Sobrevivi ao covid! Mirandopolenses compartilham histórias de superação

Sobrevivi ao covid! Mirandopolenses compartilham histórias de superação

Em maior ou menor grau, a pandemia do coronavírus transformou a vida de todas as pessoas. Para aqueles que foram contaminados pela Covid, principalmente, houve momentos de dor, angústia, medo e apreensão. Considerados recuperados após o período de atuação da doença, eles ainda não sabem se estão definitivamente curados ou imunes ao vírus. Mas a única certeza, de acordo com os relatos ouvidos pelo jornal AGORA NA REGIÃO, é de que se lembrarão para sempre de como venceram esse vírus. Confira alguns depoimentos de pessoas que sobreviveram ao covid.

Letícia Ferraz

Sou Leticia Ferraz, tenho 26 anos e vim contar o que aconteceu comigo em março. No dia 17 comecei com sintomas, mas como tenho sinusite imaginei que iria passar. Mas os sintomas aumentaram e no dia 22 fui até o laboratório fazer um teste para Covid, no mesmo dia o resultado saiu como positivo, sendo um susto muito grande por estar grávida de 26 semanas. Fiquei desesperada, voltei para minha casa para avisar minha família que testei positivo, enfim, foi um susto para todo mundo já que não sabíamos o que poderia acontecer. Com tantas pessoas vindo a óbito, muitas internadas em estado grave, começou a passar muita coisa na minha cabeça, mas procurei me tranquilizar e fiquei em casa durante três dias sentindo vários sintomas, mas não via necessidade de ir para o hospital. Daí no dia 25 comecei a sentir muita falta de ar e cansaço, não conseguia ficar deitada e nem sentada, parecia que estava sufocada. A minha saturação estava 91%, com isso corremos para o hospital e o médico já me internou. Os primeiros dias no hospital foram horríveis, teve momento que imaginei que não iria conseguir sair de lá com vida, muita falta de ar, tosse, qualquer esforço a minha saturação caia, entrava em desespero. Meu marido Otávio ficou comigo no hospital em todos os momentos, sofreu junto comigo. No dia primeiro de abril a médica tirou o oxigênio pra ver minha reação, na hora fiquei com medo, pensei que não conseguiria, mas me manteve firme e forte porque sabia que o pior já tinha passado. Ficava pensando em sair para ficar perto dos meus pais, das minhas irmãs e principalmente do meu maior tesouro que é a minha filha, a Maitê. No dia 2 recebi alta, aproveito para agradecer muito a Deus e a minha Nossa Senhora Aparecida por ter cuidado de mim e da minha bebê que está por vir. Agradeço minha família, ao meu marido que ficou comigo durante oito dias no hospital e não me deixou em nenhum momento.

Kimie Oku

Sou Kimie Oku, estou com 79 anos, e comecei a sentir um mal-estar no corpo e ficar com muita tosse. Fiquei três dias com esses sintomas e não melhorava, por isso procurei ajuda no hospital. Fui no posto de saúde e me informaram que o pessoal iria vir até a minha casa colher o exame. Depois de realizado foi confirmado que estava com covid. Mesmo antes do resultado já imaginava porque o corpo só pede cama, assim como perdi olfato e paladar. Outra coisa engraçada é que sentia uma quentura por dentro do corpo, mas quando aferia a temperatura não tinha febre. Assim mesmo tomei antitérmicos. Os três primeiros dias foram horríveis, achei que seria muito difícil para mim superar esse vírus, mas ao mesmo tempo essa dificuldade me deu forças, coloquei na minha cabeça que iria comer mesmo sem fome e beber muita água. Também fazia muitos exercícios de respiração, enchia o pulmão de ar por várias vezes, percebi o problema do pulmão porque deitada ficava com uma tosse insistente. Por isso me mantive sentada para não pressionar os pulmões, isso me deixava mais tranquila porque diminuía a tosse. Comecei a tomar remédio no dia 2 de março, sendo que fui melhorar mesmo só no começo de abril. Os médicos liberam depois de 14 dias, mas no meu caso foram 30 dias dentro de casa, não pode bobear. Tomei todos os cuidados possíveis, o pessoal deixava as compras de mercado e mercearia em uma sacola pendurada no portão, não tive contato com ninguém. Fiquei 30 dias de máscaras dentro de casa, tanto que funcionou e meu marido graças a Deus não foi contaminado. Aproveito para deixar uma mensagem, quem tiver covid respeite o vírus por 30 dias de isolamento, é importante ter uma recuperação plena porque é uma doença desconhecida. Graças a Deus sobrevivi ao covid, mais uma batalha vencida em minha vida.

Isabel Cristina

Sou Isabel Cristina Benhossi Kague, tenho 43 anos, e para descobrir que estava com covid foi mais difícil porque sou asmática. Pensei estar em crise, pois o mês de março é um dos piores meses para a minha condição. Quando fui para o hospital o médico me orientou que necessitava de internação, pois o curioso é que de primeira era diferente, não perdi nem olfato e tão pouco o paladar, no entanto meus pulmões estavam em situação de alto risco. Como tenho baixíssima imunidade e estava com boa oxigenação, o médico optou por passar o período da doença em casa, com ressalva de procurar o hospital ao menor indício de agravamento. Fiz fisioterapia pulmonar, o que aliviava muito, e passei momentos de dor, medo e desesperança. Meu pior momento foi no quinto dia porque parecia que iria sucumbir de tanta dor no tórax e quadril, a cabeça doía tanto que não tinha analgésicos eficientes. A palavra que melhor descreve a cura é felicidade em saber que verei meus filhos por mais um tempo. Não sei meu tempo terreno, mas tive uma nova chance. Então, Deus mais uma vez demonstrou o quão grande é nossa intimidade. Ainda tenho algumas sequelas, um cansaço inexplicável, minha suprarrenal apresentou uma pane, estou ansiosa, acordo as três da manhã com medo de ter problema em meus órgãos sem que eu perceba. A doença vai, mas o medo da morte permanece e deixa marcas indeléveis na alma. A mensagem que deixo é que tenham calma, fé e bebam bastante água. A mensagem mais importante, não saia de casa se estiver contaminado. Egoísmo e irresponsabilidade custam vida.