‘Tive uma infância simples, aos 11 anos comecei a trabalhar em um salão de beleza e nunca mais parei’, lembra Virinha Hara

‘Tive uma infância simples, aos 11 anos comecei a trabalhar em um salão de beleza e nunca mais parei’, lembra Virinha Hara

Foto: Allan Mendonça

Quem conhece Virinha Hara, de 56 anos, talvez não imagine que, quando era pequena, adorava brincar com seus irmãos na rua, usando carrinhos de rolimã e soltando pipas. Filha de Álvaro e Aparecida, ela teve uma infância simples ao lado dos irmãos Antônio, Sueli e Álvaro, lembrando-se de acompanhar o pai na entrega de leite em fazendas e fábricas da região. Aos 11 anos, ao ficar sabendo de uma oportunidade no Salão da Vilma Cabelereira, Virinha não hesitou e foi atrás do seu primeiro emprego. Hoje, proprietária do seu próprio salão, sente-se realizada ao lado da família e amigos. Casada há 36 anos com Edwander, ela agradece ao marido e às filhas, Camila e Natália, pelo apoio incondicional. Confira na sequência a entrevista da semana com Elvira Juste de Freitas Hara de Carvalho, mais conhecida como Virinha.

Onde nasceu e cresceu?

Nasci aqui mesmo em Mirandópolis e cresci na rua Rui Barbosa, onde meu pai, Álvaro, possuía uma transportadora de caminhões e posteriormente começou a trabalhar com transporte de leite. Desde pequena, acompanhava meu pai nas entregas de leite nas fazendas e fábricas da região. Ele era conhecido como o ‘Sr. Álvaro leiteiro’. Lembro-me de acordar cedo para ir com ele, ficando em pé no banco do caminhão para auxiliar nas entregas. Minha mãe era uma pessoa calma, o que contribuiu para que eu tivesse uma infância simples e feliz. Sendo a filha mais nova, fui muito mimada pelos meus irmãos Antônio, Sueli e Álvaro. Passávamos horas brincando na rua com carrinhos de rolimã, pipas, bicicletas e outras brincadeiras da época. Apesar de parecer travessa, guardo com carinho essas lembranças de uma infância cheia de liberdade e alegria. Embora meus irmãos fossem mais velhos e já estivessem trabalhando quando nasci, não tive uma infância fácil, mas nunca passei por privações. Um dos meus irmãos ainda hoje trabalha com caminhões, e embora a casa não exista mais, a empresa continua firme, agora como AJF Transportes.

Qual foi seu primeiro emprego?

Desde sempre, fui uma pessoa muito curiosa, com habilidades manuais e interesse em trabalhos artísticos. Além de brincar soltando pipas (risos), eu adorava fazer penteados nas meninas da rua quando brincávamos de salão. Pegava o secador e esmaltes da minha irmã e me divertia fingindo ser uma cabeleireira. Aos 11 anos descobri que o salão da Vilma estava precisando de uma funcionária. Decidi ir até lá, com o incentivo da minha mãe, e pedi um emprego. A Vilma me contratou! Enquanto estudava pela manhã, trabalhava à tarde no salão. Mais tarde, decidi abandonar os estudos cedo para me dedicar integralmente à carreira no salão. Concluí minha formação na Escola 14 de Agosto durante a noite e passei cerca de seis anos aprendendo e crescendo profissionalmente com a Vilma. Durante esse tempo, desempenhei diversas funções no salão, desde varrer o chão até auxiliar em outras tarefas. Ao acompanhar a Vilma e participar de cursos, fui aprimorando minhas habilidades com cabelos e desenvolvendo técnicas. Aprendi muito com ela e sou imensamente grata a Vilma (In Memoriam).

Quando decidiu empreender?

Por conta de alguns contratempos na época, saí do salão da Vilma quando tinha entre 17 e 18 anos, sem saber bem que rumo tomar. Foi aí que dei um grande passo e comecei a atender as clientes em um quarto na casa da minha mãe. Num primeiro momento, ficava um pouco perdida, pois não tinha a intenção de montar um salão, mas acabei seguindo os conselhos do meu pai. Inesperadamente, as mulheres começaram a procurar por mim para cuidar de seus cabelos. Mesmo sem ter secador, cadeira, escova, tintura ou qualquer equipamento típico de um salão, as clientes me procuravam; algumas lavavam os cabelos em casa antes, outras até mesmo no tanque da minha residência (risos). Foi uma época desafiadora, onde precisava improvisar e contar com a colaboração das clientes, que traziam os materiais necessários para que eu pudesse atendê-las. À medida que minha clientela crescia, meus pais e irmãos perceberam a seriedade da situação. Meu pai me presenteou com um lavatório, um irmão com um secador, outro com um espelho e minha irmã me cedeu um antigo frisador, que na época era popular para criar um estilo de franja desejado. Assim, comecei a construir meu negócio com os recursos que minha família me proporcionou. As cadeiras eram simplesmente as de cozinha que encostávamos na parede, e qualquer tintura necessária era trazida pelas clientes, já que eu ainda não possuía os materiais adequados. Permaneci na casa da minha mãe por cerca de três anos, e durante esse período conheci o Edwander, com quem iniciei um relacionamento que culminou em nosso casamento aos 19 anos. Juntos, nos mudamos e comecei a atender os clientes em um espaço improvisado nos fundos da nossa nova casa, sempre com o apoio e incentivo dele.

Virinha atende na rua Senador Rodolfo Miranda, nº 1021. Foto: Allan Mendonça

Com 45 anos de profissão, qual o sentimento?

Se você não se atualizar nesse mercado da beleza, é engolido e fica para trás. Estou trabalhando aqui nesse local há 24 anos, era uma casa e como eu morava do lado brincava com a dona para vender o terreno, pois já tinha esse sonho de tirar o salão do fundo de casa. Após muita insistência nós conseguimos comprar e foi quando nos construímos, derrubamos a casa e fizemos o salão. Nesses 45 anos aprendi que precisamos ser verdadeiros. Tenho muito respeito pelas pessoas, agradeço conviver com tanta gente, e de todo dia aprender alguma coisa. Busco fazer aquilo que é realmente necessário para que a cliente saia satisfeita e volte sabendo que vou entregar o que precisa. Consigo transmitir essa confiança, pois aprendi com meu pai ser muito honesta e correta, sou muito coração e tenho um carinho muito especial por cada uma que senta na minha cadeira.

O que Mirandópolis representa na sua vida?

É a cidade onde nasci e cresci, onde construí toda a minha vida. Aqui, trabalhei, conquistei, e minhas filhas cresceram. Inicialmente, pensei que nenhuma delas permaneceria, mas para minha surpresa, cada uma está trilhando seu próprio caminho. A Camila com a clínica veterinária Hara’s Pet e a Natália com a clínica de psicologia Hara’s Psicologia. Tenho um grande carinho por este lugar e acredito que não trocaria por nenhum outro, pois aqui estão nossas amizades, família e minha profissão. Nosso município oferece muito e acredito que não precisamos buscar tanto fora, pois temos excelentes profissionais aqui, em uma cidade com valores sólidos. Sou grata a Deus e ao meu marido, que sempre me apoiou em todas as horas, mesmo quando precisei trabalhar até tarde da noite. Ele segurou as pontas cuidando das meninas, sendo um pai muito presente e fundamental para mim. Agradeço também à minha família, a todas as clientes que passaram pelo meu salão, meus irmãos que estiveram ao meu lado desde o início, contribuindo significativamente para minha jornada. O apoio deles foi essencial e impulsionador. Angélica Takaki, Fernanda Souza e Ana Carolina merecem meu agradecimento especial, por trabalharem comigo e me auxiliarem nessa jornada. Sou grata à população de Mirandópolis, aos que conhecem meu trabalho e da minha família, e àqueles que ainda não nos conhecem, convido a visitar nosso salão (rua Senador Rodolfo Miranda, nº 1021). Cada um é bem-vindo, pois cada um tem seu valor. Obrigada a todos.


                       
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