De menor aprendiz à direção das finanças de Mirandópolis: a trajetória de Jessica Soares é marcada por dedicação, fé e serviço público
Foto: Eduardo Mustafa
Natural de Mirandópolis, Jessica Karine Soares Boneto, nascida em 1992, construiu sua trajetória profissional inteiramente ligada ao serviço público municipal. Iniciou na Prefeitura ainda adolescente, como Menor Aprendiz, em 2008, e hoje ocupa um dos cargos mais estratégicos da administração: diretora de Finanças do Executivo, função que exerce desde 2019. Casada desde 2022 com Thomas Boneto, Jessica é exemplo de perseverança, formação técnica e compromisso com a gestão pública. Nesta entrevista, ela fala sobre infância, carreira, desafios da função e deixa uma mensagem inspiradora aos jovens.
Onde você nasceu e cresceu?
Nasci em 1992, em Mirandópolis, e sempre morei no Jardim Nossa Senhora de Fátima. Cresci em uma família simples: meu pai é eletricista e minha mãe sempre cuidou do lar. Tenho uma irmã mais velha e uma infância muito feliz. Morávamos na rua Bahia, em uma época em que a rua era extensão da casa. Brincávamos de betia, queima, esconde-esconde. Foram tempos muito bons. Na vida escolar, estudei sempre em escola pública aqui de Mirandópolis, passando pela Ebe Aurora e pela escola Noêmia Dias Perotti, que foram fundamentais na minha formação.
E como foi a escolha pela graduação?
Meus pais não têm formação acadêmica, então não havia uma referência em casa sobre cursos ou carreira universitária. Costumo dizer que minha escolha foi muito influenciada pelo trabalho na prefeitura. Comecei como Menor Aprendiz em 2008, com 16 anos, atuando inicialmente na Fundação São José. Em 2012, prestei concurso e passei a trabalhar no Departamento de Planejamento, ao lado do saudoso Claudinho. Foi ali que comecei a ter contato com prestação de contas, empenhos, planejamento orçamentário, e isso despertou meu interesse pela área contábil. Além disso, percebi que havia oportunidade de crescimento profissional. No mesmo ano, prestei vestibular e iniciei o curso de Ciências Contábeis na UFMS, em Três Lagoas.
Você conciliou trabalho e estudo nesse período?
Sim, foi uma fase bastante desafiadora. Trabalhava durante o dia na prefeitura e, no fim da tarde, viajava para Três Lagoas para estudar. Essa rotina exigia muita disciplina e esforço, mas valeu a pena. Me formei em 2015 e continuei atuando no Departamento de Planejamento. Em 2017, recebi minha primeira grande oportunidade profissional, dada pela então prefeita, a saudosa Regina Mustafa, quando fui convidada para assumir como diretora administrativa e financeira do SAAEM – Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Mirandópolis. Foram dois anos de muito aprendizado, que me prepararam para desafios ainda maiores.

Quando assumiu como diretora de Finanças da Prefeitura?
Recebi o convite em junho de 2019. Foi um desafio enorme, porque a responsabilidade é muito grande. No SAAEM, apesar da complexidade, eu executava muitas funções sozinha. Já na Prefeitura, passei a coordenar uma equipe com cerca de 12 servidores, envolvendo setores como tesouraria, contabilidade e arrecadação. O início foi bastante difícil, um verdadeiro choque de realidade, mas com o tempo fui me adaptando. Já passei por diferentes administrações nesses últimos seis anos, sempre com o foco técnico e profissional. Meu trabalho é muito de bastidores: envolve cumprir prazos legais, acompanhar mudanças constantes na legislação, organizar o fluxo financeiro e garantir que tudo funcione corretamente, mesmo que isso não apareça diretamente para a população.
Gostaria de deixar uma mensagem final?
Aos jovens, eu diria que a área financeira e contábil, especialmente no setor público, é uma área com escassez de profissionais qualificados e com muitas oportunidades. Recomendo que busquem especialização em gestão pública, pois é possível atuar tanto no serviço público quanto com consultorias, já que a legislação está em constante atualização. Aproveito também para agradecer primeiramente a Deus, à minha família, aos meus pais, à minha irmã e ao meu marido. Sou muito religiosa, evangélica, e acredito profundamente que Deus tem propósito em tudo. Quando comecei na prefeitura, em 2008, como Menor Aprendiz, eu fazia de tudo, inclusive limpeza de salas. Em um momento de incerteza, porque meus pais não tinham condições de pagar uma faculdade, orei muito pedindo direção. E senti no meu coração uma resposta muito clara: para eu ficar tranquila, porque a cadeira que eu estava limpando naquele momento, um dia eu iria sentar nela. Hoje, olhando para trás, tenho certeza de que estou exatamente onde Deus me preparou para estar. Perseverar valeu a pena.

