‘Sempre tive uma luta pelo Ipem com os prefeitos para não deixar ingerência política’, recorda Waldir Antunes

‘Sempre tive uma luta pelo Ipem com os prefeitos para não deixar ingerência política’, recorda Waldir Antunes

Conversamos com Waldir Messias Antunes, nascido em Três Lagoas, em 1948, que chegou em Mirandópolis em 1955. Trabalhou no escritório do Manoel Franco, na barragem em Ilha Solteira e no hospital, mas foi na prefeitura que se encontrou profissionalmente. No comando do Ipem (Instituto de Previdência de Mirandópolis) desde o início, em 1992, Waldir alerta que se não regularizar, o Ipem vai entrar logo menos em colapso. Confira abaixo a entrevista completa.

Nasceu e cresceu aonde?

Nasci em Três Lagoas, mas saí de lá com um ano e fui para Murutinga, Guaraçaí e depois chegamos em Mirandópolis quando eu tinha sete anos, em 1955. Nós ficamos até 1964, depois ficamos um ano fora e voltamos para cá em definitivo. Cresci dentro do escritório do Manoel Franco, eu o Valter e o Afonso desde os 12 anos no escritório. Trabalhei ainda como engraxate, depois como barrageiro na Ilha Solteira.

Quais as lembranças antigas?

Lembro muito do meu tempo de coroinha, e das brigas do Padre Pifanio com a roupa das mulheres. Naquele tempo os estudos eram rígidos e marcou a minha infância, os anos brincando em açudes e pescando. Lembro muito do finado Alcino porque ele tinha uma caminhonete e eu ia com ele na lagoa, tinha um córrego ali e eu chegava da escola e ficava pescando. Recordo do cinema domingo e das vendas e trocas de gibi e seriado. Depois tinha meus irmãos, a Kibom, a estação.

Você teve problema de saúde?

Tive um aneurisma em 1998 e já fui chamado pelo Dr. Dirceu que falou que eu tinha 5% de chance de voltar. Aconteceu tudo isso porque foi um choque o falecimento do meu irmão, o Valter. Ele faleceu em Campinas em junho, uma semana depois tive o aneurisma, mais retornei sem sequela nenhuma e todos os dias eu agradeço a Deus pelo aneurisma que ele me deu, porque antes eu bebia, fumava e me alimentava mal. Com isso mudei bem os meus hábitos.

Quando iniciou na prefeitura?

A minha primeira entrada foi em setembro de 1970. Eu era auxiliar da secretaria, fazia de tudo. Era molecote e acabei saindo para fazer um concurso no hospital, fiquei lá cerca de três anos, mas percebi que o hospital não era para mim, nisso o Valdomiro continuou me chamando e eu voltei. Digo que dei uma saidinha, pois a minha vida sempre foi a prefeitura.

Qual a sua história no Ipem?

O Ipem (Instituto de Previdência de Mirandópolis) é um órgão gestor do regime próprio de previdência social, criado como Fundo de aposentadoria e pensão, em 1992. Em 1997 foi transformado em Instituto de Previdência Municipal. Com autonomia administrativa, financeira e orçamentária. Na verdade, foi uma armação em Brasília, porque a maioria das prefeituras devia para o INSS, então eles armaram que as prefeituras poderiam parcelar e criar um novo regime próprio para começar do zero e nisso todo mundo caiu matando. O nosso começou pelo modelo de Dracena, nós implantamos em dezembro de 1992 e começamos em janeiro de 1993. Sempre tive uma luta pelo Ipem onde briguei com todos os prefeitos para não deixar interferência política nesses 28 anos.

Quais os desafios?

As alíquotas não tem segredo nenhum desde que se cumpram as regras, já que o Ipem é o repasse, agora tem um lobisomem por assim dizer, que é o tal do déficit e isso é o ruim porque ninguém entende ou imagina o que é o déficit, que é uma projeção há 30 anos e não uma coisa de agora, depende do repasse certinho. Faço o levantamento ano a ano. Em 2005 tinha tantos ativos, benefícios a conceder e déficit de apenas R$ 52.128. E hoje são milhões. O déficit é como um cheque especial que você tem que pagar no cartão de crédito, se não acertar vira uma bola de neve. Em 2020 teve 632 ativos, inativos foram 269, que são aposentados e pensionistas. Não tem segredo nenhum, o que falta é seguir as regras e fazer esse pagamento normalmente. Se não regularizar vai entrar em colapso. Há solução, mas tem que ter vontade política.

O reajuste será um problema?

O problema é em nível nacional. Esse reajuste de 14% é lá na câmara. Isso foi imposto pelo governo federal, mas os políticos para não se indisporem com os eleitores foram jogando a bomba, então chegou agora no último estágio. Desde dezembro de 2020 já era para ter mudado e estão enrolando, mas vai ter que ajustar porque o nosso CRT é bloqueado, a prefeitura não pode receber recursos e o Ipem recebe compensação por preencher. Porque a pessoa quando aposenta ele recolheu para o INSS e o INSS repassa para nós. O Ipem é uma coisa muito séria, é um perigo porque envolve muito dinheiro, são praticamente 80 milhões de reais e é financeiro, em dinheiro. Agora preciso ver esse projeto que ia mandar para a câmara, pois nós rejeitamos o primeiro e agora parece que enviaram novamente. Fui bem claro que nada pode ser aprovado sem a aprovação do conselho.

Você fica no Ipem até quando?

Infelizmente vou ser obrigado a parar em dezembro porque termina o meu mandato. Tive uma primeira eleição em 2014, depois fui reeleito em 2018, como não pode ter uma nova sequência alguém vai ter que assumir.