“É tempo de transformar conhecimento em ação”, esse é o tema da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla

“É tempo de transformar conhecimento em ação”, esse é o tema da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla

Entre os dias 21 e 28 de agosto, é comemorada a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, uma campanha desenvolvida pela Federação Nacional das Apaes desde 1963. A data foi incluída recentemente no calendário nacional, durante a presidência de Michel Temer, através da lei nº 13.585/2017, com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre práticas inclusivas e reforçar os direitos de cidadania e inclusão das pessoas com deficiência intelectual e múltipla.

Neste ano, a campanha aborda o tema “É tempo de transformar conhecimento em ação”, buscando construir uma sociedade mais justa, igualitária e inclusiva através da informação, “porque conhecer sobre as condições sociais das pessoas em situação de deficiência intelectual e múltipla é um dos meios para transformação da realidade e para a superação das barreiras que as impedem de participar em igualdade de condições na sociedade”, explica a diretora da Apae de Mirandópolis, Renata Oliveira de Paula Araujo.

De acordo com Renata, a instituição atua no município desde 1975, defendendo os direitos das pessoas com deficiência, auxiliando na inclusão ao mercado de trabalho e oferecendo atendimentos na área da saúde, educação e assistência social. “Na área da saúde, a Apae de Mirandópolis presta serviços de fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia e equoterapia. Já na área da educação nós atendemos o ensino fundamental 1, que vai do 1º ao 5º ano e o programa de Educação para Jovens e Adultos – EJA, para pessoas a partir de 30 anos”, conta a diretora.

Atualmente, a Apae de Mirandópolis atende o total de 110 pessoas, incluindo alunos com deficiência e pessoas da comunidade, que necessitam do acompanhamento de profissionais como: fonoaudiólogo, fisioterapeuta, psicóloga, assistência social ou de equoterapia.

Se tratando da inclusão social, a diretora explica é possível observar um cenário progressivo, mas que este ainda é um caminho longo a se percorrer.

“Aqui em Mirandópolis já é possível sentir um pouco dessa mudança. Temos oito pessoas da Apae com deficiência, que já estão incluídas no mercado de trabalho e certa independência financeira, porque trabalham e recebem o seu salário, para comprar aquilo que desejam e poder ajudar a família no sustento da casa. Isso traz uma autonomia e uma satisfação muito grande para eles!”, revela Renata.

A diretora conta que apesar do notável progresso inclusivo, ainda existem no município barreiras arquitetônicas e atitudinais que precisam ser desconstruídas, através de obras de acessibilidade e da conscientização.

“Não são todos os lugares que tem acesso para deficientes visuais, ou que se permite a entrada e manuseio de equipamentos por surdos e mudos. Muitas vezes se o deficiente não estiver acompanhado ele dificilmente consegue acesso à informação que precisa, mas eu acredito sim que as pessoas já estão se conscientizando e começando a fazer essa transformação, para que realmente haja a inclusão das pessoas com deficiência, seja ela física, intelectual ou múltipla”, completa a diretora.

DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

As deficiências intelectuais ou cognitivas podem ser causadas por diversos fatores e nesses casos, a pessoa em questão pode apresentar dificuldades em estabelecer relações sociais, compreender regras ou realizar atividades cotidianas, como o autocuidado.

“As causas da deficiência intelectual são muito variadas e complexas. O fator genético é o mais comum, mas as deficiências intelectuais também podem ser causadas por complicações perinatais (formações fetais ou problemas durante a gravidez), consumo de álcool e drogas durante a gestação, falta de acompanhamento pré natal, envenenamento por metais pesados durante a primeira infância ou pela desnutrição severa, quando a mãe passa a privação de alimento”, informa Renata.

As formas de tratamento podem variar de acordo com grau de deficiência e através do diagnóstico das áreas afetadas, que podem ser na fala, na capacidade motora, psicológica, ou as três juntas. Na Apae de Mirandópolis os tratamentos são oferecidos através de uma equipe profissional composta por fisioterapeuta, psicóloga e fonoaudióloga.

“Há mais de dez anos é oferecido o serviço de equoterapia, que são atividades realizadas junto a um cavalo e supervisionadas por dois profissionais, que geralmente são uma psicóloga e uma fonoaudióloga, ou uma fonoaudióloga e uma fisioterapeuta. O tratamento tem surtido bons resultados, porque além de estimular o afeto também trabalha a questão da fala e do relacionamento e socialização da criança”.

DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

Além dos direitos constitucionalmente garantidos para todos os cidadãos, as pessoas com deficiência também são amparadas pela lei brasileira de inclusão, que reforça a garantia dos direitos a igualdade.

Os interessados em saber mais sobre os direitos das pessoas com deficiência e como reivindica-los podem acessar o site da Federação Estadual das Apaes, através do link www.feapaesp.org.br e procurar pelo manual chamado “Eu Tenho Direito”, que responde uma série de questões práticas.

DOAÇÕES

Devido a pandemia da covid-19, os eventos desenvolvidos pela Apae diminuíram, mas a necessidade de apoio para a manutenção da instituição permanece.

“Aqueles que se interessarem em apoiar o trabalho da Apae podem se tornar associados, ou realizar doações em dinheiro, ou de itens usados para serem revendidos no bazar. As doações podem ser feitas através de boleto bancário ou entregues ao office boy, que vai até a casa dos associados”, informa Renata.

SERVIÇO