‘Sempre quis montar uma lanchonete que lembrasse São Paulo com café e pão na chapa’, explica Antônio Carlos Sexto, do O Paulista

‘Sempre quis montar uma lanchonete que lembrasse São Paulo com café e pão na chapa’, explica Antônio Carlos Sexto, do O Paulista

Conversamos com Antônio Carlos Sexto, empresário de 53 anos que nasceu em São Paulo, mas que se considera um mirandopolense de coração. Depois de trabalhar como mecânico e vendedor de carro na capital, chegou ao interior para empreender no ramo da gastronomia. Montou a lanchonete ‘Na Chapa’ e agora está com o ‘O Paulista’ (Rua Gentil  Moreira, 189). Confira abaixo a entrevista completa

Cris e Antônico

Como foi sua infância e juventude?

Meu pai nasceu em Guararapes e a minha mãe em Monte Alto. Eles se casaram e tiveram o meu irmão mais velho e a minha irmã em Murutinga e depois foram para São Paulo, onde eu e outros irmãos nascemos. Fui criado em Pirituba, Zona Oeste. Quando o meu pai morava aqui ele era agricultor, depois lá se tornou mecânico, nessa época eu com uns oito anos de idade já ajudava ele. Fomos morar por um ano em Olímpia, mas não deu muito certo e retornamos para São Paulo. Uma vez a gente veio para Andradina, mas também não deu muito certo, eu tinha uns 12 ou 13 anos. Daí em 1987 ele resolveu vir de vez, vendeu o imóvel que tinha e veio. Acabei vindo morar em Guaraçaí, fiquei por um ano, mas acabei voltando para São Paulo.

O que fazia em São Paulo?

Montei uma oficina com um colega, mas vi que não era aquilo que eu gostaria e depois comecei a trabalhar com compra e venda de carro, fiquei uns 15 anos nessa função. Nessa época vinha algumas vezes para Mirandópolis, então sempre tive uma ligação com a cidade. Em uma dessas vindas, em 1999, comecei a namorar a Cris (Cristiana Ferreira de Azevedo), que em seguida foi para São Paulo comigo. Nós começamos a trabalhar em uma empresa de leilão de automóvel, ficamos lá por 10 anos. Nesse intervalo acabei comprando um imóvel em Mirandópolis. Daí meu filho nasceu e meus pais estavam em Guaraçaí, foi quando decidimos vir para cá de vez para criar nosso filho.

Montou algum negócio?

O meu irmão mais novo que estava em Andradina tinha uma loja de som e acessórios, com isso montamos uma loja aqui. Ficamos um período, mas ainda não era o que eu queria. Vendi a minha parte para o meu irmão e decidi montar outra coisa na cidade, queria fazer uma coisa que eu soubesse fazer e não precisasse depender de outra pessoa. Foi quando montei o Espaço Festa, isso por volta de 2008. Fiquei com o empreendimento por uns cinco anos até que vendi.

E a gastronomia na sua vida?

Há muito tempo atrás, quando eu tinha uns 14 ou 15 anos, eu e minha família tínhamos um trailer, que a gente tocava em paralelo, com lanches e almoço em São Paulo. Só não ficamos muito tempo nesse ramo, pois fomos assaltados três vezes. Na última vez o assaltante acabou dando um tiro em minha direção, mas graças a Deus não pegou. Ficamos com medo, pois trabalhávamos em família, o local era perigoso e decidimos que não compensava. Mas acredito que a parte de trabalhar com comida começou nessa época.

E aqui em Mirandópolis?

Quando vim pra cá a ideia inicial era montar um bar noturno, mas já tinha desistido da ideia porque não queria mais trabalhar de madrugada. Como queria algo nesse sentido decidi montar uma lanchonete que lembrasse São Paulo, pois sentia falta de um café, pão na chapa, eu fui criado assim. Foi quando surgiu a ideia de criar o ‘Na Chapa’, em 2016. Comecei a fazer uns testes de qualidade, o pessoal foi gostando e foi quando senti a necessidade de ampliar o local. Nesse período apareceu o Claudio, que fornecia o pão e quis comprar porque já tinha planos de fazer alguma coisa nesse sentido para o filho cuidar, foi quando vendi o negócio.

Agora está com O Paulista?

Nesse intervalo de tempo fiquei fazendo alguns bicos, mas estava meio difícil, tinha vários projetos, mas quando achava alguma coisa o ponto (local) não dava certo, o que é o principal. Até que esse aqui deu certo, daí começamos a colocar o projeto em prática. Eu e minha esposa (Cristiana) sempre fomos muito parceiros, e achávamos que faltava algo nesse sentido em Mirandópolis. Inauguramos no dia 25 de janeiro, graças a Deus está dando tudo certo.

Qual sua ligação com Mirandópolis?

Tenho uma relação muito forte com Mirandópolis, inclusive nesse intervalo acabei trazendo os meus pais para cá também. Infelizmente eles já faleceram, meu pai se foi faz uns 20 dias, já minha mãe há uns 3 anos. Mas o bom é que conseguimos ficar mais próximos durante esses anos, meu irmão hoje também está aqui, só as duas irmãs que estão em São Paulo. Sou muito grato a população de Mirandópolis, as pessoas sempre me receberam de braços abertos. Hoje tenho muitos amigos aqui, graças a Deus, muito mais amigos aqui do que lá (risos).