‘Saraus, bosque e recanto. Tudo que faço é por amor a Mirandópolis´, diz Dinho Resler

‘Saraus, bosque e recanto. Tudo que faço é por amor a Mirandópolis´, diz Dinho Resler

Foto: Eduardo Mustafa

Nascido em 1953, em Mirandópolis, Oswaldo Resler, mais conhecido como Dinho, é uma figura que mistura experiência policial, paixão pela cultura e amor pela cidade. Filho de Miguel Resler e Maria Bocutti, pai de três filhos e avô de dois netos, Dinho construiu uma vida marcada pelo trabalho na Polícia Civil, onde se aposentou em 2011, e hoje se dedica ao Recanto Gentileza e à sua rádio online. Nesta entrevista, ele relembra momentos marcantes da carreira e fala do envolvimento com projetos culturais e sociais que ajudam a fortalecer Mirandópolis.

Onde nasceu e cresceu?

Nasci em Mirandópolis. Meus pais chegaram aqui na década de 1930 e se fixaram no bairro Amandaba. Tive uma infância simples, numa família com três irmãos. Hoje tenho a Aparecida e o José, que todos conhecem como Biba. Minha irmã Cleusa infelizmente já faleceu. Foi aqui que aprendi os primeiros valores de vida e criei meu amor pela cidade.

Quando começou a trabalhar?

Ainda criança eu ajudava na roça, como era comum naquela época. Na adolescência, fui trabalhar em uma padaria, mas confesso que era um serviço muito puxado (risos). Depois, dei aulas na Escola Noêmia. Não era efetivo e acabei buscando algo mais estável para o meu futuro.

Dinho e João Peres no Bosque Gentileza, próximo da Estação Ferroviária em Mirandópolis. Foto: Reprodução YouTube

Como foi a entrada na Polícia Civil?

Passei no concurso em 1977, muito incentivado pelo professor e investigador Alexandre Soares Azevedo, que inclusive fez minha inscrição porque eu não queria. Na época foram mais de 100 mil candidatos e fiquei na posição 178. Estudei muito, até de madrugada, porque sabia da importância de conquistar aquela vaga. Assumi em 1978 em Murutinga, mas logo estava trabalhando em Mirandópolis.

Sempre atuou no interior?

A maior parte do tempo, sim. Fui muito feliz trabalhando aqui, até 2000, quando fui chamado para Araçatuba. No ano seguinte recebi o convite para ir a São Paulo. Lá participei da criação do Departamento de Inteligência (DTI) e ajudei a montar o DPOL. Foi um trabalho de estruturação das salas de situação e de elaboração de um plano de inteligência para a Polícia Civil, algo que eu já idealizava desde a academia. Cresci muito profissionalmente e me aposentei em 2011, na classe especial.

E a parte cultural, como começou?

Sempre gostei de cultura. Em 2004, o saudoso Fred me convidou para participar da ONG Gentileza Gera Gentileza. Fizemos um sarau inesquecível na antiga estação ferroviária, junto com amigos como Luiz André e Silmara Grow. Depois desse, realizamos várias outras iniciativas culturais que marcaram a cidade.

Você também ajudou a criar o Bosque Gentileza, certo?

Sim, foi em 2004. Comecei a plantar árvores ao lado da estação e o senhor João, do Pito Aceso, se juntou a mim. Eu trabalhava em São Paulo e ele cuidava do espaço quando eu não podia estar presente. Juntos plantamos mais de 500 árvores de 266 espécies diferentes. Foi um trabalho de carinho e compromisso com o meio ambiente da cidade.

Dinho na frente do Recanto Gentileza, em Mirandópolis. Foto: Eduardo Mustafa

E como surgiu o Recanto Gentileza?

A ideia foi oferecer um espaço de acolhimento. Montei uma kitnet bem estruturada para quem precisa de tranquilidade, segurança e conforto. Depois ampliei e hoje temos também uma suíte. Além disso, há uma área de lazer com fogão a lenha, churrasqueira, piscina e banheiros. O espaço também abriga o salão do meu filho Miguel, que é barbeiro, e a rádio online Gentileza Gera Gentileza. Quem quiser pode acessar pelo site www.gentilezageragentilezafm.com.

Qual foi a inspiração para criar a rádio?

Sempre gostei de música e poesia. A rádio é uma forma de compartilhar essa paixão, tocando meus LPs e me divertindo junto com amigos de Mirandópolis e de todo o Brasil. Mais do que isso, é um projeto feito com amor à cidade e às pessoas que vivem aqui. Tudo o que faço — seja plantar árvores, promover cultura ou criar novos espaços — é por acreditar em Mirandópolis e no potencial da nossa comunidade.

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