Tititi, uma história onde o tempo não apaga

Tititi, uma história onde o tempo não apaga

Conversamos com Sebastião Vieira de Faria, o Tititi, para ouvir histórias sobre sua vida em Mirandópolis que iniciou em agosto de 1941, com seu nascimento no distrito de Comandante Árbues. Cresceu em uma casa com seis irmãos, sendo que aos sete anos de idade foi em busca de conseguir alguns trocados como engraxate. Trabalhou ainda no comércio, como aprendiz na alfaiataria e por muitos anos no jornal Hoje (Diário de Mirandópolis e Diário de Fato), onde reuniu histórias para lançar quatro livros. Confira abaixo a entrevista completa.

Onde nasceu e cresceu?
Quando nasci meu pai não tinha dinheiro para me registrar, era 8 de agosto de 1941, só que o registro foi feito dois anos depois, no dia 2 de março de 1943. Para não pagar multa ele falou que nasci naquele dia, perdi dois anos (risos). Me atrapalhava porque meus amigos iam no cinema e eu não entrava por não ter 18 anos (no registro). Um dia falei com o Dr. Antônio Monreal pra regularizar. Daí peguei meu registro de batismo em Valparaiso e consegui acertar. Nasci no distrito de Comandante Árbues, comecei a trabalhar aos sete anos como engraxate pelas ruas da cidade. Cursei o Grupo Escolar de 1949 a 1954, daí formei o quarto ano do grupo porque sabia que depois já poderia trabalhar como homem (risos). Consegui um emprego nas Casas Jaraguá, era pacoteiro e fiquei só um ano. Depois tentei ser alfaiate lá com o Pereira, mas não deu muito certo, mas aprendi muita coisa. Ainda trabalhei na serralheria, o detalhe dessa passagem é que perdi um pedaço do dedo em um dia que fui trabalhar no feriado. Estava trabalhando e em um certo momento escapou e pegou a ponta do meu dedo. Dessa história só ficou uma coisa boa, recebi uma indenização gorda, na época foi 2400 Cruzeiros, comprei roupa, saí soltando fogos na rua e tudo mais (risos).

E depois da serralheria?
Com 16 anos fui trabalhar no serviço de alto falantes Marajá com o Antônio Salvo Rezende, acho que fiquei lá até ir servir a pátria no 17º Batalhão de Caçadores em Corumbá-MS. Voltando meus irmãos e meu pai montaram o Mercadinho do Povo, na rua João Domingos de Souza. O comércio deu muito certo, mas como eu não era valorizado acabei pedindo as contas. Saindo de lá fui trabalhar na Rádio Clube, que era do Geraldo Braga, como locutor. Fazia um caipira, povo se divertia comigo (risos).

Casou e teve filhos?
Casei em 1962 com a Enedina Fernandes de Faria (in memoriam), tive dois filhos (Marcelino e Sebastião), que infelizmente Deus já levou. Vivemos 54 anos juntos, fui muito feliz com a minha esposa. Depois que casei nós decidimos ir para São Paulo, foram anos difíceis que passamos até fome.

Quando voltou para Mirandópolis?
Voltei em definitivo para Mirandópolis em 1980, mais ou menos. Fui trabalhar no comércio novamente, na Ladrinho São Jorge. Na sequência trabalhei como locutor da campanha do Dr. Jorge Maluly e depois iniciei no Jornal Hoje, que depois virou Diário de Mirandópolis. No jornal fazia de tudo. Cobria esporte, social, política, cultura, fechava oitos páginas todos os dias. Depois fiz a coluna ‘O tempo não apaga’ e o ‘Como Vai?’. Dessa última coluna surgiu os livros. Fiquei cerca de 25 anos no jornal, bons tempos.

Conta alguma história curiosa?
Fui prefeito por um dia. A história é a seguinte, era aniversário da Segunda Aliança e fui no gabinete perguntar para o Geraldo Braga (prefeito) se ele me daria uma carona. É que eu tinha uma namoradinha lá e queria ir na festa, mas não tinha condução para ir. O Seu Geraldo disse que não iria ir, mas falou que já que queria ir pra lá, que era pra representar ele na comemoração. Me deu uma carta explicando que era para ser seu representante. Coloquei um terno e fui, peguei a namoradinha para ir como primeira dama e eles me trataram como prefeito mesmo, foi sensacional. Fizemos tudo certinho na cerimônia e depois fomos no cinema ao ar livre, que fazia parte da comemoração.

Escreveu vários livros?
Sim, são quatro volumes do livro ‘O tempo não apaga’. São relatos cotidianos da história de Mirandópolis. Conta desde a chegada dos primeiros habitantes em 1922 até os dias atuais, narrados de forma descontraída. O quarto livro foi escrito em 60 dias em 2013, fizemos um lançamento na biblioteca, foi inesquecível.

Hoje está aposentado?
Sou aposentado, tive alguns problemas de saúde, mas hoje estou melhor. Deixo um abraço ao povo mirandopolense e aproveito para ressaltar que faça o que você fizer, o tempo não apaga.