Tensão na Câmara de Mirandópolis: veto do prefeito e discussão entre vereadores marcaram a noite de sessão
Foto: Eduardo Mustafa
A sessão ordinária da Câmara Municipal de Mirandópolis realizada na segunda-feira (4), foi marcada por clima tenso, embates verbais entre parlamentares e discussões envolvendo veto do Executivo. O ambiente já indicava tensão nos bastidores: antes do início oficial, os vereadores fizeram uma reunião interna para alinhar os temas que seriam debatidos. O encontro, que tradicionalmente começa às 20h15, teve início apenas às 21h.
Logo após a leitura da ata da sessão anterior, conforme determina o regimento, a ordem do dia foi apresentada. Um dos destaques foi o projeto de lei de autoria do vereador Carlos Weverton Ortega Sanches, que propõe a instituição da política de bem-estar, saúde e qualidade de vida no trabalho, além da valorização dos servidores públicos municipais.
Durante sua fala na tribuna, Carlos Weverton justificou a importância da proposta. “Tivemos quatro servidores que infelizmente vieram a suicidar. Esse projeto busca diminuir isso. Diminuir o estresse no trabalho, que é um cuidado que nós, como vereadores, temos que ter com os funcionários desta municipalidade”, destacou o vereador, explicando ainda que, a pedido dos colegas, a proposta seguirá os trâmites normais nas comissões e não será votada em regime de urgência.
A fala provocou reação imediata do vereador Jean Gonçalves, que pediu uma parte do discurso para fazer um alerta. “Acho importante nos debruçarmos sobre os projetos, pois o senhor disse sobre a prevenção de suicídio causado pelo ambiente de trabalho. Precisamos ter muita delicadeza porque esta Casa de Leis não pode afirmar com clareza que alguém se suicidou por causa do trabalho. Precisamos sempre estudar com cautela para não criar projetos que podem ficar mal colocados”, ponderou Jean.
DISCUSSÃO SOBRE VETO DO EXECUTIVO
Outro ponto de tensão da noite foi a votação do veto do prefeito Grampola Pantaleão ao Projeto de Lei nº 032/2025, também de autoria do vereador Carlos Weverton. A proposta criava a corrida de rua “Gentileza Gera Gentileza”, a ser realizada na semana do aniversário do município. Apesar de ter sido aprovada pela Câmara em maio, a iniciativa foi vetada pelo Executivo.
Na justificativa do veto, o prefeito apontou que o projeto criava atribuições ao Departamento de Esportes sem respeitar os limites constitucionais de separação dos poderes. “Não ficou evidenciado o interesse público no projeto em questão, o que viola os preceitos de uma administração pública responsável. Além disso, cria despesas ao município sem a devida indicação de fonte de custeio”, ressaltou o documento.
Carlos Weverton voltou à tribuna para defender o projeto e tentar convencer os colegas a derrubar o veto. “Fazer corrida de rua já é uma atribuição do Departamento de Esportes. Eu não estou criando uma nova obrigação. E os custos de uma corrida são irrisórios. Há recursos no orçamento do esporte que sequer foram utilizados. Sobre o interesse público, há pelo menos 200 pessoas em Mirandópolis que praticam corrida regularmente”, afirmou o vereador.

VOTAÇÃO E EMBATES
A votação do veto foi realizada de forma secreta. Com a ausência do vereador Marcos Iarossi, oito parlamentares participaram da decisão. Por sete votos a um, o veto foi mantido, frustrando a tentativa de Carlos Weverton de validar o projeto.
Após a votação, o vereador Emerson Comandante usou a tribuna para justificar seu posicionamento favorável ao veto. “Atribuo o veto ao Executivo. Nem por conta disso a corrida vai deixar de existir. Com diálogo entre Legislativo e Executivo, acredito que o projeto pode voltar reformulado e ser aprovado futuramente”, afirmou.
Na sequência, o vereador Patrick Lipe também comentou a decisão. “Presidente, venho aqui hoje com a responsabilidade de legislador e como advogado. Acredito que o diálogo é fundamental para o avanço da cidade. Entendo que o projeto tem potencial educativo, mas o meu voto se baseia na viabilidade política e administrativa”, ressaltou Lipe, que foi interrompido por Carlos Weverton, ao pedir uma parte para questioná-lo sobre o motivo de ter votado a favor do projeto inicialmente e, agora, em um segundo momento, votar pela manutenção do veto.
“O que mudou foi justamente a forma como você tem conduzido os trabalhos na Câmara. Como você mesmo pontuou, existem projetos relevantes para a cidade que são entregues às sextas-feiras e precisam ser discutidos em caráter de urgência. Precisamos de tempo para analisar com cautela cada proposta. Meu voto não tem a intenção de enfraquecer a Casa de Leis, mas acredito que, para um projeto se tornar realidade, ele precisa estar alinhado com a capacidade de execução do Executivo. No momento em que tive tempo hábil para estudar o projeto e dialogar com o Executivo, decidi meu voto pensando no que é melhor para Mirandópolis”, defendeu Patrick Lipe.
INDICAÇÕES
Apesar do clima conturbado, a sessão também teve espaço para apresentação de indicações. Emerson Comandante sugeriu a implantação de um jardim com mesas e brinquedos na EMEF “Ebe Aurora Fernandes Marcos”, para proporcionar um ambiente adequado à leitura e atividades pedagógicas ao ar livre.
Os vereadores Gerson Possenti, Marcos Iarossi e Rose Tezzon pediram a contratação de um profissional de segurança para a UBS “Dr. Yoshito Kanzawa”. Gerson e Rose também indicaram a necessidade da construção de duas novas salas de emergência na mesma unidade.
Patrick Lipe solicitou estudos para a construção de uma nova passagem viária sobre a linha férrea desativada, ligando a Rua Tupi à praça que conecta as ruas 23 de Maio, Júlio Prestes e André Morales. Ele também propôs a criação ou reativação do Conselho Municipal de Meio Ambiente (COMDEMA), ou a estruturação do órgão caso já exista.
MOÇÕES DE PESAR
Por fim, os vereadores prestaram homenagens póstumas com moções de pesar pelas mortes de Maria Izaura da Conceição, Márcia de Brito da Silva, José Antônio Alves, Neide Aparecida Bini Doria e Antônio Ferreira Netto.

