‘Comecei a trabalhar cedo e com muita luta fui conseguindo meu espaço’, lembra Chupeta

‘Comecei a trabalhar cedo e com muita luta fui conseguindo meu espaço’, lembra Chupeta

Conversamos com Fábio Biazotto Garcia, popularmente conhecido pelo apelido de Chupeta, que nasceu em Diadema em 1974, sendo que chegou em Mirandópolis com cinco anos. Começou a trabalhar aos 12 anos como office boy e aos 17 anos surgiu a oportunidade de “tocar” sua primeira lanchonete. Largou tudo em 1996 para trabalhar no Japão, onde ficou por sete anos. Quando voltou montou o Chupeta Lanches, onde está até hoje com a lanchonete. Confira abaixo a entrevista completa.

Onde nasceu e cresceu?

Nasci em Diadema, em 1974, onde morei até os cinco anos e depois vim para Mirandópolis. Somos em quatro em casa, eu, meu irmão, minha mãe e meu pai. Com 12 anos comecei a trabalhar no escritório do Dr. Hiroshi Nakamura como office boy, depois fui trabalhar no Banco América do Sul e em seguida no Escritório São Paulo. Também passei pela oficina do meu amigo Nori Tanikawa, bons tempos. Isso foi até os 17 anos, depois decidi que tinha que tomar um rumo na minha vida e abri a minha primeira lanchonete, que era um trailer ao lado do parquinho, ali do lado da Rodoviária, em 1991.

Como surgiu a oportunidade?

O meu amigo Nakamura, que infelizmente já faleceu, me convidou para “tocar” a lanchonete. Nessa época não tinha dinheiro nenhum, só um terreno que ganhei do meu pai, como ele aceitou trocar no terreno, decidi enfrentar. Foi uma época difícil, só tinha um freezer para gelar as cervejas e refrigerantes ao mesmo tempo, não tinha maquinário para fatiar frios, então eu dependia das padarias, não tinha recurso financeiro, mas tinha vontade. Ali trabalhei por quatro anos, até 1996, quando decidi ir para o Japão.

O que lembra dessa experiência?

Ficamos no Japão cerca de sete anos, até 2003, trabalhei em uma fábrica que fazia macarrão. Valeu muito a pena, fiz o meu nome lá, fui bem respeitado e fazia por merecer. Vale ressaltar que meu filho Bruno foi feito no Japão (risos), minha esposa ia ganhar ele lá, mas faltando um mês e meio ela ficou com medo e nós conseguimos embarcar, porque dependia da liberação do comandante da aeronave, se poderia ou não. Ela teve a liberação e nós viemos para cá, ela ganhou o nenê e eu voltei para o Japão, onde fiquei por um ano sem ver eles, não vi ele engatinhar e nem andar porque era outra época, não tinha celular com internet. Daí quando decidi voltar para Mirandópolis tinha o pensamento de nunca mais abrir lanchonete, porque é muito difícil e não queria isso para a minha família, mas não teve jeito, quando cheguei aqui o antigo dono da lanchonete que eu estou agora resolveu vender (rua Rafael Pereira, nº 1045). De lá para cá já se passaram 17 anos, graças a Deus deu tudo certo.

Está montando um novo empreendimento?

Aquele prédio (esquina da rua Raul da Cunha Bueno com a avenida São Paulo) é um sonho de criança, de ter uma loja de carros e motos. Não sei se vai dar certo, mas é um sonho, então tenho que tentar! Está ficando legal, temos muitas ideias. Depois de pronto vou ver se dá para montar uma choperia, ou alguma coisa diferente, mas tudo vai ser decidido depois que eu terminar lá e ver como vai ficar o espaço.

O que te motiva empreender?

Eu não penso só em mim, me sinto lisonjeado em gerar emprego, porque querendo ou não tenho mais de 12 funcionários e a maioria depende daqui, ganhando pouco ou não, eles dependem desse trabalho. Então gostaria que mais gente, que já tem o nome feito a cidade, pensasse mais no próximo também. Claro que penso muito em mim, mas também me coloco no lugar do próximo. Essa cidade é a minha vida. Tem horas que eu falo que quando me aposentar vou embora daqui, mas é da boca para fora. Ao mesmo tempo em que a gente reclama que aqui não tem nada, a gente também não quer sair daqui.