Os náufragos
Foto: Arqui Conquista
A modernidade e suas facilidades nos acostumaram mal: aos que vivem na bonança, poucos são os que aceitam sacrificar suas benesses em prol de algo maior, e aos que vivem em meio às amarguras, muitos os que nutrem a ilusão de alcançar as vantagens do dinheiro e do conforto. Claro que a todos é lícito trabalhar honestamente e buscar o progresso material; no entanto, a busca mesma pelas coisas materiais como fim último da vida esconde uma tragédia que deveria estar aparente a todos: o verdadeiro progresso se dá quando o ser humano busca as coisas mais elevadas.
Estamos nos aproximando do Natal: Jesus escolheu nascer no conforto? Não, escolheu um estábulo. Decidiu encarnar-se num lugar isento de perseguições? Não, foi levado às pressas para o Egito, para não ser morto por Herodes. Eximiu-se do suor do trabalho? Não, trabalhou na carpintaria até iniciar sua vida pública. Preferiu uma morte sem dor? Não, foi a mais dolorosa. Ao menos poupou sua Mãe dos sofrimentos? Não, Ela, a Senhora das Dores, estava aos pés da cruz.
Precisamos sempre meditar no que consiste realmente a nossa vida… Nós somos como que a tripulação de um navio que naufragou e estamos todos à deriva, e somente Nosso Senhor, com a intercessão da Virgem Maria, São José, os Anjos e toda a Igreja triunfante no Céu e padecente no purgatório, somente Ele pode nos salvar. Mas em meio ao naufrágio, é como se alguns dissessem: “eu sei nadar, nada vai acontecer…”, ou “vai aparecer um navio a nos resgatar”, ou “vamos aproveitar esse sol lindo e esse mar imenso…”. Não, se Deus não viesse em nosso socorro, estaríamos todos perdidos. E o tempo de nossa vida consiste na oportunidade de dizermos sim a Ele e viver em conformidade com sua vontade.
Jesus, o Bom Pastor, pagou o preço do resgate e busca quem aceite ser resgatado… Lamentavelmente muitos não querem, não enxergam, protelam… Muitas outras coisas importam, mas nada está acima desta realidade: somos os náufragos à espera do resgate. Neste tempo de preparação para o Natal, tempo santo de reflexão e revisão de vida, não percamos a chance de nos abrirmos à graça imensa que Deus oferece!
Que Nossa Senhora das Graças, cuja memória celebramos no último dia 27, interceda por nós e encontre corações abertos, dispostos a trocar o que de melhor esta vida oferece pelas coisas ainda mais excelsas que estão reservadas no Céu!

