Agosto Lilás: movimento Escuta Ativa intensifica ações contra a violência doméstica em Mirandópolis

Agosto Lilás: movimento Escuta Ativa intensifica ações contra a violência doméstica em Mirandópolis

Foto: Câmara Municipal de Lavínia

O mês de agosto é marcado nacionalmente pela campanha Agosto Lilás, que busca conscientizar e mobilizar a sociedade no enfrentamento à violência contra a mulher. Em Mirandópolis, o movimento é liderado pela advogada Marcela Delai, presidente do programa Escuta Ativa, que atua na orientação e acolhimento de vítimas. A iniciativa conta ainda com a participação das advogadas Maria Eduarda, Crislene Santos, Tainara Antunes, Selma Nogueira e Beatriz Fígaro.

Em entrevista ao jornal AGORA NA REGIÃO, Marcela destacou que o Agosto Lilás vai além de uma campanha. “Para mim, o Agosto Lilás significa luta e resiliência. Todos os dias, assistimos à triste realidade de mulheres sendo mortas ou agredidas apenas por serem mulheres. É um chamado à ação que dá visibilidade ao tema, rompe o silêncio e promove a reeducação da sociedade. Proteger mulheres não é apenas aplicar a lei, é mudar mentalidades.”

O Brasil é o país que possui uma das legislações mais reconhecidas no mundo no combate à violência doméstica: a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que prevê medidas protetivas e punições severas para agressores. No entanto, mesmo com o respaldo legal, muitas mulheres ainda têm medo de denunciar por receio de retaliações, dependência financeira ou vergonha.

“A lei existe, é forte e garante proteção. Mas precisamos criar um ambiente de confiança e acolhimento para que as mulheres se sintam seguras em buscar ajuda”, reforça Marcela.

A principal ação do mês aconteceu no dia 16 de agosto, na Praça Central, com atividades voltadas à conscientização da população. A programação incluiu palestras e orientações sobre a Lei Maria da Penha e os diferentes tipos de violência. O grupo também levará o projeto para Lavínia, a convite da Câmara Municipal, e para a Escola de Ensino Médio da cidade, ampliando o diálogo com jovens e fortalecendo a rede de proteção.

Marcela explica que muitas pessoas ainda limitam o conceito de violência à agressão física, mas existem outras formas, como a psicológica, moral, sexual e patrimonial. “Ao falar sobre os ciclos da violência e como eles se manifestam, ajudamos a conscientizar as mulheres sobre sinais que muitas vezes passam despercebidos. Também orientamos sobre seus direitos e auxiliamos na obtenção de medidas protetivas, garantindo o acesso gratuito à justiça por meio da Defensoria Pública.”

Advogadas participando de palestra. Foto: Divulgação

Apesar de a maior parte do público ser feminino, o Escuta Ativa também acolhe denúncias e casos envolvendo outros grupos vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com deficiência. Segundo Marcela, a receptividade é positiva e muitas mulheres compartilham experiências pessoais durante as palestras, percebendo que viviam ou vivem em relacionamentos abusivos.

O atendimento a mulheres de áreas rurais e bairros mais afastados é viabilizado por parcerias com setores sociais da comarca e por meio de atendimentos online e por telefone, já que o grupo não possui verba própria e arca com a maior parte dos custos. “Mesmo com as limitações, conseguimos garantir que nenhuma mulher fique sem apoio”, reforça a advogada.

Sobre o apoio do poder público, Marcela relata que ainda não existe uma parceria formal com a Prefeitura ou a Câmara Municipal de Mirandópolis, mas que houve avanços no relacionamento institucional e construíram uma parceria muito bacana com as prefeituras de Lavínia e Guaraçaí. “Sempre que precisamos, fomos atendidas de forma solícita. Diversos órgãos têm colaborado dentro de suas possibilidades, o que fortalece a rede de apoio e permite que mais mulheres recebam atendimento e orientação.”

Confira abaixo alguns tópicos respondidos pela advogada Marcela Delai:

Foto: Facebook Marcela Delai

INFORMAÇÃO COMO PREVENÇÃO

“A principal contribuição das nossas ações é levar informação. Muitas pessoas ainda acreditam que violência contra a mulher se resume apenas à agressão física e isso não é verdade. A violência pode ser física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial. Ao falar sobre os ciclos da violência e como eles se manifestam, ajudamos a reeducar e conscientizar as mulheres, mostrando sinais que muitas vezes passam despercebidos. Também esclarecemos sobre seus direitos, que em muitos casos são desconhecidos por elas. Além da conscientização, atuamos de forma prática: pleiteamos medidas protetivas e, em conjunto com a OAB e a Comissão de Assistência Judiciária, encaminhamos as mulheres para serem assistidas por advogados conveniados a Defensoria Pública, garantindo assim o acesso à justiça de forma gratuita”. 

PARTICIPAÇÃO DA POPULAÇÃO

“A comissão acabou abraçando a pauta de diversos tipos de violência, contra idosos, crianças, pessoas com deficiência e outros grupos vulneráveis. A maior parte do nosso público é feminino e, felizmente, a participação é sempre muito ativa. Quando o assunto é violência contra a mulher, muitas participantes se sentem à vontade para compartilhar relatos pessoais, e isso é extremamente importante. Em vários casos, percebemos que essas mulheres viviam ou ainda vivem em relacionamentos abusivos sem sequer terem se dado conta disso. As palestras costumam ser muito ricas justamente por causa dessa troca e participação”.

DIFICULDADES DO PROJETO

“Não temos, até hoje, uma parceria formal com a Prefeitura ou com outros órgãos públicos. Grande parte das ações da comissão é custeada pelas próprias integrantes. Isso limita a possibilidade de deslocamento frequente até as áreas rurais e bairros mais afastados. Apesar dessa limitação, conseguimos atender mulheres dessas regiões graças ao bom relacionamento que mantemos com os setores sociais da comarca, que identificam casos de violência e encaminham as vítimas para atendimento junto à Comissão. Além disso, é muito comum realizarmos atendimentos online e por telefone, o que nos permite oferecer acolhimento, orientação e acompanhamento mesmo à distância, garantindo que nenhuma mulher fique sem apoio”.

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