‘A política foi uma decepção e a Apae uma grande paixão’, analisa Luiz Bosso

‘A política foi uma decepção e a Apae uma grande paixão’, analisa Luiz Bosso

Conversamos com Luiz Carlos Bosso, popularmente conhecido como Luizão da Livraria, que nasceu em 1959 em Lavínia, chegando em Mirandópolis em 1975. Trabalhou no Supermercado Estrela e na funerária, mas sua passagem marcante foi na Alcomira, onde ficou por 13 anos. O comércio surgiu em 1994 por incentivo do seu pai, que já tinha uma loja e convidou para trabalhar junto. Confira a entrevista completa abaixo onde ele ainda destaca sua passagem na política e também sua paixão pela Apae.

Nasceu e cresceu aonde?

Nasci em 1959, em Lavínia, lá no ‘Pé de Galinha’. Sou filho do Senhor Sebastião Bosso e da Dona Eurides Rizzo Bosso. Meus pais tiveram seis filhos homens e a gente tinha uma propriedade em Lavínia, então crescemos no sítio, onde ficamos até 1975 na geada que teve. Nós estávamos com dez mil pés de café que tinha uns dois anos, mas veio a geada e matou, tirando toda a perspectiva de melhora que a gente tinha para o próximo ano. Quando eu tinha 16 anos, em 1975, viemos para Mirandópolis.

Montaram algo?

A minha mãe fez um concurso para costureira no hospital e passou, mas ficamos com o sítio até 1977, quando conseguiu vender e comprar algo por aqui. Quando estava no primeiro colegial, no Cene, comecei a trabalhar no antigo supermercado Estrela. Naquele tempo não tinha problema, a gente trabalhava das seis até oito da noite, mas começou a ficar pesado ir para a escola e trabalhar, então acabei largando o estudo, porque como o meu pai ainda não tinha se estabilizado eu tinha que ajudar a minha mãe a trabalhar e ganhar dinheiro para sustentar o restante da família. Completei o estudo somente em 1999, quando minha afilhada que estava no Japão voltou para a cidade e queria voltar a estudar, mas não queria ir sozinha. Ela me encheu a paciência e eu terminei o terceiro colegial, coincidentemente também abriu a faculdade na época, daí minha esposa entrou no meio e me incentivou a fazer o vestibular, passei e acabei fazendo a faculdade de administração até 2004.

Onde mais trabalhou?

Fiquei no Supermercado Estrela até 1980, depois trabalhei um ano na funerária e na sequência entrei na Alcomira, onde fiquei por 13 anos. Lá durante dois anos puxei cana, depois trabalhei como auxiliar de administração, como comprador durante oito anos e nos últimos anos também cuidava da oficina. Em 1994 fui dispensado e fiquei meio sem rumo, já estava com 35 anos e tinha dois filhos pequenos, então fiquei preocupado em como conseguiria arrumar outro emprego. Mas meu pai tinha uma loja perto do cemitério, na rua Dom Pedro I, e conversando ele me chamou para trabalhar lá. Foi quando trouxemos a loja para o centro da cidade, na rua Gentil Moreira, ao lado da Caixa. Lá ficamos de 1994 até 1999, depois fomos para a rua Nove de Julho, onde hoje é a Magazine Luiza, até 2010. Hoje estamos na rua Rafael Pereira, n 1022.

E a parte social na sua vida?

Primero foi com a Associação Comercial e foi muito bom porque aprendi muitas coisas.  Fui presidente de 1997 até 2000. Depois veio a Apae, que foi um presente. Foi muito gostoso, a finada esposa do Dr. Afonso me ajudou bastante, ela era muito ativa e fazia muito pela entidade. Também cheguei a ajudar a Amai, mas não lá dentro, nós ajudávamos muito nas promoções.

Como surgiu o interesse na política?

Foi por meio da convivência com os Maluly. Como trabalhava na Alcomira, eles falavam para colocar o meu nome para completar a vaga no partido. Comecei a participar em 1992, mas não entrei, acabei ficando de suplente. Em 1996 mesma coisa, daí fui eleito como vereador em 2000. Mas resumindo, sou apaixonado pela política, ela corre no meu sangue e para mim foi um sonho. Eu via a política como um meio para ampliar tudo aquilo que eu fazia para o benefício da sociedade, imaginava que seria melhor para trabalhar esse lado, mas foi uma decepção muito grande, porque o vereador em si não tem poder para nada. Geralmente o executivo tem a maioria e faz o que o prefeito quer, se você está do outro lado, esquece. Você vai passar os quatro anos recebendo a salário e mais nada, pode até bater de frente, mas sozinho você não consegue fazer nada. Por isso tenho o sonho de tentar me tornar prefeito, porque como vereador não consigo mudar muito, mas como prefeito já daria porque você tem a caneta na mão e mesmo que dependa da câmara você tem um poder maior. Eu tenho vontade, mas ainda não saiu a oportunidade, quem sabe um dia.

Pode deixar uma mensagem final?

Dizem que atrás de um grande homem tem uma grande mulher.  Eu tive a sorte de arrumar uma assim. Casei em 1985, com a Maria Aparecida, ela é muito parceira e tudo o que eu tenho na minha vida hoje devo a ela, porque é ela que me dá suporte.  A gente agradece a todo mundo que participa da vida da gente, mas não tem como esquecer da minha mãe pela sabedoria que teve na época vindo da roça e conseguindo um emprego para trazer a gente para cidade. O meu pai por ter me guiado e me dado tudo o que eu aprendi, aos meus amigos também que estiveram comigo durante toda a caminhada, mas o carinho maior que marcou a vida foi a base da família, sem esquecer dos meus filhos Luiz Carlos e Gabriel Antonio, e o que eu passei na Apae, tanto é que a gente continua ajudando até hoje e não vamos deixar de ajudar porque as crianças merecem.