O Outro Lado de Rogerinho Santos: uma vida de superação e serviço ao próximo
Rogério com a esposa Riene Lara e a filha Julia. Foto: Arquivo Pessoal / Rogério Santos
Nascido em Mirandópolis em janeiro de 1983, Rogério Santos Silva, carinhosamente conhecido como Rogerinho, tem uma história marcada por desafios, superação e propósito. De uma infância simples no interior paulista à construção de uma nova vida em Dourados-MS, Rogerinho trilhou um caminho de transformação pessoal que hoje inspira muita gente. Conhecido na cidade sul-mato-grossense por sua atuação como comunicador e pelo trabalho social de acolhimento a crianças em situação de vulnerabilidade, Rogerinho é uma dessas figuras que parecem carregar a missão de devolver ao mundo um pouco do que já sofreu — e com muito amor. Fundador da página “O Outro Lado de Dourados“, ele também atua no site Verão MS News, é voz ativa no jornalismo local e foi homenageado com o título de cidadão douradense.
Você nasceu em Mirandópolis?
Sim, em 1983, onde me criei. Meus pais eram do campo, trabalhadores da roça. Meu pai faleceu quando eu tinha dois meses. Minha mãe teve que se virar sozinha. Meus irmãos foram morar com parentes, e eu fiquei com minha mãe. Depois ela conheceu meu padrasto, que praticamente me criou. Tive mais duas irmãs desse relacionamento. Éramos bem simples, bem pobres mesmo. Vivíamos numa situação complicada.
Como a cidade influenciou sua formação pessoal?
Marcou muito. Minha avó, Dona Florisa, era bem conhecida por fazer pão caseiro no forno a lenha. Ela vendia na rua do antigo Mercado Castelinho. Ela ensinou todos os netos a trabalhar. Depois da escola, a gente saía com cesta vendendo pão. Essa rotina nos ensinou muito sobre valor e dignidade, mesmo em tempos difíceis.
Você enfrentou um período difícil com o uso de drogas?
Foi um divisor de águas na minha vida. No fim de 1998, um primo me apresentou às drogas. Eu era curioso, queria entender. E infelizmente, Mirandópolis naquela época teve uma geração fortemente impactada por isso. Muita gente morreu, outros foram presos. Eu me afundei na cocaína, na maconha. Busquei internação, e desde então, é uma batalha diária. É uma luta constante.
Houve um momento de virada?
Sempre trabalhei como pintor. Fui para Três Lagoas me recuperar, depois para Campinas, e voltei algumas vezes a Mirandópolis. A última ida para Três Lagoas foi decisiva. Tive um encontro com Deus, conheci minha esposa e, com fé, consegui me libertar das drogas. Foi quando tudo começou a mudar.
E como chegou em Dourados?
Eu tinha uma empresa de pintura e peguei uma obra em Dourados. A cidade me abraçou. Comecei a trabalhar, minha família se estabeleceu e as oportunidades foram aparecendo. Foi aqui que encontrei estabilidade.
Hoje você é comunicador?
Começou por acaso. Fiz um curso de marketing no IFMS. Eu só consumia redes sociais, mas aprendi a usá-las com propósito. Quando nos mudamos para um bairro mais afastado, vi muita coisa curiosa acontecendo e comecei a registrar. Criei a página “O Outro Lado de Dourados”, mostrando um lado diferente da cidade, com humor e crítica social. A maioria dos sites só mostrava tragédia. Eu quis mostrar o cotidiano real da cidade. Durante a pandemia, empresários começaram a nos procurar para divulgar seus comércios, pois estavam fechando. Isso cresceu, nos posicionamos, demos voz às pessoas. Hoje somos uma das páginas mais acessadas da cidade, principalmente em política local.
Você também realiza um trabalho social?
Somos parte do programa Família Acolhedora, que atende crianças retiradas de seus lares por situações graves. Estamos há 8 anos nessa missão. Recebemos bebês, crianças maiores, até dependentes químicos. Um deles, com 10 anos, era viciado em crack e maconha. Acolhemos ele por três anos, foi adotado e hoje está liberto. Esse acolhimento nos inspirou a criar um projeto social que segue até hoje com outras pessoas tocando. A gente chora, sente. Mas também nos alegramos, porque elas ganham uma nova chance. Nosso papel é amar, curar, mostrar o que é uma família. A gente ama como filho, sabendo que um dia vai partir. Hoje, por exemplo, temos um bebê de 1 ano e 3 meses em casa. Ele está com pneumonia e estamos cuidando com todo amor. Vai doer quando for embora? Vai. Mas faz parte da missão. Meu sonho é usar a comunicação para transformar. Influenciar com responsabilidade, mostrar que é possível ser honesto, coerente e fazer a diferença.
E sua relação com Mirandópolis?
Minha relação com Mirandópolis é enorme. Minha mãe, minhas irmãs, tios e muitos amigos estão aí. Pelo menos uma vez por ano eu visito. Pena que muitos foram embora. Mas minhas raízes continuam na cidade.

