Vereadores recebem denúncias sobre a AMAI e caso será encaminhado ao Ministério Público; instituição se defende das acusações 

Vereadores recebem denúncias sobre a AMAI e caso será encaminhado ao Ministério Público; instituição se defende das acusações 

Foto: Montagem AGORA NA REGIÃO

Os vereadores Patrick Lipe e Emerson Comandante, presidente da Câmara Municipal de Mirandópolis, receberam denúncias relacionadas à AMAI (Associação Mirandopolense de Assistência ao Idoso). As informações teriam sido apresentadas por três pessoas ligadas à entidade, de forma identificada junto ao Legislativo, com relatos acompanhados de fotos.

Segundo Patrick Lipe, o presidente da Câmara já havia afirmado que nenhuma denúncia protocolada seria engavetada. “O Comandante já tinha sinalizado que todas as denúncias que chegassem à Câmara ele não iria engavetar. O procedimento é ouvir o denunciante e encaminhar para os órgãos responsáveis. Na questão da AMAI, por eu ter sido presidente da entidade, ele me chamou para acompanhar, porque chegaram denúncias de pessoas ligadas à instituição, que têm conhecimento sobre como funciona”, explicou.

De acordo com o vereador, o material apresentado inclui fotos que agora serão organizados em um documento formal. “Que fique claro: não estamos julgando. Vamos procurar a AMAI para entender a situação e, depois disso, encaminhar tudo ao Ministério Público”, afirmou.

Os vereadores Emerson Comandante e Patrick Lipe. Foto: Eduardo Mustafa

Entre os pontos citados nas denúncias estão supostas negligência no atendimento, relatos de que no período noturno haveria apenas um funcionário de plantão e situações envolvendo idosos, incluindo registro de hematomas e possíveis conflitos entre acolhidos. “Teve uma questão que apresentaram fotos de um idoso com o joelho machucado, todo roxo. A denunciante disse que passou a questão para a diretoria e nada foi feito. Se realmente aconteceu, isso pode caracterizar omissão e negligência”, disse Patrick.

Também foram mencionadas denúncias envolvendo suposto consumo de álcool por idoso que sai da instituição e retorna alcoolizado, além de questionamentos sobre a aplicação de recursos. “Esse ponto já conversei com o Terceiro Setor da Prefeitura, e os documentos da entidade estão em dia. O que precisa ser apurado é se o que está sendo apresentado está sendo executado”, acrescentou o vereador.

O presidente da Câmara, Emerson Comandante, reforçou que o papel do Legislativo é ouvir e encaminhar. “Qualquer denúncia que entrar na Câmara com RG e CPF será apurada. Mas deixo claro que denúncia não é algo simples. Vamos averiguar e encaminhar aos órgãos competentes. Estamos fazendo o que tem que ser feito: ouvir, documentar com fotos e depoimentos e enviar ao Ministério Público”, afirmou. Segundo ele, é preciso analisar se os fatos ocorreram e, caso não tenham ocorrido, identificar possíveis melhorias administrativas.

POSICIONAMENTO DA AMAI

Procurada pela reportagem, a direção da AMAI informou que já foi notificada pelo Ministério Público na segunda-feira (9/2) para prestar esclarecimentos no prazo de dez dias.

O presidente da entidade, Marcos da Silva Marques, conhecido popularmente como Marquinhos Skala, afirmou que algumas situações apontadas fazem parte da rotina da instituição e não configuram negligência. “Compartilharam uma foto de um vômito no chão, mas a imagem não mostra quanto tempo aquilo estava ali. O que achamos estranho é que a pessoa tira a foto e não limpa, pois quem registrou foi um funcionário”, declarou.

Sobre a imagem de um idoso com hematoma, Marcos explicou que fotos como essas são compartilhadas internamente em grupo da instituição para esclarecimentos e que o vazamento seria antiético. “Se estão investigando, seria interessante descobrir quem vazou, porque pode ser negligência da própria pessoa que tirou a foto”, afirmou.

O coordenador da AMAI, Fernando Gusella, com o atual presidente, Marcos da Silva Marques, conhecido popularmente como Marquinhos Skala. Foto: Eduardo Mustafa

Em relação ao idoso que sai da instituição e retorna alcoolizado, o presidente explicou que alguns acolhidos possuem autonomia legal para sair. “Não podemos proibir a saída. Orientamos, conversamos com familiares e até com bares próximos para não vender bebida alcoólica, mas não temos como controlar o que ele faz fora. Se necessário, notificamos a família e pode haver desacolhimento”, disse.

O coordenador da AMAI, Fernando Gusella, que está no cargo desde agosto de 2025, também se manifestou. Ele comentou sobre o caso de um idoso que foi retirado da instituição por familiares após receberem imagens e que posteriormente pediram o retorno. “Quando a família assinou o termo de desacolhimento e ficou com o idoso, viram como funciona na prática. Eles queriam um cuidador exclusivo, mas infelizmente não temos como disponibilizar alguém só para um acolhido”, explicou.

Sobre a rotina interna, Fernando informou que atualmente a instituição conta com 24 funcionários, embora haja déficit de quatro profissionais. No período noturno, segundo ele, há auxiliar de enfermagem e cuidador; no diurno, enfermeira, seis cuidadores e auxiliar de enfermagem. A AMAI atende atualmente 28 idosos.

A entidade enfrenta déficit financeiro mensal de aproximadamente R$ 20 mil, sendo cerca de R$ 10 mil referentes à folha de pagamento e cerca de R$ 10 mil a outras despesas. Para complementar a renda, são promovidos eventos durante todo o ano.

Fernando também destacou que há livro-ata da enfermagem para registro de ocorrências, acompanhamento de psicólogos e assistente social, além da adoção recente de sistema online para registro diário. “Sobre o idoso machucado, não tivemos registro no prontuário. Ficamos sabendo por meio da foto e fomos apurar. Informaram que ele bateu a perna na cadeira, seguimos apurando o caso”, disse.

Quanto à entrada de bebidas alcoólicas, a direção afirma que não é permitida dentro da instituição e que há fiscalização do que entra. O cigarro não pode ser proibido, mas bebida alcoólica é vetada.

A AMAI informou ainda que recebeu recentemente visitas do Conselho do Idoso, da Assistência Social da Prefeitura e do Terceiro Setor, além de inspeções periódicas da Vigilância Sanitária.

Como medidas de melhoria, a coordenação pretende intensificar o trabalho de orientação com os funcionários, reforçar a fiscalização interna da enfermagem, manter acompanhamento nutricional e aprimorar os registros administrativos.

1772861874