‘Precisamos valorizar o que já enfrentamos, sempre se apegando as coisas boas’, define Luiz Santana

‘Precisamos valorizar o que já enfrentamos, sempre se apegando as coisas boas’, define Luiz Santana

Conversamos com Luiz Pires de Santana, que nasceu em Guaraçaí em 1946, cresceu na roça com outros nove irmãos, até ser admitido como vigilante do Bradesco, em 1970. Conseguiu evoluir profissionalmente dentro do banco, passando por diversas cidades, até parar de trabalhar como bancário depois de 27 anos. Uma nova oportunidade surgiu no ramo de materiais de construção, com isso chegou em Mirandópolis em 1998, onde está até hoje com seu comércio. Confira abaixo a entrevista completa.

Como foi sua infância e juventude?

Meus pais moravam em uma fazenda em Guaraçaí, mas posso dizer que fui criado na roça mesmo. Crescemos em 10 irmãos e eu sou o mais velho, não tinha escapatória porque desde cedo já ajudávamos. Nessa época estudei até a quarta série, justamente porque acabamos priorizando o trabalho, principalmente por eu ser o irmão mais velho.

Quando saí da fazenda para a cidade?

Fui trabalhar na cidade em 1970, pois tive a possibilidade de trabalhar no banco como vigilante. Lembro que meu pai disse: jamais vou fala para um filho meu sair de casa, mas você vê e se der certo no trabalho você fica, se não der você volta que as portas de casa estão abertas”. Fiquei no banco como vigilante, passou cerca de dois anos, daí foi chegando as oportunidades. Porque naquela época eu ficava lá cumprindo o horário e depois ficava aprendendo com os outros trabalhando internamente. Tive a oportunidade de fazer um processo seletivo, passei e continuei em outra área, assim fui caminhando devagar. Fiquei em Guaraçaí até 1981 e nesse meio tempo eu me casei e vieram as três filhas. Naquela época eu já havia passado por vários cargos do banco porque o Bradesco é um lugar que dá oportunidade.

Depois você mudou?

Aí me chamaram para trabalhar em Minas Gerais, nisso já estava casado e já tinha as minhas três filhas, mas eu fui aproveitar a oportunidade. Fui para Iguatama, é uma cidade pequena. Ficamos até 1985, por cerca de quatro anos. Ali surgiu uma oportunidade de ser gerente, mas recusei porque era pra ir muito longe e eu preferia voltar para mais perto de Guaraçaí, nem que fosse com o mesmo cargo ai eu conversei e me ofereceram a sub gerência em Pindamonhangaba. Aí já era uma cidade maior e você tem que se adaptar, porque cada lugar que a gente passa é uma adaptação, cheguei em janeiro de 1985, com aquela mudança toda no país e na economia. Aí fiquei por lá como sub-gerente por seis anos. Depois apareceu uma oportunidade para gerente em Queluz, uma cidade pequena, a última do estado de São Paulo. E esse foi mais um desafio, cada uma um novo desafio na vida da gente, novamente uma cidade pequena, as crianças crescendo e começando a estudar. Ficamos em Queluz por uns três anos, depois fui trabalhar em Cachoeira Paulista, no começo de 1994 e lá fui ficando até acabar a minha carreira de bancário. Eu sai do banco em 1996, chegou a hora que não deu mais e entramos em um acordo, eu já estava com 27 anos de banco então foi pesando.

Chegou a estudar nesse meio tempo?

Sim, fiz supletivo e depois estudei técnico de contabilidade, até iniciei faculdade de Administração, isso enquanto eu trabalhava no banco, só que eu não cheguei a concluir porque precisei para faltando um ano. Naquele tempo não existia nada online e a cidade que mudei não tinha faculdade na época.

O que fez depois que saiu do banco?

A minha filha mais velha estava fazendo faculdade e as outras duas mais novas estavam terminando o colegial. Eu sai em outubro de 1996 do banco, depois fui trabalhar com venda de carro em uma cidadezinha com um amigo meu, mas não gostei, não achei que era para mim. Aí me ofereceram uma loja de materiais de construções, foi quando comprei essa lojinha e fui sem saber nada, começar tudo de novo em outro ramo, isso em 1997. Comecei com a loja pequena e fui aprendendo. Mas eu tive suporte também da minha esposa (Ricarda), porque sempre foi uma luta. Aí nós morávamos em Cachoeira Paulista, eu trabalhava na loja em Piquete e a gente ficava questionando onde seria melhor a gente morar. A minha filha mais velha começou a trabalhar na Canção Nova, mas ainda estudava em Lorena. Até que chegou uma hora que eu comecei a pensar, minha família estava toda em Guaraçaí e dois irmãos em Mirandópolis, até que e eu falei para ela, “vamos embora para Mirandópolis?”. Eu sempre acreditei que Deus guiava meu caminho e ela me questionou porque não Guaraçaí, mas eu sabia que em Mirandópolis teria mais oportunidades naquela época. Foi quando liguei pro meu cunhado e ele também me apoiou na ideia. Aí foi só esperar a minha filha acabar o ano e fui para Mirandópolis em 1998.

Depois de 24 anos vai passar a loja pra filha e genro?

A vida é olhar para traz e valorizar tudo o que passou e o que já enfrentamos, sempre valorizando as coisas boas. Criamos três filhos, foi uma grande trajetória a gente sair assim da roça e dar educação e estudo para os filhos. E agora estou passando a loja, porque chega um ponto que a gente vai cansando, mas como eu falo, Deus sempre mostra o caminho e eu acredito nisso. Agora quem vai tocar será a minha filha e o meu genro, o Melo. E claro, eu posso estar lá também para poder ajudar e ser útil (risos), porque apesar da idade a gente tem a experiência e ainda pode ser útil.