‘Depois que terminei minha história como vereador me afastei totalmente da política’, explica Chiquito

‘Depois que terminei minha história como vereador me afastei totalmente da política’, explica Chiquito

Conversamos com Joaquim Ortega Chiquito, que nasceu em outubro de 1948, em Mirandópolis. Pai de duas filhas e com dois netos, Chiquito iniciou sua trajetória profissional como professor de Educação Física, sendo que depois esteve na função de vereador por 16 anos (quatro mandatos). Confira abaixo a entrevista completa sobre sua trajetória de vida.

Como foi sua infância e juventude?

Estudei no Edgar, depois no Noêmia até o normal, depois fui para Araçatuba fazer faculdade de Educação Física. Eu não era apaixonado pelo curso, tinha vontade de ser advogado, mas na época a faculdade mais perto era Bauru e ficava difícil porque não tinha recurso financeiro. Fiz faculdade viajando de carona, sofri bastante, mas consegui me formar.  Terminei a faculdade já trabalhando em Araçatuba em uma firma que prestava serviço de pecuária e indústria, nada na área, mas eu precisava trabalhar. Mas antes disso tive uma primeira experiência na prefeitura. O Mario Dias Varela gostava tanto de Mirandópolis que queria criar indústrias de tudo quanto é coisa aqui na cidade, daí um dia ele proporcionou ao governo do Savero Tramonte trazer um frigorifico. Com isso fiquei trabalhando no Tião Maia por um ano para fazer uma inspeção para abrir o frigorifico no município.

Depois foi dar aula?

Em 1975 me efetivei, então acho que devo ter começado a dar aula mais ou menos em 1967. Fui professor em todas as escolas, 14 de Agosto, Ebe Aurora, Edgar, Noêmia, Hélio Faria e Sesi. Era um tempo que o esporte movimentava demais a cidade, existiam as competições entre as escolas que lotavam o CAM ou ginásio de esporte. Aquela rivalidade sadia entre Edgar e Noêmia era sensacional, os jogos de vôlei contra o Fumagali foram marcantes, assim como futsal e outras modalidades.

Pessoal ainda reconhece como professor?

Hoje vejo pessoas já de cabeça branca que falam “Ô professor, lembra disso…”, “Professor, fomos campeão”. Isso é muito gostoso de ouvir, pois de certa forma você entende que contribuiu para a formação do cidadão. Aqui o esporte era muito forte, o estudante participava dos interclasses e interescolares, mas hoje todo mundo só quer saber de celular, mas era muito gostoso e prazeroso, tenho muito orgulho da minha trajetória como professor.

E a política na sua vida?

O meu pai sempre gostou da política, teve uma época que começou a trabalhar mais diretamente e com isso acredito que acabei também tendo essa ligação. Quando fui candidato estava trabalhando como professor, mas não entrei na primeira, eu perdi uma e na outra entrei, sendo que fiquei quatro mandatos, fiquei 16 anos como vereador. Gosto de destacar que todo ano a câmara faz um ranking dos projetos e indicações, sendo que nesses 16 anos sempre fiquei em primeiro nas proposituras. Além disso, durante quatro anos fui presidente da câmara.

Quais as boas lembranças?

Fiz inúmeras indicações, mas uma que me deixa orgulhoso é que consegui resolver parcialmente o problema da água por meio do meu partido com o Mario Covas. Ele mandou verbas e o finado Gilmar, que era um engenheiro competente e trabalhador, conseguiu triplicar o tratamento e o melhoramento da água.  Com isso conseguimos abastecer Mirandópolis na época de uma melhor maneira, que naquela época já era um sofrimento. Outra ação que lembro com carinho é do correeiro que se chamava José Gabriel. Ele era muito pobre, mas muito trabalhador, entregava todas as correspondências de carriola. Então fiz um selo que correu pelo mundo, porque naquela época era só o selo José Gabriel. Fiz essa homenagem que marcou, porque ele era aquele pai amoroso e trabalhador.

Alguma decepção?

Durante meu mandato fomos até Brasília defender um projeto porque eu brigava para que o IPI e o ICMS das máquinas pesadas de todas as prefeituras do Brasil fossem liberados. Com isso as prefeituras não precisariam comprar sucatas por não ter recurso, já que se liberasse os impostos compraria coisa nova. Eu cheguei a apresentar em Brasília, mas não teve sucesso e isso foi uma decepção. Depois que terminei minha história como vereador me afastei totalmente da política. Não quero mais e não desejo que ninguém da minha família entre nesse meio. Infelizmente o povo critica demais o político, todo o cidadão teria que ajudar e pelo contrário, o cara atrapalha.

Qual o sentimento por Mirandópolis?

Muita gente não valoriza Mirandópolis, mas eu tenho que valorizar porque a cidade pode ser pequena, mas ela ainda apresenta determinado conforto para toda a sociedade. É uma cidade que tem hospital que é referência e as cidades vizinhas não tem, Araçatuba não tem e Mirandópolis tem. Aqui eu digo que é a capital do funcionário público, olha o que tem de penitenciária, hospital e professores. Em Mirandópolis os imóveis são valorizados, o terreno é caro e a casa é cara porque é uma cidade que tem valor, tem boas escolas e um povo maravilhoso.