Gesto que salva vida: mirandopolense doa medula óssea e reencontra o receptor cinco anos depois

Gesto que salva vida: mirandopolense doa medula óssea e reencontra o receptor cinco anos depois

Foto: Divulgação

O mirandopolense Thiago Junqueira tem uma história que emociona e inspiradora. Ele viveu a infância entre amigos, primos e muitas brincadeiras no Clube Atlético Mirandópolis (CAM). “Sempre morei na mesma casa dos meus pais, próxima ao clube, local de ótimas lembranças”, recorda.

Após estudar nas escolas Dr. Edgar e Objetivo – 14 de Agosto, Thiago deixou a cidade em 2002, quando foi aprovado em um concurso da Secretaria de Administração Penitenciária. Desde então, passou por várias unidades da região e hoje atua no Complexo Penal de Valparaíso. Mesmo fora da cidade, guarda laços fortes com Mirandópolis: “Tenho grandes amigos e familiares aí, e sempre que posso volto para revê-los”, conta.

GESTO QUE SALVA VIDAS

Durante uma doação de sangue no Hemocentro de Araçatuba, em 2009, Thiago foi convidado a se cadastrar no REDOME – o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea.

“Sou doador de sangue há muitos anos, e aceitei o convite prontamente. A possibilidade de salvar uma vida motiva qualquer pessoa”, afirma.

Onze anos depois, em 2020, veio a ligação que mudaria sua vida: ele era 100% compatível com um paciente que precisava de um transplante. “Foi uma surpresa enorme. Estávamos em plena pandemia, com tantas perdas, inclusive da minha mãe, que fazia tratamento contra o câncer. Receber aquela notícia foi como um chamado de Deus”, relembra.

Sem medo e com o apoio da esposa Milena, Thiago foi até São Paulo para realizar a doação. O procedimento ocorreu em 23 de outubro de 2020, e tudo correu bem. “Não senti dor, fiquei apenas uma noite internado. A sensação foi de paz e gratidão. Orava para que o receptor se recuperasse bem, mesmo sem saber quem era”, conta emocionado.

Thiago (doador) e Giovani (receptor) durante o encontro em uma viagem com as famílias em 2025. Foto: Divulgação

O ENCONTRO COM O RECEPTOR

De acordo com as regras do REDOME, doador e receptor só podem se conhecer após um ano e meio, caso ambos concordem. Assim, em 2022, Thiago e o paciente — Giovani, do Espírito Santo — começaram a se comunicar por redes sociais e mensagens.

Mas o momento mais marcante veio recentemente, cinco anos após a doação, quando finalmente se encontraram pessoalmente. “Foi emocionante. Ele veio com a mãe, a namorada e o primo, todos que viveram o processo do transplante. Senti como se fosse alguém da minha família. Ver o Giovani bem, com saúde, foi indescritível”, diz Thiago.

Giovani, por sua vez, revelou que passou o fim de semana sem acreditar que aquele reencontro realmente estava acontecendo. “Duas famílias que nem se conheciam se tornaram ligadas para sempre. É algo que não tem preço”, comenta Thiago.

SALVE VIDAS

Após a experiência, Thiago diz que sua forma de ver o mundo mudou completamente. “Tornei-me uma pessoa mais humana, com mais empatia e gratidão. A vida tem mais valor quando você entende o poder de um gesto de amor”, reflete.

Famílias se encontraram em 2025. Foto: Divulgação

Ele deixa uma mensagem especial: “Quero incentivar todos a se cadastrarem como doadores de medula e continuarem doando sangue. Nunca sabemos quando um gesto simples pode salvar alguém — talvez até uma pessoa da nossa própria família.”

Thiago também faz questão de agradecer à família, especialmente à esposa Milena e à filha Ana Carolina, que o apoiaram em todo o processo. E lembra com carinho dos pais, Orlando e Célia (In Memoriam), que, segundo ele, ensinaram os maiores valores que carrega: caráter, honestidade e amor ao próximo.

COMO CADASTRAR

Para se tornar doador de medula óssea, basta ter entre 18 e 35 anos e se cadastrar em um hemocentro. Uma simples amostra de sangue é coletada para inclusão no REDOME (redome.inca.gov.br). Caso haja compatibilidade com algum paciente, o doador é contatado para novas etapas do processo.

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