O sagrado descanso
Foto: Padre Kleina
Ensina o Livro de Eclesiastes: “Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo do céu” (cap. 3, v. 1). No Getsêmani, Jesus, ao voltar da oração, encontra os discípulos dormindo, e diz a São Pedro: “Então, não pudestes vigiar uma hora comigo…” (Evangelho de São Mateus, cap. 26, v. 40; trecho relatado também no Evangelho de São Marcos, cap. 14, v. 37). Era momento de vigilância. Mas os mesmos Evangelhos relatam Jesus dormindo na barca enquanto a tempestade amedrontava os discípulos (no de São Mateus, cap. 8, vv. 23-27, e no de São Marcos, cap. 4, vv. 35-41).
A necessidade do descanso não deve ser confundida com preguiça. Repousar o quanto o corpo e a mente precisam os capacita para realizar as atividades com esmero e alcançar o melhor desempenho, o que traz mais tempo e força para a oração, as obrigações e outras atividades. Um recém-nascido exigirá noites em claro dos pais, mas um ajudante de obras da prefeitura precisará de um bom sono para no dia seguinte trabalhar bem e assim colaborar com os munícipes. Há um momento para cada coisa…
Santo Inácio de Loyola (1491-1556), fundador da Companhia de Jesus, ensina: “Age como se tudo dependesse de ti, sabendo que, na verdade, tudo depende de Deus”. É nessa dependência de Deus que deve assentar-se a nossa consciência sobre o descanso, pois seria loucura achar que temos condições de fazer e mudar tudo e converter a todos. Não temos. Mas temos condições de dar o nosso máximo e, quando as forças cessam, entregar tudo para Deus e descansar.
Na busca por atender às demandas da família, trabalho, estudos e cuidados, o risco é cair no ativismo e padecer de ansiedade. Contra isto, o remédio é ser humilde: buscar fazer o possível, com todas as forças, e descansar, confiando na divina Providência. É verdade que a vida de alguns santos mostra que dormiam pouco, como forma de penitência. A quem Deus deu essa graça, que a faça frutificar. Mas, primeiramente, muitos desses, que pouco dormiam, descansavam sua alma nas orações e na intimidade com Deus, que é uma forma de sustento também para o corpo. Depois, em nossos dias estamos expostos uma série de elementos que minam as energias, o que exige repouso adequado. E por fim, o próprio ritmo de vida de décadas ou séculos atrás era outro.
Assim, longe de cairmos na preguiça, ofereçamos tudo a Deus, inclusive o nosso descanso! E descansando o necessário, tenhamos a força para que, no dia seguinte, Ele realize sua santa vontade através de nós!

