‘O trabalho social é uma forma de aprender ajudando’, analisa José Augusto, presidente da Apae de Mirandópolis

‘O trabalho social é uma forma de aprender ajudando’, analisa José Augusto, presidente da Apae de Mirandópolis

Conversamos com José Augusto Silveira, presidente da Apae de Mirandópolis que chegou na cidade em 1973 depois de ser transferido do trabalho. Fez muitas amizades, foi professor no município e iniciou seu voluntariado em prol das causas sociais. Com dois filhos e três netos, Zé Augusto enxerga na Apae uma forma de aprender ajudando. Confira abaixo a entrevista completa.

Como foi sua infância?
Nasci em 1948, em Monções, mas fui registrado em Macaubal. Meu pai era barbeiro e minha mãe costureira, em um total de sete filhos. Mas cresci mesmo em Auriflama, onde de lá vim para Mirandópolis, em 1973.

Como foi essa mudança?
Vim para Mirandópolis porque trabalhava no IPPH – Instituto Paulista de Produção Humana. Era assistente técnico, trabalhava na zona rural, no incentivo de plantação de novas culturas. Preciso ser sincero, nem conhecia Mirandópolis, mas graças a Deus fui guiado para cá. Lembro que fui pego meio de surpresa, um dia fui na sede em Lins e eles me comunicaram que precisava abrir uma frente de trabalho em Mirandópolis, sendo eu o designado para a função. Não tinha muitas escolhas, então peguei uma mochila e vim parar aqui. Nessa época incentivamos plantar goiaba, mamão, abacate, entre outras coisas no município, foi um trabalho bem interessante.

Quais as lembranças de quando chegou?
Foi muito bom porque fiz amizade fácil. Lembro do Bar Marabá, ali toquei muito pagode e samba com o pessoal (risos). Na verdade, fazia parte de um grupo musical (The Jet Boys) lá em Auriflama, era baterista. Depois que mudei ainda cantei em bares da região, hoje só canto na igreja. Além disso, lembro com carinho porque andava por várias cidades com a dupla caipira Segredo e Sagrado. Vale lembrar que em Auriflama também fazia parte do grupo de teatro, a cultura sempre esteve presente em minha vida.

Você também foi professor?
Fiz faculdade de Pedagogia, mas isso depois que comecei a trabalhar. Ainda complementei com Mestrado de Gestão Escolar, em Araçatuba. Dei aula no Ebe Aurora e Hélio Faria, quase 20 anos, mas lembro que a municipalização na época atrapalhou um pouco esse processo, foi quando decidi prestar concurso para trabalhar na Penitenciária. Recordo que teve muitos pedidos para não deixar a escola, mas para mim era importante dar esse novo passo. Acabei me aposentando na penitenciária.

E a parte social?
Acredito que tudo começou quando ainda trabalhava no IPPH. Na época tínhamos algumas ações sociais, sem dúvida ajudou a aflorar e a entender a importância desse trabalho. Mas um detalhe primordial nessa história toda é que um dia estava na frente de casa, daí meu vizinho na época, que era o Seu Jaime, da Agropemi, me chamou para ser voluntário na Apae porque eles estavam organizando um leilão de gado. Isso foi o pontapé inicial do meu trabalho social na Apae, depois nunca mais parei. Teve um período que fui ajudar como secretário, depois fui vice-presidente e agora estou no segundo mandato como presidente.

Qual é o trabalho da Apae em números?
Atendemos 110 pessoas com Deficiência Intelectual, Múltipla e Transtorno do Espectro Autista – TEA, com atuação nas áreas de educação, assistência social e saúde, além de promover serviços de prevenção, defesa e garantia de direitos, esporte, cultura, lazer, entre outras atividades e projetos de educação e inclusão. Devido às restrições causadas pela pandemia do novo coronavírus, tivemos alteração na forma de execução do atendimento, que passaram a ser remotos com a utilização dos meios digitais para garantir a continuidade em todas as áreas.

Pode citar alguns exemplos?
A assistência social realiza nesse período um trabalho com foco no acompanhamento das famílias que estão em situação de vulnerabilidade social, com orientações para garantia dos direitos sociais com acesso a benefícios como o BPC e auxilio emergencial.  Contribui também com a doação de cestas básicas, frutas, legumes e carnes, kits de saúde, higiene pessoal e máscaras, entrega das refeições doadas pelo SESI, doação de cobertores e roupas.  Na educação, as atividades não presenciais destinadas aos alunos de cada classe são disponibilizadas quinzenalmente, com a entrega dos materiais pedagógicos individualizados e as orientações aos pais ou responsáveis. As atividades são entregues pelos professores na unidade escolar e monitoradas pelos mesmos através de aplicativos digitais (WhatsApp, Skype e Zoom) de forma a viabilizar um ritmo diário de estudos. Os atendimentos na área da saúde também estão sendo realizados de forma remota. Além dos serviços ofertados, nesse momento de pandemia, orientamos sobre os riscos do coronavírus com todo o apoio necessário para o enfrentamento das situações de isolamento.