Da Paraíba para Mirandópolis, a vida do empresário José Wilson Coura: ‘Tem que ter vontade e coragem para empreender’

Da Paraíba para Mirandópolis, a vida do empresário José Wilson Coura: ‘Tem que ter vontade e coragem para empreender’

Da pequena cidade de Monte Horebe, no extremo oeste do estado da Paraíba, até a vinda a Mirandópolis, no interior de São Paulo. São mais de 2,6 mil quilômetros de distância que separam a vida de José Wilson Rodrigues Coura, o Paraíba, de como era e como está. Aos 51 anos de idade, o empresário e ex-vereador, conta como ocorreram os primeiros passos em sua vida empresarial, que iniciou vendendo sucos na porta de penitenciária e hoje possui cinco sorveterias nas cidades de Mirandópolis (2), Lavínia, Pacaembu e Santo Anastácio. Ao lado de sua esposa, Josefa Ildalange Dias de Souza, 47, — que ele fez questão de sua presença na entrevista — Paraíba avalia também seu trabalho enquanto parlamentar e sua visão do atual cenário político mirandopolense.

Como foi sua infância até você chegar em Mirandópolis?

Eu sou paraibano. Morava em Monte Horebe. Vim para São Paulo com 12 anos de idade. Morei na favela do Sinhá, na Vila Sapopemba. Morávamos em 11 irmãos, além de meu pai e minha mãe, em apenas dois cômodos. Só entrávamos para dentro de casa para dormir. Na maior parte do tempo ficávamos para fora, pois não cabia todo mundo. Apenas meu pai trabalhava de pedreiro para sustentar os filhos. Eu tinha uma tia que morava aqui em Mirandópolis, tia Amélia. Ela conseguiu um local para podermos ficar, na fazenda do finado Dr. Osvaldo. Ela havia feito amizade com a finada dona Bastiana, que era esposa dele, isso na década de 80. Daí viemos para cá. Três irmãos ficaram na capital. Comecei a trabalhar aos 10 anos de idade e estudava na própria fazenda, com a professora Edmar. E na fazenda a gente cortava cana, catava cebola e quebrava milho. Foi a época em que se projetava a usina Alcomira. Tudo era estrada de terra. Daí surgiu a oportunidade de morar na cidade, também através da minha tia, e passei a morar de aluguel em uma casa de madeira, na região em que hoje é o supermercado Sakashita. Continuávamos trabalhando na fazenda e morando na cidade. Na década de 80 apareceu a oportunidade de comprar uma casa, na rua Mirage. Passamos a morar ali e continuava a trabalhar na roça. Conforme o tempo passava, meus irmãos foram saindo de casa. Foi nessa época que conheci minha esposa. Aos 17 anos comprei meu terreno e construí minha primeira casa. Minha esposa e eu passamos a morar juntos desde então.

Quando surgiu a vontade de empreender?

Nós começamos a trabalhar com decorações. Instalávamos cortinas nas casas. Em uma dessas visitas, minha mulher experimentou um sorvete de uma senhora chamada dona Ana. Era um picolé de chocolate branco com recheio de chocolate preto. Ela gostou muito. Nessa época, eu trabalhava na prefeitura e vendia suco, água de coco, refrigerante e água nas imediações da penitenciária de Lavínia aos finais de semana. Daí tivemos a ideia de vender esse sorvete. A gente guardava na geladeira. Compramos um freezer e minha mulher começou a sentir vontade de fabricar esse sorvete até porque nós tínhamos matéria prima aqui mesmo na região, com diversas opções de frutas. Ela fez pesquisas e iniciou um curso em Araçatuba. Começamos a fabricar no fundo de casa mesmo. Depois compramos nossa primeira máquina de sorvete e colocamos em uma garagem. E foi aí então que começamos a fabricar nossos primeiros sorvetes.

Como foi esse início da sorveteria?

A gente começou da estaca zero. Nem conta em banco tínhamos. Quando esse terreno, onde atualmente está a sorveteria Bom Demais, foi colocado à venda, daí a gente começou a sonhar. Projetamos nosso empreendimento aqui e demos início a esse sonho. Abrimos conta em um banco e fizemos financiamento. Isso há 15 anos. Comecei na época com R$ 20 mil. Pegava mão de obra dos sentenciados, que era mais barata, e eu mesmo ajudava a construir. E eu ainda continuava vendendo meus produtos na porta da penitenciária. Hoje nosso carro-chefe é o açaí, que começou a ser efetivado há cinco anos. Até então era apenas sorvete. Fomos testando várias receitas até chegar na receita atual. Tivemos muitas perdas até chegar no ponto certo. Hoje, somos microempresários, temos cinco sorveterias e 12 funcionários. Somos muito gratos a toda população que nos acolhe muito bem.

Quando nasceu a vontade de entrar na política?

Sempre gostei de política, desde os meus 15 anos de idade. A política você tem que gostar. Gostava desde à época da família Maluly. Naquele tempo eu já pensava em subir em um palanque. Ganhar a eleição é consequência do seu trabalho. A política é um jogo.  Se você quiser entrar somente com intuito de ganhar, você fica fora desse jogo. E na política você tem que ser fiel, caso contrário irá pagar um preço lá na frente. Sempre ficará de escanteio. Uma prova disso é que estou até hoje no mesmo partido (PP). E não vou mudar. Eu não concordo com o cara que fica trocando de partido. Isso mostra que ele pensa apenas nele e não no bem de sua cidade, do Estado, do Brasil. Não é o partido que vai fazer algo, é a pessoa. Meu sonho era esse. E consegui ser vereador, entre 2013 e 2016, após ter sido primeiro suplente e assumi a cadeira. Fui um dos vereadores que mais trabalhei pela cidade. Conquistei quase R$ 700 mil de emendas parlamentares que busquei juntamente à administração do Chicão Momesso.

Como você avalia a política atual de Mirandópolis?

A política, hoje, está muito desgastada. O que eu vejo em Mirandópolis é muita conversa e muita briga. Quem perde é a população. Eu defendo também o político porque ele precisa de um tempo para trabalhar. As emendas demoram para cair. Mas estou vendo muitas brigas internamente. Na minha época, claro, também tinha discussão. Mas tem que ser uma discussão que fica de forma interna, que pense na população. Hoje, tudo está nas redes sociais. Qualquer coisinha. De modo geral isso é muito ruim.

Almeja retornar ao cenário político?

Hoje, não seria candidato. Mas não posso dizer que nunca mais voltaria para a política. Amanhã, posso estar pedindo o seu voto. Eu entrego tudo nas mãos de Deus.