Engenheiro Gilberto Moriyama conta como saiu de Lavínia para construir uma carreira corporativa no setor automotivo e acadêmico 

Engenheiro Gilberto Moriyama conta como saiu de Lavínia para construir uma carreira corporativa no setor automotivo e acadêmico 

Foto: Divulgação

Filho do feirante Luis Moriyama e da dona de casa, Maria Moriyama, Gilberto Kaname Moriyama, 47 anos, nasceu e cresceu em Lavínia. Desde pequeno, se destacou pela disciplina nos estudos, pela busca do conhecimento e pela curiosidade em entender como as coisas funcionavam. A paixão pelo setor automotivo e o gosto pelos negócios o levou sonhar alto. E ele foi longe: formou-se em Engenharia de Produção pela USP de São Carlos, passou por multinacionais americana, alemã, francesa e norueguesa, conheceu 18 países, liderou projetos internacionais e, atualmente, é gerente sênior de uma empresa global de alumínio e energia, responsável pelo segmento automotivo. Mesmo com uma agenda corporativa intensa, Gilberto também encontrou espaço para se tornar professor de MBA, unindo o mundo acadêmico à prática executiva. Em entrevista ao jornal Agora, ele fala sobre suas raízes, os desafios da juventude, as escolhas que mudaram sua trajetória e a importância de não se limitar. 

Você nasceu e cresceu em Lavínia?

Nasci no hospital de Mirandópolis, mas minha família sempre foi de Lavínia. Tive uma infância tranquila, simples, mas muito feliz. Meus pais sempre valorizaram a educação. Minha mãe era dona de casa, meu pai feirante, e eu cresci vendo o esforço deles. Isso me ensinou desde cedo a valorizar o estudo e o trabalho. Estudei na escola Padre Cesare Toppino até a 8ª série naquela época. Depois fui para Mirandópolis cursar o ensino médio. Estudei o primeiro e segundo ano do ensino médio na escola Dª Noêmia Dias Perotti e o terceiro ano fiz na escola 14 de Agosto – Objetivo. 

Como você escolheu a engenharia?

Eu sempre gostei muito de estudar, gostava muito de carros e caminhões, mas também tinha interesse por negócios. Quando eu estava no ensino médio comecei a pesquisar possibilidades de cursos e universidades que eu poderia cursar. No segundo ano do ensino médio, prestei vestibular na Unesp como treineiro e fui aprovado para Engenharia Cartográfica. No terceiro ano, prestei Engenharia Mecânica e passei de novo. Comecei o curso, mas meu sonho era estudar na USP. Então tomei a decisão de sair da Unesp e tentar de novo.

Como foi tomar essa decisão?

Difícil. Aproveitei um feriado que eu tinha voltado para casa para conversar com meus pais e dizer que queria sair da faculdade. Eles ficaram preocupados, mas entenderam meu propósito e me apoiaram. Voltei à escola 14 de Agosto e pedi para assistir às aulas como ouvinte. Não havia cursinho por perto e não tinha condições para ir fazer cursinho fora, então essa foi a alternativa. Me esforcei muito e no fim do ano, fui aprovado na USP em Engenharia de Produção.

Foto: Redes Sociais

Você sentiu que essa decisão valeu a pena?

Demais. Ali eu percebi que não existe limite. O limite quem impõe são as próprias pessoas. A partir do momento que eu vislumbrei que eu gostaria de estudar na USP e que eu teria essa condição, eu me dediquei ao extremo para isso e consegui, então tudo começou a ter uma conotação diferente na minha vida. Os obstáculos que passaram a surgir eu comecei a ter a mesma tratativa, ou seja, encara-los de modo que eu pudesse vence-los.

Como surgiu a primeira oportunidade no mercado de trabalho?

Desde a faculdade procurei aproveitar todas as oportunidades. Fiz iniciação científica, participei da empresa júnior e cursos de idiomas (inglês e espanhol na época). Aprendi muito, fiz amigos e já comecei a construir ali uma visão mais clara do mercado de trabalho. Antes de me formar fui contratado como estagiário pela Tecumesh, uma multinacional americana que fazia compressores para sistema de refrigeração. Depois fui efetivado para atender o mercado da América do Norte. Eu nunca tinha saído do país, meu inglês era bem básico, mas mesmo assim confiaram em mim. Fui crescendo dentro da empresa, virei engenheiro de aplicação e comecei a viajar de 3 a 4 vezes por ano para fora do Brasil.

Você construiu uma carreira internacional consolidada. Como isso aconteceu?

Foi uma combinação de esforço, oportunidades e vontade de aprender. Depois da Tecumesh, fui para a multinacional alemã TMD Friction em Indaiatuba. Em seguida, entrei para a Valeo Powertrain, uma empresa francesa do setor automotivo. Lá fiquei quase 10 anos, com muito contato com montadoras e projetos internacionais. Foi um período de muito aprendizado técnico e estratégico.

E o seu trabalho atual?

Desde 2017, trabalho em uma multinacional norueguesa (Norsk Hydro) com 140 plantas espalhadas por mais de 40 países do mundo, que atua na cadeia do alumínio e energia. Sou responsável de vendas pelo segmento automotivo na América do Sul em componentes de alumínio extrudados para aplicações em trocadores de calor, sistemas de freios, estruturais entre vários outros, inclusive para veículos híbridos e elétricos. 

Em meio a esse crescimento profissional você também passou a lecionar. Como se tornou professor?

Sempre gostei muito de estudar, aprender coisas novas e aprimorar o que já conhecia um pouco. Assim, durante esse período de desenvolvimento profissional e depois de formado, fiz diversas especializações mais direcionadas ao negócio, estratégia, negociação e tomada de decisão. Além disso, tive o interesse e oportunidade de me desenvolver de maneira um pouco mais profunda no mundo acadêmico, cursando o mestrado profissional na FIA Business School, voltado para negociação e tomada de decisões. Após o mestrado, recebi o convite para dar aula e hoje sou professor dos programas de MBA Executivo Internacional e do International MBA (curso em inglês) da FIA Business School, além de ser professor de MBA da Unimax. Me considero uma pessoa privilegiada, pois tenho a oportunidade de simultaneamente levar os conceitos acadêmicos para o mundo corporativo e ao mesmo tempo utilizar os casos práticos do corporativo para a academia, sempre conectando teoria com a prática. 

Foto: Redes Sociais

E fora do trabalho, o que gosta de fazer?

Em geral dedico meu tempo livre com a família e gosto de praticar atividades físicas como pedalar e correr. Já participei de várias meias maratonas e completei três maratonas. Além disso, gosto muito de ler e sempre poder aprender algo novo. Também gosto muito de viajar e conhecer novos lugares, culturas, pessoas e gastronomias diferentes. 

O que você considera essencial para alcançar o sucesso e como aconselharia quem está começando agora?

Ter propósito, disciplina e saber que os limites somos nós que colocamos. No final do dia você é responsável pela sua vida independente de quantos anos você tenha. E quanto mais cedo você aprender isso, mais cedo você pode ter resultados. As oportunidades sempre aparecem. Para alguns é um pouco mais fácil, para outros um pouco mais difícil, mas precisamos estar preparados. Cabe a cada um de nós decidirmos para onde queremos caminhar. Se queremos nos dedicar a um estudo, uma carreira ou se queremos perder tempo com outras coisas. E no final a gente vai ter aquilo que plantou. Acredito que jovens de Lavínia, Mirandópolis e cidades do interior são capazes de fazer ótimas faculdade e conseguir ótimos trabalhos. A prova disso é que vários já conseguiram.

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