CRÔNICA: A Previsão dos Tempos

CRÔNICA: A Previsão dos Tempos

A linha tênue que separa o cético do estúpido é o conhecimento. Este, é um meio para cultivarmos algum bom senso, que, como temos acompanhado nesses últimos meses de forma potencializada pela crise sanitária (que culminou numa crise financeira e política) tem sido substituído por uma cultura do nonsense.

Esse conhecimento está diretamente ligado a experiência de vida, de forma direta ou indireta. Um exemplo para elucidar esse conhecimento é a meteorologia que, relacionando variáveis como temperatura, pressão atmosférica, umidade do ar, consegue fazer algumas previsões que, por exemplo, ajudam no planejamento da agricultura e da construção civil.

Paralelamente a isso temos meu avô, que cresceu e trabalhou no sítio a vida toda e que, fazendo uso de seu conhecimento, assim como todos que vieram antes dele, planejou sua agricultura, organizou sua vida e perseverou até hoje sem depender do Jornal Nacional.

A pergunta que faço é, quando que deixamos de ser céticos? Não é duvidar por duvidar, para “lacrar” ou ser “do contra” (o nome disso é estupidez), mas de fazer uso de um conhecimento que é histórico, que perpetuou a espécie até os dias de hoje (ou você acha que o distanciamento social e a quarentena foram inventados agora?), para acreditar pura e simplesmente em probabilidades e, pior ainda, não assumir responsabilidades que são nossas para culpar um canal de TV, um cientista, um político ou uma universidade.

Os números e as estatísticas não tem um fim em si mesmos. A data do pico do vírus vai mudar todo dia, porque o cientista em seu laboratório não sabe que você, apesar de reclamar de o governador fechar seu estabelecimento comercial, está fazendo churrasco com os amigos, jogando bola nos clubes e indo ao bar tomar uma.

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Por favor, sejamos mais céticos! Talvez fiquemos um pouco mal humorados, mas ao menos cultivaremos algum bom gosto e senso crítico. Um banco de praça verde ou amarelo não é bonito nem precisa representar nada e a instalação de um bebedouro público numa pista de caminhada em plena pandemia está longe de ser uma atitude sensata e benéfica, pelo contrário, é uma atitude prejudicial e extremamente egoísta!

A previsão do tempo para amanhã indica probabilidade de chuva de 1%, se chover, eles acertarão e, se não chover, eles também acertarão! Agora, se você se molhar ou não, se passará o dia carregando um guarda chuva sem usálo, o problema é inteiramente seu, a responsabilidade é inteiramente sua. Só não esqueça a máscara.

Por Lucas Rafael de Castro Bettone, Bacharel em Ciências do Esporte e Especialização em Futsal: Teoria e Metodologia do Treinamento