CRÔNICA: Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer!

CRÔNICA: Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer!

O Flamengo tem se mostrado um retrato da nossa política nacional, embebedados pelo poder e pelo dinheiro e, sem mais conseguir discernir onde começa o público e o privado, conseguiu neste 2020, transformar o Carioca em algo que até então era somente sem graça, inútil e inteligível num título que representa uma nação asquerosa, corrupta e ditatorial.

A morte dos 10 jovens que sonhavam em jogar futebol no Ninho do Urubu completa 1 ano e 5 meses e, pasmem, não indenizaram todas as famílias ainda e, em entrevista para o site do Globo Esporte, O vice-presidente geral e jurídico do Flamengo, Rodrigo Dunshee, disse que “A pandemia prejudicou o andamento, mas a vontade de resolver é total”. Seria cômico se não fosse trágico.

Dia 19 de maio, descumprindo uma ordem municipal, o Flamengo voltou a treinar no campo com bola e, no mesmo dia, o presidente do clube almoçou juntamente com o presidentíssimo Messias para discutir a volta aos treinos e dos campeonatos, provavelmente consultando o histórico de atleta de Messias que, como temos visto, tem valido mais que toda e qualquer opinião técnica.

Aparentemente nem a morte do querido massagista Serginho, postumamente homenageado nas redes sociais pelos jogadores 14 dias antes do retorno aos treinos foi suficiente para fazer os jogadores se manifestarem contra o que estava por acontecer. Poxa vida, perdão, esqueci que eles estavam proibidos de dar entrevista, sim, proibidos, homens, maduros, pais de família, ganhando milhões e censurados sem nenhuma demonstração de resistência.

Voltou! Sim, mesmo sem consenso (viva a democracia!) a FERJ decretou a volta do campeonato para o fim de junho, mesmo com equipes que vinham treinando a 30 dias, outras a 3 e outras nem treinando (viva a equidade!). Mas precisava voltar, é claro, como Messias ia calçar seu rider, assar sua carninha e beber sua cerveja sem o representante de sua nação demonstrando seu poder na TV, ou melhor, no Youtube.

Eis que entra em ação a tão querida MP, carinhosamente conhecida nos corredores do planalto como canetada suprema, que alterou o artigo 42 da Lei Pelé adicionando a palavra mandante ao artigo e permitindo que, para se transmitir uma partida, não precisasse haver mais consenso entre os dois clubes em disputa. Solução bem recorrente ao se tratar de nosso presidentíssimo e seus minions, que tomam suas decisões independente de tudo e por cima de todos.

E, por fim, entre TVs e MPs, surge a SBT, de Silvio Santos, bajulador histórico da ditadura e do governo vigente, que teve seu genro recentemente empossado como Ministro das Comunicações e que ajudou, com o intuito de poder escolher a parte preferida do frango no almoço de domingo na casa do sogrão, a levar a grande final do campeonato Carioca para o canal do mesmo.

Acredito que não tenha palco melhor para o campeonato Carioca que a SBT, um canal que a cada ano que passa perde mais a graça e o bom senso, repleto de programas de auditório muito semelhantes ao Carioca, um apresentador rico (Flamengo), um auditório que se contenta com migalhas para sentir-se parte do show (Vasco) e os funcionários que, apesar de discordar de muita coisa, não tem dinheiro, nem poder pra reclamar de nada e precisam trabalhar pra manter o programa no ar (Todos os outros clubes).

Por Lucas Rafael de Castro Bettone, Bacharel em Ciências do Esporte e Especialização em Futsal: Teoria e Metodologia do Treinamento

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