‘São 76 anos de tradição da Ótica e Relojoaria Kawasaki em Mirandópolis’, lembra Adriana Yokoyama

‘São 76 anos de tradição da Ótica e Relojoaria Kawasaki em Mirandópolis’, lembra Adriana Yokoyama

Conversamos com Adriana Ariki Yokoyama, que nasceu em 1970 em Mirandópolis. Seus avós iniciaram a Ótica e Relojoaria Kawasaki, em 1945, sendo que 20 anos depois o negócio passou para o tio, Sadao Kawasaki, que gerenciou a empresa até 2014. Depois de um trágico acidente automobilístico que vitimou os familiares que cuidavam do negócio, Adriana assumiu a loja com o compromisso de ajudar na questão burocrática para fechar, mas acabou pegando gosto e segue com a missão de dar continuidade na tradição da família. Confira abaixo a entrevista completa.

Poderia contar sobre sua família?

Minha avó, Dona Kimiko Kawasaki, nasceu na província de Fukushima, no Japão, em 1923. Sua família migrou para o Brasil em 1932. Vieram fixar moradia na região de Araçatuba para trabalhar nas fazendas de café. Aos 11 anos, seus pais se mudaram para Vila Nova, já na região de Mirandópolis. Detalhe que ela até frequentou a escola, mas acabou desistindo, aprendeu somente o básico, até sabia ler e escrever em português para poder se comunicar com as pessoas, só que com dificuldade.

E quando surgiu a Ótica?

Aos 22 anos, ela casou com meu avô Toshio Kawasaki que era mecânico e trabalhava em uma beneficiadora de arroz na Segunda Aliança. Em 1945, meu avô comprou uma pequena relojoaria, que viria a ser a Ótica e Relojoaria Kawasaki, que está no mesmo local situado na rua Rafael Pereira, que há 76 anos atende os moradores de Mirandópolis e região.

Depois seu tio assumiu?

Isso, com o falecimento do meu avô em 1965, aos 46 anos, a minha avó passou a responsabilidade da relojoaria ao meu tio Sadao Kawasaki, que aos 21 anos estava retornando de São Paulo, onde concluiu o curso de ótica. Com isso ele deu início a segunda geração na administração do negócio. Vale lembrar que meu tio, como filho mais velho, teve o encargo de cuidar da minha avó e dos quatro irmãos, ainda adolescentes. As minhas tias também ajudaram na loja, até a minha avó, mesmo com bastante dificuldade de falar o português se esforçava no atendimento no balcão (risos). Elas ajudavam para meu tio Sadao atender a clientela que buscava fazer os óculos.

Seu tio gerenciou mais de 50 anos?

Em 1975, aos 31 anos, meu tio casou com a Kazuko Kasaya e tiveram o filho Ricardo, que foi diagnosticado ainda bebê com um problema que fez perder totalmente a visão. Ele cuidou dos negócios por 56 anos, até em 2014, quando as vidas dele, da minha tia e do meu primo foram interrompidas por um trágico acidente de automóvel quando retornavam de uma consulta em Botucatu. No dia 9 de outubro vim para o sepultamento, sendo que depois os familiares pediram para eu ficar para encerrar a empresa. Como eu tinha trabalhado de balconista entre 1987 a 1991, eles me deram a responsabilidade de literalmente abaixar as portas e fechar o negócio de vez. Como você pode imaginar, já que estou dando a entrevista, o negócio não fechou.

Qual foi sua trajetória profissional?

Estudei até o colegial na Escola Noêmia, o Cene, depois fiz tradutor interprete em Bauru, mas só fiz meio ano de curso e voltei para ajudar na relojoaria, como balconista. Depois fiz um curso de prótese em Araçatuba, mas em 1993 prestei um concurso e entrei na prefeitura de São Bernardo. Lá trabalhei por 15 anos. Em 2007 pedi exoneração e montamos o Chopp Germania, em Salto, onde ficamos por cinco anos até que aconteceu o acidente e nós viemos para o enterro.

Desde 2014 está por aqui?

O Yuji (Plinio Yuji Yokoyama), meu marido, voltou para Salto e eu fiquei aqui para ajudar a família como comentei anteriormente. Como demorou para resolver, decidimos vender a empresa e voltar de vez para Mirandópolis para dar continuidade na tradição da família com a Ótica e Relojoaria Kawasaki. Quando ele voltou também fez o curso de ótica, em 2017, para atender os clientes com a mesma qualidade e dedicação que o meu tio fazia. Estamos felizes com esse atual momento da empresa.

Como estão lidando com a pandemia?

No início foi difícil, porque as contas não param e as portas baixaram, então não é a mesma coisa. Mas graças a Deus, mesmo com meia porta aberta, conseguimos pagar as contas e superar o desafio. Continuamos fazendo as mesmas coisas que meu tio fazia antes, até incrementamos algumas coisas, mas só temos que agradecer, pois a população sempre prestigiou a nossa loja. Aproveito para deixar um muito obrigado e dizer que estamos à disposição para qualquer necessidade.

*LEGENDA DA FOTO: Adriana Yokoyama com sua mãe Tomie Ariki