Vereadores recebem denúncias sobre a AMAI e caso será encaminhado ao Ministério Público; instituição se defende das acusações
Foto: Montagem AGORA NA REGIÃO
Os vereadores Patrick Lipe e Emerson Comandante, presidente da Câmara Municipal de Mirandópolis, receberam denúncias relacionadas à AMAI (Associação Mirandopolense de Assistência ao Idoso). As informações teriam sido apresentadas por três pessoas ligadas à entidade, de forma identificada junto ao Legislativo, com relatos acompanhados de fotos.
Segundo Patrick Lipe, o presidente da Câmara já havia afirmado que nenhuma denúncia protocolada seria engavetada. “O Comandante já tinha sinalizado que todas as denúncias que chegassem à Câmara ele não iria engavetar. O procedimento é ouvir o denunciante e encaminhar para os órgãos responsáveis. Na questão da AMAI, por eu ter sido presidente da entidade, ele me chamou para acompanhar, porque chegaram denúncias de pessoas ligadas à instituição, que têm conhecimento sobre como funciona”, explicou.
De acordo com o vereador, o material apresentado inclui fotos que agora serão organizados em um documento formal. “Que fique claro: não estamos julgando. Vamos procurar a AMAI para entender a situação e, depois disso, encaminhar tudo ao Ministério Público”, afirmou.

Entre os pontos citados nas denúncias estão supostas negligência no atendimento, relatos de que no período noturno haveria apenas um funcionário de plantão e situações envolvendo idosos, incluindo registro de hematomas e possíveis conflitos entre acolhidos. “Teve uma questão que apresentaram fotos de um idoso com o joelho machucado, todo roxo. A denunciante disse que passou a questão para a diretoria e nada foi feito. Se realmente aconteceu, isso pode caracterizar omissão e negligência”, disse Patrick.
Também foram mencionadas denúncias envolvendo suposto consumo de álcool por idoso que sai da instituição e retorna alcoolizado, além de questionamentos sobre a aplicação de recursos. “Esse ponto já conversei com o Terceiro Setor da Prefeitura, e os documentos da entidade estão em dia. O que precisa ser apurado é se o que está sendo apresentado está sendo executado”, acrescentou o vereador.
O presidente da Câmara, Emerson Comandante, reforçou que o papel do Legislativo é ouvir e encaminhar. “Qualquer denúncia que entrar na Câmara com RG e CPF será apurada. Mas deixo claro que denúncia não é algo simples. Vamos averiguar e encaminhar aos órgãos competentes. Estamos fazendo o que tem que ser feito: ouvir, documentar com fotos e depoimentos e enviar ao Ministério Público”, afirmou. Segundo ele, é preciso analisar se os fatos ocorreram e, caso não tenham ocorrido, identificar possíveis melhorias administrativas.
POSICIONAMENTO DA AMAI
Procurada pela reportagem, a direção da AMAI informou que já foi notificada pelo Ministério Público na segunda-feira (9/2) para prestar esclarecimentos no prazo de dez dias.
O presidente da entidade, Marcos da Silva Marques, conhecido popularmente como Marquinhos Skala, afirmou que algumas situações apontadas fazem parte da rotina da instituição e não configuram negligência. “Compartilharam uma foto de um vômito no chão, mas a imagem não mostra quanto tempo aquilo estava ali. O que achamos estranho é que a pessoa tira a foto e não limpa, pois quem registrou foi um funcionário”, declarou.
Sobre a imagem de um idoso com hematoma, Marcos explicou que fotos como essas são compartilhadas internamente em grupo da instituição para esclarecimentos e que o vazamento seria antiético. “Se estão investigando, seria interessante descobrir quem vazou, porque pode ser negligência da própria pessoa que tirou a foto”, afirmou.

Em relação ao idoso que sai da instituição e retorna alcoolizado, o presidente explicou que alguns acolhidos possuem autonomia legal para sair. “Não podemos proibir a saída. Orientamos, conversamos com familiares e até com bares próximos para não vender bebida alcoólica, mas não temos como controlar o que ele faz fora. Se necessário, notificamos a família e pode haver desacolhimento”, disse.
O coordenador da AMAI, Fernando Gusella, que está no cargo desde agosto de 2025, também se manifestou. Ele comentou sobre o caso de um idoso que foi retirado da instituição por familiares após receberem imagens e que posteriormente pediram o retorno. “Quando a família assinou o termo de desacolhimento e ficou com o idoso, viram como funciona na prática. Eles queriam um cuidador exclusivo, mas infelizmente não temos como disponibilizar alguém só para um acolhido”, explicou.
Sobre a rotina interna, Fernando informou que atualmente a instituição conta com 24 funcionários, embora haja déficit de quatro profissionais. No período noturno, segundo ele, há auxiliar de enfermagem e cuidador; no diurno, enfermeira, seis cuidadores e auxiliar de enfermagem. A AMAI atende atualmente 28 idosos.
A entidade enfrenta déficit financeiro mensal de aproximadamente R$ 20 mil, sendo cerca de R$ 10 mil referentes à folha de pagamento e cerca de R$ 10 mil a outras despesas. Para complementar a renda, são promovidos eventos durante todo o ano.
Fernando também destacou que há livro-ata da enfermagem para registro de ocorrências, acompanhamento de psicólogos e assistente social, além da adoção recente de sistema online para registro diário. “Sobre o idoso machucado, não tivemos registro no prontuário. Ficamos sabendo por meio da foto e fomos apurar. Informaram que ele bateu a perna na cadeira, seguimos apurando o caso”, disse.
Quanto à entrada de bebidas alcoólicas, a direção afirma que não é permitida dentro da instituição e que há fiscalização do que entra. O cigarro não pode ser proibido, mas bebida alcoólica é vetada.
A AMAI informou ainda que recebeu recentemente visitas do Conselho do Idoso, da Assistência Social da Prefeitura e do Terceiro Setor, além de inspeções periódicas da Vigilância Sanitária.
Como medidas de melhoria, a coordenação pretende intensificar o trabalho de orientação com os funcionários, reforçar a fiscalização interna da enfermagem, manter acompanhamento nutricional e aprimorar os registros administrativos.

