Amor ao que se faz
Viktor Frankl desenvolveu a Logoterapia. Foto: Filosofia Empreendedora
Dias atrás, numa loja de roupinhas de bebês, ouvi da vendedora: “Eu amo o que eu faço”. Achei bonito aquilo… Ela disse trabalhar lá há muitos anos, e o que poderia ter se tornado um fardo pareceu ser fonte de realização. E não é uma pessoa alheia à realidade, pois no pouco que conversamos, parece ser muito atenta ao que acontece. Já ouvi essa frase outras vezes, mas em meio ao caos em que estamos, após a loucura do coronavírus e com a perda de tanta gente ultimamente, foi muito bom ouvi-la de novo!
Esse sentimento com relação àquilo que se faz, é claro, varia de acordo com diversos fatores, como o temperamento da pessoa, sua história de vida e os eventos mais marcantes, as virtudes adquiridas e desenvolvidas e os vícios superados, suas vitórias e conquistas… De qualquer forma, sentir-se realizado, especialmente se a vida estiver imersa em aflições, é uma grande graça!
Eu sempre achei muito interessantes papelarias e lojas de ferramentas e de utilidades, mesmo aquelas pequenas e apertadas, com mil produtos no pouco espaço… Lojas de confecções nunca me interessaram muito, menos ainda para bebês. Mas naquela tive a impressão de que deve ser uma alegria conseguir dar às crianças artigos para seu conforto e proteção, especialmente aos pais e avós… Não sei, mas suspeito que o significado que aquela vendedora experimenta venha daí, de saber que aquelas roupinhas e acessórios vão ser úteis a quem mais precisa de cuidados…
E na vida, significado é coisa fundamental. Quem diz isto como poucos é Viktor Frankl (1905-1997), que desenvolveu a Logoterapia, uma terapia alicerçada na razão profunda (sentido) para a vida. Sua história é absolutamente inspiradora – ele sobreviveu ao holocausto na Segunda Guerra – e vale muito a pena ler algum de seus livros – “Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração” e “Sobre o sentido da vida” talvez sejam um excelente começo.
Para uns esses sentidos está no trabalho, para outros na família, para outros nos estudos ou no serviço a Deus ou ao próximo, e por aí vai… E a perfeição disto é quando a pessoa descobre o fim último do ser humano, comum a todos – conhecer, amar e servir a Deus –, e a partir daí realizar aquilo que é específico para si. Seja como for, é belo ver uma pessoa realizada naquilo que faz, ou que esteja em busca disso!…
Que Nosso Senhor conceda a todos nós a graça de fazer, com amor, aquilo que Ele deseja que façamos!

