Aline Arruda: qualidade de vida, empreendedorismo e amor pelo interior

Aline Arruda: qualidade de vida, empreendedorismo e amor pelo interior

Foto: Arquivo Pessoal / Aline Arruda

Natural de Ribeirão Bonito, criada em Mirandópolis e atualmente radicada em Andradina, Aline Vieira Arruda, 36 anos, construiu uma carreira que une sua paixão por saúde e alimentação ao espírito empreendedor. Formada em Turismo pela Universidade de São Paulo (USP) e com especialização em Gestão de Negócios pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ela trocou a rotina da capital por um retorno ao interior, decisão que, segundo ela, mudou sua vida pessoal e profissional. Ao jornal AGORA NA REGIÃO, Aline relembra sua infância, a mudança para São Paulo, o reencontro com o interior, a maternidade e os desafios de gerir um negócio focado em alimentação saudável.

Onde você nasceu e cresceu?

Nasci em Ribeirão Bonito, mas me considero mirandopolense. Minha família é da região de São Carlos e meu pai veio para o interior por causa da pecuária. Ele começou trabalhando com um frigorífico e depois passou a intermediar compra e venda de gado. Hoje tem um sítio e continua em Mirandópolis. Eu estudei no Sesi e depois na antiga Anita Gamo, que foi uma fase muito especial, cheia de competições de vôlei e momentos inesquecíveis. Eu me lembro do professor Cido e de como era rica aquela época.

Você deixou Mirandópolis para estudar?

Terminei o ensino médio e fui para Araçatuba fazer cursinho. Passei na Universidade de São Paulo (USP) e cursei Turismo. Depois trabalhei numa agência de passagens aéreas, mas queria migrar para o marketing. Meu chefe foi um grande mentor e me orientou a fazer uma especialização mais ampla, em Gestão de Negócios pela FGV. Isso me abriu a mente para o empreendedorismo e me fez repensar sobre qualidade de vida e tempo para a família. Foi quando me abriu o horizonte de que a gente pode empreender também, não precisa ser só empregado. Não precisa só se qualificar para trabalhar numa grande empresa e isso foi deixando uma pulguinha sempre que me mordia atrás da orelha. Sempre pensava o quanto que eu trabalhava nas empresas, quanto tempo me dedicava. E se eu fosse ter família? Quanto tempo eu ia ter que terceirizar a educação do meu filho para eu poder me dedicar a empresa? E ficava ali pensando. 

E foi nesse período que conheceu o Bruno?

Sim. Eu já trabalhava há cinco anos na mesma empresa quando comecei a vir para Mirandópolis e conheci o Bruno Shigueto. Durante um ano namoramos à distância, com visitas a cada 15 dias. As caronas com amigos foram essenciais para o namoro engrenar (risos). E nesse período aos poucos eu percebi como a vida no interior era mais tranquila.

Quando decidiu voltar para o interior?

Eu entendi que era um pensamento preconceituoso, você pensar que não vai prosperar aqui no interior, que só na cidade grande que a gente teria essa vida ganhando mais. Mas a que preço? A que custo? Talvez aqui a gente não ganha tanto, mas a gente vive melhor. E era um dos meus objetivos. E aí coincidiu de pensar sobre alimentação. E eu tinha juntado uma grana na época, eu tinha um dinheirinho guardado e falei vou voltar embora e vou tentar me arriscar na área da alimentação. O pensamento era bem básico: “todo mundo come né? Então tendo crise ou não tendo todo mundo tá comendo, e eu vou abrir um restaurante em Três Lagoas. Minha irmã me aconselhou a começar menor para que aos poucos eu fosse aprendendo mais sobre culinária, alimentação, depois de ter passado tanto tempo atrás de um computador. Meu sobrinho cursava engenharia elétrica na Unesp de Ilha Solteira, então eu fui para lá. Fui vender marmitex para estudantes. Foi o melhor conselho que recebi — aprendi na prática sobre alimentação e gestão.

A gastronomia sempre esteve presente na sua vida?

O interesse surgiu quando minha mãe precisou emagrecer. Criamos um grupo familiar e passamos juntos por uma reeducação alimentar. Ela perdeu mais de 40 kg e ganhou qualidade de vida. Essa experiência mudou meu olhar: alimentação saudável é liberdade, energia e prevenção. Hoje transformo histórias de clientes como transformamos a da minha mãe.

Quais os principais desafios de empreender?

Empreender é resolver problemas todos os dias. É preciso inteligência emocional e constância. Sempre digo: às vezes, a oportunidade que você quer está na decisão que você não toma. Fazer as coisas corretas, estudar e persistir é o caminho para dar certo.

Como é sua ligação com Mirandópolis?

Continuo indo para visitar meus pais e os sogros. Tenho um filho de quatro anos e meio, o Filipo, que é meu maior amor e minha prioridade. A maternidade me transformou profundamente. Então sempre vou rever meus familiares e levar o Filipo para vê-los.

Como funciona o seu negócio em Andradina?

Trabalhamos com uma linha de produtos saudáveis (perfil @arrudamarmitaria no Instagram): sucos, refeições, caldos, lanches e sobremesas, sempre com foco nutricional. Atendemos desde o no carb, que é quem não ingere nenhum carboidrato, low carb, que é baixa quantidade de carboidrato, até quem busca versões mais equilibradas de pratos tradicionais. Nossos produtos não levam conservantes, corantes ou temperos industrializados, só temperos naturais, com potencial anti-inflamatório, como cúrcuma e gengibre. O objetivo é oferecer praticidade sem abrir mão da saúde, ajudando famílias a comerem melhor mesmo na correria.

1768677077