Questão de sobrevivência

Questão de sobrevivência

Foto: Facebook Pascom

É muito comum, após a comunhão eucarística, não haver tempo de meditar como convém. A maioria das pessoas sai logo após a bênção, e muitos dos que desejariam ficar mais um tempo precisam deixar a igreja por conta das obrigações ou porque as portas serão fechadas. Mas nada disso é impedimento para a meditação, que pode ser feita no banco de uma praça, antes de dar partida no carro, no caminho de volta para casa, ou ao chegarmos lá. Temos de fato muitas obrigações, mas há como organizar a rotina para isso. Para uma pessoa cheia de afazeres, dez minutos já farão muito bem!

Essa prática tão salutar costuma ser uma guerra. Os demônios não vão permitir que uma pessoa medite em paz, pois sabem que isso a levará a um progresso espiritual. Vão sugerir pensamentos, lembranças prazerosas, desconfortos, de tudo. Temos que ter consciência de que isso faz parte do combate, e não retroceder. Mesmo com as falhas do começo, não podemos desistir; o demônio vai suscitar desânimo e virá com outras propostas, mas a nossa deve ser nos manter firmes. Se de dez minutos almejados, conseguirmos meditar durante um só, ofereçamos a Deus nosso esforço e nosso bom propósito, e agradeçamos pelo pouco que foi alcançado.

O período que sucede a Missa é privilegiado para a meditação, mas ela deve ser feita diariamente. Um trecho bíblico, ou um só versículo, os mistérios do Terço, as verdades da fé, tudo isso é matéria para a meditação. Quando começamos a tomar gosto por essa prática, não queremos mais deixá-la… Ela acalma a agitação, diminui a ansiedade, traz foco e serenidade, e nos faz enxergar e encarar as situações com mais lucidez. Diante de algo assim tão importante para o nosso bem e a nossa salvação, não nos espantemos se certas tribulações, dificuldades ou coisas atípicas nos acometerem: isso também faz parte dessa guerra.

A quem progride na meditação das realidades celestes, o tempo começa a ficar curto: os dez minutos sofridos do início parecem diminuir, e a alma deseja mais, e é interpelada somente pelas obrigações, que não podem ser deixadas de lado – cumpri-las também é caminho de salvação. Assim, no ano que ainda está novo, façamos esse santo propósito! Nossa Senhora, que meditava sobre tudo o que diziam de Jesus recém-nascido, estará conosco, pois para a vida espiritual, trata-se de uma questão de sobrevivência.

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