‘Consegui me reerguer porque me coloquei na presença de Deus’, explica Luiz Roberto Veronese

‘Consegui me reerguer porque me coloquei na presença de Deus’, explica Luiz Roberto Veronese

Conversamos com Luiz Roberto Veronese, mirandopolense que nasceu em 1946 e cresceu ajudando o pai no posto de combustível. Além de caminhoneiro, foi dono de bar, teve uma autopeça, vendeu consórcios e cogumelos. Confira abaixo a entrevista completa.

Como foi sua infância?

Nasci no dia 20 de dezembro de 1946, seis dias depois da famosa explosão do trem que aconteceu aqui em Mirandópolis. Tive uma infância maravilhosa, porque naquele tempo não tinha vídeo game e computador, então foi uma verdadeira festa. Tinha bastante criança e a gente brincava muito, era bem saudável, diferente de hoje que é só celular.

Quais as recordações?

Tinham os carnavais e era tudo mais sadio, a droga que tinha na época era o lança perfume (risos), mas não tinha briga, confusão e nada disso. Lembro do cinema, tinha o do Ferratone e o cine São Jorge. A gente também ia muito para Lavínia, as quermesses da cidade eram muito boas, bem gostoso.

Começou a trabalhar cedo?

Estudava no grupo, mas a minha infância foi ajudando o meu pai no posto. Com nove anos de idade já saia da escola e vinha correndo almoçar, tanto que até hoje eu não sei comer devagar (risos). Desde a minha infância fui o braço direito do meu pai, sempre trabalhei, tenho muitas saudades, pois ele era um amor de pessoa. Pra você ter ideia com nove anos eu já dirigia! Tinha uma almofada no acento das costas e eu ficava na ponta do pé.

Trabalhou com ele até quando?

A minha juventude foi no posto, depois meu pai me deu um fusca e eu fui trabalhar na barragem, onde eu fiquei por mais ou menos um ano, na construção de Ilha Solteira, em 1966. Depois comecei a trabalhar com caminhão puxando gasolina, foram cerca de dois anos, depois meu pai falou ‘bom, pelo seu salário você pode pegar um caminhão’, aí eu peguei, isso foi em 1969, mais ou menos, e daí fui correndo trecho trabalhando. Fui até João Pessoa, fazia de quatro a cinco viagens por semana para Bauru, hoje tenho alergia de entrar dentro de caminhão (risos). Mas as coisas eram bem diferentes, era um caminhãozinho que a camisa chegava a vir nas costas. Em 1980, o Dr. Jorge inaugurou o bairro Santa Rosa, aí eu comecei a vender lotes. Vieram uns vendedores de fora, mas eu vendia mais do que eles e começou a dar problema, aí o Dr. Jorge dispensou o pessoal e me deixou sozinho. Ali eu vendi 350 lotes. Na época tinha cada buraco, onde hoje é a Igreja Quadrangular, em frente a praça, tinha até uma taboa para poder entrar na igreja, isso foi por volta de 1981. Depois tive bar, uma autopeça, vendi consórcios, plantei cogumelos, fiz de tudo um pouco. Tentei montar uma oficina em Campo Grande, ganhei o terreno, mas como surgiram várias coisas acabei não indo. Esse foi o único momento em que quase saí de Mirandópolis, mas Deus tem um projeto para tudo. Agradeço muito a Deus por não ter saído, porque eu fui o braço direito do meu pai, ele ficou acamado e eu fiquei um ano sem sair do lado dele, que faleceu em 1982.

E o posto de combustível?

Assumi o trabalho aqui no posto no dia 8 de dezembro de 1998. Era funcionário da minha mãe e fiz um acordo para a gente ser sócio, mas aí eu comprei a parte da minha mãe e comecei a tocar. Tive uma decepção muito grande com um funcionário que me roubou R$ 400 mil, são experiências que passei, também perdi R$ 1,3 milhão em fiado, quebrei em 2017 para 2018. Para mim foi uma experiência muito triste, só consegui me reerguer porque me coloquei na presença de Deus e foi depois de muito jejum e oração que Deus me deu a resposta. No dia 4 de dezembro de 2018 consegui arrumar o dinheiro com um rapaz. Até já quitei com ele agora, depois de dois anos. Foi aí que Deus foi me abençoando cada vez mais. Faltam poucas coisas para terminar de acertar tudo, já coloquei as coisas em dia só tem uma dívida para ser resolvida, mas creio que no final deste ano já vou estar em paz.

Seus filhos te ajudam no posto?

Sim, desde 2019, espero que seja uma sucessão, porque aqui eu tinha uma parte do posto e fui comprando as outras partes. Espero que eles deem continuidade, todos gostam dos dois porque são muito educados. Assim como ajudei meu pai, meus filhos me ajudam. Até hoje eu não sei o que é férias, mas creio que devagarzinho a gente vai se acertando.

Posto Veronezi 1