fazemos reuniões presenciais, por isso viajo até os clientes, sendo que recentemente visitei Praga (República Tcheca), Amsterdan (Holanda) e Manilla (Filipinas)”, finaliza Freschi.

*Se você conhece algum mirandopolense que more fora do país, por favor, conte essa história para o AGORA NA REGIÃO: redacao@agoranaregiao.com.br

Cesar com sua mãe, Fernanda, em frente ao Parlamento Britânico e o famoso Big Ben, em Londres