‘Encerrei minhas atividades na política, pois não sei prometer aquilo que não posso fazer’, explica David Boaventura

‘Encerrei minhas atividades na política, pois não sei prometer aquilo que não posso fazer’, explica David Boaventura

Conversamos com David Boaventura da Silva, nascido em Andradina, no dia 31 de maio de 1950. Cresceu ajudando seu pai no sítio tirando leite, depois trabalhou como escriturário em banco. Iniciou com o pesqueiro por volta de 1995, também atuou como chefe de gabinete por oito anos e foi candidato a prefeito. Confira a entrevista completa.

Como foi sua infância?

Nasci em Andradina, mas fui criado em Castilho, onde cresci com meus pais e irmãos. A gente vem de uma família de dez filhos e eu já perdi uma irmã. O meu pai conseguiu dar diploma universitário para todos os filhos trabalhando na propriedade que a gente possui até hoje em Castilho. Trabalhávamos com leite, muito árduo, mas chegamos a produzir 1.900 litros de leite por dia, hoje tem uma produção média de 800 litros por dia.

Começou a trabalhar cedo?

Eu sou o mais velho dos irmãos, então sempre sobra pro mais velho (risos). Com seis anos eu já tinha que estar rebanhando o gado e tocando os bezerros para tirar leite logo de manhã, isso 5h30. Com o passar dos anos a gente ia liderando o trabalho, a ordenha de vaca, tratar dos porcos, enfim, o serviço cotidiano que todo sítio tem. Trabalhava de dia e estudávamos a noite. A vida era desse jeito, não tinha moleza não.

Quando saiu de casa?

Fiquei com a minha família até os 21 anos, aí eu comecei a minha atividade comercial. Já venho sofrendo com o comércio há 50 anos (risos). Quando eu saí de lá a gente tinha um serviço de alto-falante, então já trabalhava com locução em Castilho, onde trabalhei por uns 12 anos, foi quando entrei na Caixa Econômica, em 1975, como escriturário. Iniciei em Castilho, depois fui para Andradina e na sequência cheguei em Mirandópolis, por volta de 1982.

Tem quantos filhos?

Eu me casei em 1973, tive três filhos com a primeira mulher. Com esse segundo casamento eu tive um filho, que trabalha comigo no pesqueiro e no ano que vem se forma em engenharia elétrica.

Quando iniciou o pesqueiro?

No plano Collor, a Caixa Econômica mandou 800 funcionários de carreira embora, e eu estava no meio. Quando saí do banco o Zanon era candidato à prefeito, então trabalhei na campanha e depois acabei sendo chefe de gabinete por quatro anos. Após isso eu montei o pesqueiro e fui labutando. Nós tivemos uma fase difícil em que o pesqueiro não deu certo, mas a gente também não desfez, estamos trabalhando desde 1995, no primeiro mandato do Jorginho, assim que terminou o do Zanon eu já iniciei o pesqueiro e assim ficamos. Depois o Chicão foi candidato a prefeito e me convidou para ser chefe de gabinete, fiquei mais quatro anos. Também fui presidente da Associação Comercial, entre outras várias atividades que a gente fez parte.

E a comunicação na sua vida?

Para você ter ideia, eu trabalhei em todas as emissoras que passaram por Mirandópolis, teve a Jacaranda FM, depois fui para a Rádio Clube e trabalhei no Sistema Regional. Quando a diretoria da 87.9 FM montou a rádio eles me convidaram, aceitei na hora. Tenho a locução no sangue, sempre foi uma paixão, não é porque ganha dinheiro não, é porque a gente gosta, é uma paixão que a gente tem.

E a política?

Fui vereador constituinte em Castilho, então eu já atuava na política desde novo, tanto é que tenho um irmão que é prefeito em Castilho. O meu pai nunca gostou, mas nós sempre estivemos no meio político. Sempre almejei fazer alguma coisa com o conhecimento que a gente tinha em benefício do município, mas na política é difícil porque as vezes a gente pensa uma coisa e dá outra. Eu aprendi que a política é uma atividade que depende muito de promessas e de bom papo, e a gente não sabe prometer aquilo que a gente não pode fazer.

Chance de ser candidato em 2024?

Já encerrei minhas atividades na política, estou com 72 anos então chega, melhor deixar para a juventude que queira trabalhar. Evidentemente a gente vai estar sempre como experiência do lado, mas diretamente eu não pretendo mais sair candidato.

Quer deixar uma mensagem?

Quero agradecer a população de Mirandópolis, principalmente agora que a gente está comemorando mais um aniversário da cidade. E aproveito para agradecer de coração o pessoal que sempre nos prestigia e nos dá força, que está sempre presente, porque muitas vezes só torcer não paga conta, tem que participar também, então eu agradeço quem sempre está presente no pesqueiro.