Manifestação reúne moradores e pescadores em defesa do Rio Feio na divisa entre Mirandópolis e Pacaembu
Foto: Divulgação
Na manhã de domingo (4/1), uma manifestação pacífica foi realizada na ponte sobre o Rio Aguapeí, conhecido popularmente como Rio Feio, na divisa entre os municípios de Pacaembu e Mirandópolis.
O ato reuniu moradores da região, pescadores e apoiadores da causa ambiental, que se mobilizaram para chamar a atenção das autoridades para os graves problemas enfrentados pelo rio.
Segundo os manifestantes, atividades de usinas da região estariam causando impactos ambientais ao longo de todo o leito do rio, prejudicando a qualidade da água, a fauna, a pesca e o equilíbrio da natureza nas áreas próximas.
Durante o protesto, diversos participantes fizeram uso da palavra, explicando suas reivindicações e cobrando mais fiscalização, responsabilidade ambiental e ações efetivas de preservação.


De acordo com um dos organizadores da manifestação, o pacaembuense Evandro Pranuncio, destacou que existe mais de 80 bombas ao longo do Rio e que a maioria delas é irregular. Foi destacado ainda que além de estar irregular, para a instalação dessas bombas, eles entram com máquinas e destroem a mata ciliar, provocando assoreamento, sendo um verdadeiro crime, sendo que aí vem a chuva e leva toda a terra para dentro do rio.
Foi destacado que a manifestação não é contra o agronegócio, porém foi ressaltado que existem maneiras de captação que não prejudica o rio como vem acontecendo.
Evandro Pranuvio ainda ressaltou que já levou ao conhecimento do Ministério Público a situação que vem ocorrendo no Rio Feio e que teve o compromisso que medidas serão tomadas para saber sobre como vem sendo instalado essas bombas.
Para reforçar o protesto, vários cartazes foram espalhados ao longo da ponte, com mensagens de alerta e conscientização, chamando a atenção de motoristas e pessoas que passavam pelo local. O objetivo foi dar visibilidade à causa e sensibilizar a população sobre a importância da preservação do rio. O ato ocorreu de forma ordeira e pacífica, sem interdições ou conflitos.


Esta foi a primeira manifestação contando com o apoio de pescadores e apoiadores, porém nas redes sociais nos últimos meses vem sendo frequente as reclamações e pedido de providencias sobre o assunto, uma vez que o Rio Feio corta grande parte dos municípios da região.
CONTATO COM A RAÍZEN
A reportagem do jornal AGORA NA REGIÃO entrou em contato na terça-feira (6/1) com a assessoria de imprensa da Raízen, questionando se, em razão da usina estar localizada nas proximidades do Rio Feio, houve a instalação de bombas para captação de água e quais ações de conservação ambiental vêm sendo realizadas no local.
Na segunda-feira (12/1), a assessoria de imprensa da Raízen respondeu via e-mail:
“A Raízen esclarece que suas operações de captação de água na região de Araçatuba (SP), especificamente no Rio Aguapeí, são realizadas em conformidade com a legislação ambiental vigente e devidamente autorizadas pelo SP Águas (antigo DAEE), por meio de outorgas que estabelecem limites e condições para a utilização do recurso hídrico.
A empresa reforça ainda que mantém um diálogo aberto e contínuo com a comunidade local, com SAC disponível 24h, buscando conciliar o desenvolvimento produtivo — fundamental para a economia regional — com a preservação dos ecossistemas e o respeito às atividades tradicionais, como a pesca.
A Raízen informa também que adota tecnologias de precisão na irrigação, assegurando o uso racional da água, especialmente em períodos de estiagem, e permanece à disposição das autoridades e da sociedade para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais.
Em relação à utilização de vinhaça na adubação dos canaviais da região, a empresa esclarece que conta com mecanismos de controle, equipes treinadas para pronta atuação e processos que seguem rigorosamente as normas e protocolos ambientais.
Por fim, a Raízen destaca que possui todas as autorizações necessárias emitidas pelos órgãos competentes e realiza controles permanentes voltados à prevenção de impactos e à proteção do meio ambiente em todas as suas operações.”

