Buscando o amor
Foto: Internet
Na semana passada falamos um pouquinho da importância de nos sentirmos realizados naquilo que fazemos (veja aqui o artigo). No entanto, acredito que infelizmente isso seja para a minoria das pessoas, pois as circunstâncias de vida, o meio em que se vive, a negligência, ou qualquer outro motivo, atrapalham o discernimento das coisas. Acho que muita gente, ainda que realize a atividade mais adequada para sua vida, não enxerga o sentido profundo daquilo.
O prazer ou a satisfação por algo não é necessariamente seu sentido mais profundo – muitos pecados geram prazer e satisfação. Por outro lado, esse sentido profundo não precisa vir carregado de dor. É como um médico que mesmo se sentindo realizado, ainda está por demais apegado ao seu bom desempenho, aos rendimentos monetários e ao status que a sociedade lhe confere, mas que nem por isso precisa deixar seu consultório e trabalhar na periferia para encontrar o significado de sua profissão. Seja como for, sua realização mais profunda passará, de alguma forma, pelo cumprimento do juramento de Hipócrates e por enxergar a dignidade da vida de seus pacientes, fazendo a eles aquilo que ele mesmo gostaria que lhe fosse feito – seria como que a perfeição própria da profissão médica.
É que o significado profundo da nossa vida está ligado à perfeição cristã, a qual consiste no amor, como ensina São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios (cap. 13, v. 2): “Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada”. Muitos santos foram privados de realizar aquilo a que foram chamados, o que é causa de sofrimento, mas não foram privados do chamado ao amor – e amaram, como o Pe. Pio, quando privado de celebrar a Missa. Assim, buscar amar em todas as circunstâncias é parte essencial da vocação de cada ser humano. E é um grande desafio…
A quem não consegue sentir o sabor agradável de fazer aquilo a que é chamado, sempre é possível a satisfação profunda de fazer cada coisa, por menor que seja, como um ato de amor – a Deus acima de tudo, e ao próximo. E como no mês de agosto sempre se reza pelas vocações, peçamos para que toda pessoa descubra a sua, responda generosamente e se realize nela, e mesmo não tendo condições de atendê-la, que viva cada dia buscando o amor!

