‘Quando comprei o comércio era tudo terra aqui na frente’, recorda Miguel Camacho, proprietário do Empório Brasília

‘Quando comprei o comércio era tudo terra aqui na frente’, recorda Miguel Camacho, proprietário do Empório Brasília

Conversamos com Miguel Camacho Munhoz, proprietário do Empório Brasília, localizado na rua 9 de Julho com Julio Prestes, em Mirandópolis. Pai de três filhos, o comerciante nasceu em 1942 na região de Catanduva, sendo que com oito meses chegou no município para morar em um sítio no Ribeirão Claro. O trabalho começou cedo em sua vida, passou por Bar Marabá, Casa Jaraguá e Casa Moreira, até surgir, em 1975, a possibilidade de comprar o empório do sogro. Confira abaixo a entrevista completa.

Nasceu aonde?

Nasci em Novais, região de Catanduva, em dezembro de 1942. Vim para Mirandópolis com oito meses de idade. Moramos no Ribeirão Claro, meus pais vieram com meus avós paternos, na época compraram um sítio e vieram trabalhar com agricultura.

Ficou no sítio até quando?

Fiquei até meus doze anos. Meu pai era muito batalhador, vivia marretando, principalmente gado, para ter uma renda extra. Além disso, ele vivia fazendo churrascos, todos os casamentos e festas ele que comandava a carne (risos).

O que recorda da juventude?

Lembro muito da Praça Central, não tem como esquecer porque era um ponto de encontro dos amigos, principalmente sábado e domingo. Recordo de ir na missa e depois ficar na praça, onde fazíamos o fut e nos divertíamos. Tenho boas lembranças também do futebol na cidade e das pescarias com os amigos.

Quando começou a trabalhar?

Quando pequeno comecei fazendo balaio de bambu para muda de café para ganhar uns trocados. Com cerca de 16 anos fui trabalhar no Bar Marabá (1958 até 1959). Na sequência fui chamado para trabalhar na Casa Jaraguá (1959 até 1969) como pacoteiro, fiquei uns dois anos na função, quando me efetivaram para vendedor. O detalhe é que depois de um tempo o gerente foi embora e assumi a função. Depois fui chamado para trabalhar na Casa Moreira, onde fui chefe de seção na parte de tecidos, fiquei de 1969 até 1975, quando pedi demissão porque iria comprar o bar.

Seu sogro que início com o empório?

Isso, ele abriu por volta de 1955, naquela época era secos e molhados, tudo sem embalagem. Arroz e feijão era de pesar, não tinha nada pronto, nada empacotado ou enlatado. Era um trabalho e tanto, pois o movimento naquela época era grande, não somente do pessoal da cidade, mas principalmente dos sítios e fazendas que plantavam cebola.

O senhor assumiu em 1975?

Exatamente, pedi demissão da Casas Moreiras, em 1975, para empreender no Empório Brasília. Meu sogro aposentou e queria parar de trabalhar, com isso resolveu vender o comércio. Fizemos um balanço na época, não recordo dos valores até porque o dinheiro mudou, mas foi algo bom por fazer um negócio em família. Quando comprei o empório era tudo terra aqui na frente. No começo tinha alguns empregados, que trabalhavam meio período. Lembro que fazíamos entregas, foram excelentes anos. Aposentei em 1992, daí resolvi parar com os secos e molhados. Até mantive a mercearia, mas posso dizer que com menos produtos pesados. Nessa época meus filhos já estavam crescendo também e conseguiam me ajudar, principalmente no balcão. O meu filho mais velho me ajuda até hoje, mas para não ficar parado eu ainda continuo na batalha.

O comércio tornou-se sua vida?

Sempre quis trabalhar por conta própria, consegui empreender com o bar com ajuda do meu sogro e dos meus familiares. Meus filhos estão encaminhados na vida com as profissões, graças a Deus, isso é muito importante também. Quero só reforçar algo que eu sempre digo, o importante é ter saúde para trabalhar, que daí as coisas vão se encaixando.