César Giometti: futebol, política e memórias de Lavínia

César Giometti: futebol, política e memórias de Lavínia

Foto: Divulgação

Filho de Frederico Giometti e Graciema Maya Giometti, de uma família tradicional no comércio de Lavínia, César Giometti, 67 anos, sempre teve o esporte como grande paixão. Atuando como meia, centroavante ou ponta-esquerda, ele passou por clubes importantes, como o Palmeiras e o São Carlense, além de ter marcado presença no futebol amador da região, defendendo o LEC (Lavínia Esporte Clube) e o MEC (Mirandópolis Esporte Clube, o famoso “Mecão”). Com a mesma determinação que mostrou nos gramados, César também se aventurou na vida pública, sendo vereador e vice-prefeito de Lavínia. Em entrevista ao AGORA NA REGIÃO, ele relembra histórias, fala sobre conquistas e compartilha aprendizados de sua trajetória.

Como começou sua relação com o futebol?

Comecei no LEC, o Lavínia Esporte Clube, mas também joguei pelo MEC, o “Mecão” de Mirandópolis. Era uma época muito especial. O futebol era vivido com intensidade. Quase ninguém tinha TV em casa, então a torcida lotava o estádio e o ginásio. Eu lembro que às vezes saía mais cedo do jogo e via uma multidão indo embora, levantando poeira nas ruas de terra.

Quais lembranças guarda dos parceiros de equipe?

Muita boa! Infelizmente alguns já se foram, mas lembro com carinho do Alemão, o Baiano, o Celsinho e o Armindo Liberal. Foram grandes companheiros, levo comigo um carinho imenso por todos eles. Acredito que o sr. Armindo Liberal deveria receber alguma homenagem com o nome dele em alguma rua ou quadra esportiva, pois além de jogador, ele cuidou muitos anos do futebol em Lavínia.

E como surgiu a oportunidade no Palmeiras?

Eu estava no ensino médio quando fiz o teste no Palmeiras, em 1975. Eram mais de 200 rapazes e consegui passar. Meu pai só deixou que eu fosse depois de concluir o ensino médio. Voltei para finalizar os estudos. Depois disso, me apresentei ao clube e joguei no juvenil por um ano e meio de 1976 a 1977.

Foi nesse período que conheceu nomes importantes do futebol?

Sim, conheci jogadores como Émerson Leão e Ademir da Guia, grandes referências. Mas não tinha muito contato. Além disso, era uma época em que o futebol não tinha o valor de hoje. Eu via o Palmeiras conquistar títulos, mas poucos jogadores chegavam de carro ao CT. Além disso, a carreira era curta e, dentro dos alojamentos, aconteciam coisas que não combinavam com meus valores. Eu tinha apenas 18 anos e vinha de uma família cristã do interior, então me assustei um pouco com aquilo.

Depois do Palmeiras, quais caminhos seguiu?

Fui emprestado ao São Carlense. Cheguei a ter a opção de ir para o Operário do Paraná, que estava na primeira divisão, mas ouvi que São Carlense era uma grande vitrine e optei pelo clube, que disputava a segunda divisão. Depois percebi que teria sido melhor ter ido para o Paraná.

E após pendurar as chuteiras?

Me formei em Administração, formei minha família. Mas o espírito de liderança, que já tinha no esporte, acabou me levando também para a vida pública.

Como foi essa transição para a política?

Minha família já tinha raízes na política e devido ao meu grande conhecimento com o povo, o pessoal começou a sugerir que eu entrasse, então fui vice-prefeito do Sr. Firmino Pavesi, de 1989 a 1992, fui eleito vereador atuando de 1997 a 2000 no legislativo municipal. Em 2000, fui convidado a compor a chapa com o Salvador, como vice-prefeito. Fomos eleitos e foi uma grande experiência trabalhar ao lado de um líder municipal e regional tão importante. Aprendi muito naquele período.

E como está sua vida hoje?

Eu também trabalhei como Agente de Segurança Penitenciária (Policial Penal) e hoje estou aposentado curtindo meus netinhos e ainda praticando esporte. Hoje pratico a modalidade vôlei adaptado com a terceira idade, time do qual meu filho é o técnico. Então o esporte está no sangue mesmo (risos).

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