‘Fiquei 23 dias no hospital, sem dúvida os mais difíceis da minha vida’, conta Cícero José

‘Fiquei 23 dias no hospital, sem dúvida os mais difíceis da minha vida’, conta Cícero José

Desde o início da pandemia causada pela Covid, milhares de vidas foram perdidas para a doença. Do lado de quem se recuperou e sobreviveu, existem muitas marcas que ficaram mesmo depois da melhora do quadro e são comuns os casos de pessoas que ainda precisam viver com sequelas causadas pelo coronavírus. Confira alguns depoimentos de pessoas que sobreviveram ao covid.

Cícero José

Sou Cícero José de Oliveira, tenho 61 anos, e meus primeiros sintomas foram parecidos com uma gripe. Tinha tosse e corpo ruim, fiquei quase uma semana me sentido assim. Um dia a minha nora foi em casa e me intimou ir para o posto de saúde. Chegando lá eles deram um kit e informaram que iriam fazer o teste na minha casa. Tomei os remédios por cinco dias, como fui orientado, mas continuava do mesmo jeito. Daí a minha nora foi novamente em casa e ficou no meu pé porque não melhorava. Voltamos ao hospital porque a preocupação era com a saturação, chegando lá o Doutor Weber me examinou e mandou tomar um soro. Terminou o soro e a saturação não subiu, por isso acharam que a melhor coisa era ficar internado para ter um acompanhamento médico. O pior é que ainda não tinha feito o exame, então ainda não tive a confirmação, mas tudo dava a entender que estava positivado para covid. No outro dia outro médico me consultou e já me colocou internado na UTI, fiquei assustado por conta das notícias, meu sentimento era de muito medo. Coloquei na mão de Deus, mas logo já colocaram uma sonda e fizeram tomografia, sendo que meu pulmão já estava tomado 25%. Fiquei no oxigênio, mas de certa forma o corpo estava tranquilo. O grande problema é que a saturação não subia, fazia fisioterapia e não estabilizava, isso preocupava os médicos. Cheguei a ver uma senhora não resistir e falecer, isso vai te deixando apreensivo. Nesse meio tempo ainda perdi pessoas próximas, fiquei 23 dias no hospital, sem dúvida foram os mais difíceis da minha vida. Não tenho explicação sobre a sensação de receber a notícia da alta, lembro até o horário, foi às 16 horas. Graças a Deus estou aqui para contar essa história, sei que muitos rezaram pela minha recuperação. Aproveito para agradecer aos profissionais da saúde e minha família, que é a base de tudo.

Sergio Camacho

Sou Sergio Bonadio Camacho, tenho 54 anos, e tudo começou com uma tosse seca. Precocemente passei a tomar azitromicina, que acho que é o que o estado fornece. Tomei e nada, estava febril e com diarreia. Procurei o posto de covid em Lavínia, mas me deram soro e liberaram. Depois de alguns dias não melhorava e voltei ao posto, mas foi a mesma coisa. Tomei soro e liberaram. Depois passei no Hospital Estadual de Mirandópolis, o médico nem examinou, só deu injeção e liberou. E o detalhe, só a minha esposa tinha feito exame e deu positivo, eu não tinha feito ainda. Não satisfeito fui para Araçatuba, fiz uma tomografia no particular, e depois fui na Santa Casa em Araçatuba. Pela quarta vez o médico que me consultou recomendou tomar soro e liberou, mas me falou que meu pulmão estava com um chiado. Uns dias depois voltei para Araçatuba com um médico particular e levei a tomografia, ele assustou porque meu pulmão estava 50% comprometido e a saturação abaixo de 90%. Vim para o Hospital Estadual, na hora o médico que me atendeu falou que precisava internar. Foi aquele medo, a minha mulher começou a chorar e foi um desespero porque não sabíamos como reagiria. Estava com muita febre, a saturação até que estava boa, mas a infecção estava tomando conta. Lá internado não tem jeito, você precisa se apegar as coisas boas da vida, aproveito para agradecer a Doutora Rita, uma excelência de profissional. Chegava cedo levantando a moral dos pacientes, éramos em cinco no quarto, três morreram durante a minha internação. Fiquei cinco dias internado, pode parecer pouco comparando com outras pessoas, mas não tem como esquecer da despedida da minha esposa para ser internado. Naquele momento precisava ser frio para passar alguns detalhes como senha do banco para ela ter um suporte e algumas outras coisas. Ela ficou desesperada falando que eu iria voltar, até tinha muita esperança da cura, mas não tinha certeza que iria sobreviver ao vírus. Quero aproveitar o espaço para agradecer os amigos e familiares, assim como os profissionais da saúde que foram fundamentais para minha recuperação.

Adriana Alonso

Sou Adriana Alonso, tenho 47 anos, e os sintomas começaram com dor nas costas, nas pernas e cabeça. Comecei tomando dipirona, não passou pela minha cabeça ter contraído o vírus. Fiquei uns três dias com essas dores, foi quando fui ao Posto de Saúde e fui alertada que isso era sintomas de covid. Fiz o exame e me deram o kit para iniciar o tratamento em casa. Nos dias em casa fui piorando, ainda mais dor no corpo, tosse e a garganta toda fechada. Depois de três dias em casa voltei para o postão porque não estava suportando mais tantas dores, pensei que iria morrer. Chegando lá a doutora passou um soro inicialmente, mas depois veio um outro médico e na hora falou que precisava internar porque meu quadro não estava bom. O problema é que não tinha vaga de internação na enfermaria, me colocaram em um quarto esperando uma vaga, fiquei de bruço para respirar melhor e na madrugada já me internaram na ala adequada. No outro dia a Doutora Rita me atendeu, uma benção de médica, e já colocou o oxigênio. Nesse momento fique com muito medo, me deu um pânico e comecei a rezar sem parar. Fiquei alguns dias internada porque a saturação não estabilizava, e o pior estava por vir, pois a minha mãe (foto) acabou pegando e ficou internada no meu quarto. Além disso, minha irmã também pegou, mas por ser especial e ter comorbidades teve maiores complicações e veio a falecer. Fiquei dez dias internada, perdi a minha irmã e vi minha mãe superar a doença, é um misto de alegria com tristeza, mas precisamos seguir firme porque Deus ainda me deu a oportunidade de viver.