Sucesso atemporal: moda sustentável cresce e brechós ganham força em Mirandópolis e região
Foto: Divulgação
Com foco em economia e consciência ambiental, empreendedoras mostram que é possível se vestir bem gastando pouco. O mercado de brechós vive um verdadeiro boom no Estado de São Paulo e a nossa região acompanha esse movimento com cada vez mais força. De acordo com levantamento do Sebrae-SP, são 76 brechós ativos na região, confirmando uma tendência nacional de valorização da moda sustentável, consumo consciente e economia circular. Os itens mais procurados incluem roupas, calçados e acessórios, com destaque para peças exclusivas, de grife e com preços acessíveis.
Esse crescimento tem impacto direto no empreendedorismo regional, com histórias inspiradoras como a de Juliana Prates Toribio, fundadora do Brecholei, em Araçatuba. Ela começou sua jornada em 2021 com vendas online e, mesmo receosa quanto à aceitação do mercado de segunda mão na cidade, decidiu abrir uma loja física em 2022. “Achava que Araçatuba não era uma cidade muito aberta para o mercado de segunda mão. Porém, desde a abertura da loja percebi que estava errada. Temos notado uma movimentação e um interesse cada vez maiores pela compra no brechó, inclusive de pessoas de diferentes classes sociais”, conta Juliana.

BRECHÓS E SUSTENTABILIDADE
A pesquisa do Sebrae-SP aponta que 71% dos consumidores optam pelos brechós por causa dos preços mais baixos. A qualidade dos produtos (45%) e a preocupação com sustentabilidade (43%) também aparecem como principais fatores de motivação. A maioria dos clientes ainda prefere visitar lojas físicas (84%), embora o comércio online represente uma parcela crescente (40%).
Segundo Carol Fabris Ferreira, Coordenadora de Pesquisas do Sebrae-SP, o consumo em brechós já é uma tendência global: “A busca por peças únicas, estilosas e a crescente conscientização sobre o impacto ambiental da indústria da moda têm impulsionado esse setor.”
Um exemplo de sucesso local é o brechó Cabide Atemporal, em Mirandópolis, fundado por Lívia Elena Fuentes dos Santos, 29 anos, e Maria Elzi Leoncio Pereira, 52. Coincidentemente no mesmo ano em que Juliana deu seu primeiro passo, a dupla mirandopolense percebeu, em 2021, que a cidade carecia de um brechó com curadoria especializada e variedade de peças. Com isso, decidiram apostar em um espaço com roupas femininas, masculinas, acessórios e até itens de decoração.

“A moda é uma das indústrias que mais polui o planeta. Comprar de segunda mão ajuda a reduzir o descarte têxtil; diminuir a demanda por novas produções; aproveitar recursos e prolongar a vida útil das roupas. Ou seja, é uma forma ecológica e consciente de consumir”, explica Lívia.
Muitas peças de brechó são de épocas em que a confecção era mais cuidadosa e os tecidos, de melhor qualidade. É possível encontrar roupas mais resistentes e com ótimo caimento. “A curadoria é rigorosa. Buscamos peças com qualidade, bom estado, e que tenham apelo estético. Mas também damos espaço para aquelas peças únicas, mesmo que com leves sinais de uso”, completa.
O preconceito com brechós, segundo elas, tem diminuído significativamente. “No começo houve resistência, até de pessoas próximas. Mas isso mudou. Hoje temos clientes que vêm toda semana, grupo no WhatsApp, Instagram e pedidos diários. A aceitação cresceu muito”, celebra Lívia.
Com o passar do tempo, o brechó de Mirandópolis se tornou também um espaço de convivência e afeto. “Fizemos amizades que hoje fazem parte da nossa vida pessoal. Não imaginávamos esse alcance no início do projeto. Só temos a agradecer às nossas clientes que confiam no nosso trabalho”.

