‘São mais de 80 anos na Terceira Aliança, um local que sempre amei viver e criar meus filhos’, recorda Ana Batista Ribeiro

‘São mais de 80 anos na Terceira Aliança, um local que sempre amei viver e criar meus filhos’, recorda Ana Batista Ribeiro

Foto: Eduardo Mustafa

Hoje temos o privilégio de conversar com Ana Batista Ribeiro, uma senhora de 92 anos que compartilha conosco suas memórias e histórias de vida. Natural de Angical, no interior da Bahia, Ana vive na Terceira Aliança desde os 13 anos. Nesta entrevista, que contou com a participação do seu filho, Antônio Ribeiro, ela nos conta sobre suas origens, a longa viagem de mudança, seu trabalho na roça desde jovem, a formação de sua família e a luta após a perda precoce de seu marido e de uma filha. O relato é enriquecido por momentos que seu filho Antônio também compartilha, trazendo uma perspectiva ainda mais rica e detalhada sobre a vida de sua mãe. Confira na sequência a entrevista completa.

Onde a senhora nasceu e cresceu?

Ana: Nasci em Angical, no interior da Bahia, no ano de 1931. É uma cidade distante de Salvador, mais de 800 quilômetros, e está mais próxima da divisa com Tocantins. Angical é conhecida como cidade Mãe do Oeste e a cidade da Música, devido ao número de pessoas que tocam algum tipo de instrumento.

Quando a senhora veio para a Terceira Aliança?

Ana: Vim da Bahia com 13 anos, junto com meus pais e 12 irmãos. Viemos direto da Bahia para a Terceira Aliança, pois aqui já tinha outras pessoas da Bahia, inclusive da própria cidade de Angical.

Como foi a viagem até a Terceira Aliança?

Ana: A viagem foi muito longa. Viemos uma parte de barco pelo Rio São Francisco e depois de trem. Naquele tempo, era aquela automotiva a vapor.

A senhora começou a trabalhar cedo?

Ana: Sim, aqui viemos para trabalhar na roça. Lembro de ajudar meus pais desde pequena na colheita de algodão e café. Foi um tempo sofrido, mas de muito trabalho e perseverança em tempos melhores.

Quantos filhos a senhora teve?

Antônio (filho): A história do casamento dos meus pais é engraçada e controversa. Digo isso porque eu já voltei várias vezes a Angical e perguntei se minha mãe já conhecia meu pai, Joaquim (In Memoriam), antes de vir para a Aliança, e o pessoal falava que sim, mas ela insiste em dizer que não (risos). Pelo que pesquisei, meu pai fugiu de Angical e veio para a Terceira Aliança em busca de encontrar minha mãe. Aqui eles casaram e tiveram sete filhos, sendo que uma filha faleceu. E tenho um dos filhos que o pessoal de Mirandópolis conhece bem, que é o Nivaldo Ribeiro, motorista da ambulância e ex-vereador.

Como foi a vida após a perda do seu pai?

Antônio: Perdemos meu pai cedo, ele tinha apenas 48 anos. Com isso, minha mãe criou os filhos com muita luta. Apesar de sermos simples, ela nunca deixou faltar nada.

A senhora nunca pensou em voltar para a Bahia?

Ana: Posso dizer que cheguei na Terceira Aliança em 1944 e nunca mais pisei fora daqui, pois nunca gostei de viajar. Nunca tive vontade de voltar para minha terra natal, pois considero a Terceira Aliança minha terra natal de certa forma.


                       
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