Santos reis (2)
Foto: Província Santa Cruz
Padroeiro da Ordem Franciscana Secular e celebrado em 25 de agosto, São Luís da França, ou São Luís IX, é o segundo monarca de quem estamos tratando nestes últimos artigos. Nasceu em 25 de abril de 1214 (ou 1215) e tornou-se rei da França em 1226, ainda menino, mas assumiu o poder em 1234. Viveu num tempo repleto de tormentas geopolíticas, mas também de efervescência filosófica e teológica e palco da fundação de importantes ordens religiosas – como franciscanos e dominicanos.
Em meio a tudo isso, a formação moral, espiritual e no campo diplomático dada por sua mãe, Branca de Castela, assegurou que ele governasse e agisse de tal modo que fosse tido como “árbitro da Cristandade”, podando arestas e dirimindo conflitos entre os papas e os imperadores – à época, o Sacro Império Romano Germânico há muito já não era mais governado por Santo Henrique, de quem falamos no artigo anterior. Muitos apelavam à sua sabedoria, sensibilidade e senso de justiça, tanto reis quanto pessoas comuns, que eram recebidas em audiência no famoso bosque de Vincennes, em Paris.
São Luís sabia muito bem se utilizar da pompa que sua condição lhe dava. Era um homem elegante e de bom gosto. No entanto, nada disso lhe era motivo de vaidade, mas apenas uso de suas condições para o exercício do cargo. Na vida privada ignorava o luxo, misturava água ao vinho e molhos para lhes diminuir o sabor e, nas procissões, andava com calçados sem sola, fazendo penitência sem que notassem. Quando acusado de muita liberalidade com os pobres, dizia: “prefiro que meus gastos excessivos estejam constituídos por luminoso amor de Deus, e não por luxos para a vã glória do mundo”.
Homem de enormes realizações, fundou mosteiros e hospitais, deu continuidade às obras de acabamento da Catedral de Notre-Dame e foi o responsável pela construção da Saint-Chapelle, uma jóia da arquitetura, uma capela idealizada para guardar as relíquias da coroa de espinhos de Jesus. Apreciava sentar-se à mesa com ninguém menos do que São Boaventura e Santo Tomás de Aquino e desejou libertar a Terra Santa, tanto que partiu em duas cruzadas – uma em 1248 e outra em 1270, na qual, antes de morrer aos 55 anos, já feito prisioneiro, disse ao sultão: “Estou resoluto a passar toda minha vida de prisioneiro dos sarracenos sem voltar a ver a luz, contanto que tu e teu povo possais fazer-se cristãos”. Como soberano nesta terra, sempre se fez vassalo de Cristo.
Santo Luís da França, intercedei por nós e por nossos governantes!

