‘Estão aumentando os casos de Aids entre os jovens’, alerta o infectologista Stelios Fikaris

‘Estão aumentando os casos de Aids entre os jovens’, alerta o infectologista Stelios Fikaris

Conversamos com o médico infectologista Stelios Fikaris porque o dia 1º de dezembro marcou o início da campanha Dezembro Vermelho. A data, que foi instituído em 1988 pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas e Organização Mundial de Saúde, alerta para a prevenção da Aids e das infecções sexualmente transmissíveis (IST). Confira abaixo a entrevista completa.

Onde o senhor nasceu e cresceu?
Nasci e me criei em Araçatuba, tive uma infância comum onde meu pai era dono de tabacaria e minha mãe era do lar.

Quando começou a se interessar por medicina?
O meu interesse pela profissão de certa forma foi desde pequeno, sempre quis ser médico. A faculdade de Medicina e a especialização fiz em Ribeirão Preto, na USP (Universidade de São Paulo).

Como surgiu o interesse pela área de infectologia?
Foi durante o curso que me interessou a interação dos seres vivos da infectologia, dos microrganismos com os seres humanos

1º de dezembro é o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Poderia falar sobre os desafios dessa doença?
Pude acompanhar toda a evolução da doença, desde que voltei pra Araçatuba em 1986, seu crescimento desde as cidades grandes como são Paulo, depois as cidades médias do interior, até cidades bem pequenas, todo o preconceito contra os portadores do HIV, as dificuldades por falta de tratamento e as mortes frequentes dos pacientes.  Posteriormente com a vinda do “coquetel ” a mudança do prognóstico de vida dos doentes. Cuido ainda hoje de pacientes com 25 a 30 anos de doença

Poderia detalhar a diferença entre HIV e Aids?
O portador do HIV, ou soropositivo para o HIV, é aquele que tem o vírus, mas não teve qualquer manifestação das doenças que compõem a síndrome. O doente de Aids é aquele que já teve manifestação da doença

Qual a recomendação para quem quer fazer exame e qual o tratamento para HIV?
Hoje o exame é disponível em qualquer laboratório e também na rede pública; quem quiser, pode solicitar a algum médico, de preferência infectologista, que poderá orientá-lo adequadamente. Para o tratamento há vários esquemas, sendo o mais comum o que envolve três medicamentos de alta potência antiviral geralmente bem tolerados

A falta de informação é ainda muito grande?
A Aids perdeu o “apelo” no decorrer dos anos e com remédios mais eficientes, as pessoas ficam menos doentes e vivem melhor. Não chama a mesma atenção de quando não tinha tratamento. Fala se pouco dela atualmente, mas estão aumentando os casos entre os jovens, que não viveram a fase mais difícil da doença

Qual alerta deixa para a sociedade?
Digamos que eu sou um dos “dinossauros ” que viu o mundo sem Aids e vivenciou toda a disseminação da doença pelo mundo e também entre nós. A doença persiste entre nós, por isso precisamos sempre ficar alerta, ela só assusta menos por termos o controle.