Tim Serion: a paixão pela música que atravessa gerações
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Nascido em 1968, em Mirandópolis, Sebastião Antônio Serion — o popular Tim — carrega no apelido dado pela mãe ainda na infância a marca de uma trajetória simples, construída com muito trabalho e, sobretudo, com amor à música. Criado na Fazenda Primavera, onde começou a trabalhar ainda criança, Tim encontrou nos acordes do violão um refúgio e uma paixão que o acompanhariam por toda a vida. Casado com Elza Aparecida Pin Serion e pai de Lucas, Geovana e Nicole, ele fala sobre suas origens, os desafios, as pausas e o emocionante retorno aos palcos depois de 25 anos longe da noite.
Como foi sua infância?
Eu nasci em Mirandópolis, mas fui criado na Fazenda Primavera. Meu pai entrou lá como colono, tinha muita gente morando e bastante plantação de café. Sou o filho do meio, tenho dois irmãos. Cresci nesse ambiente simples, mas muito unido. Com 10 anos já estava trabalhando na colheita. Às vezes ajudava até nos sítios vizinhos, porque não tinha muita escolha (risos). Era uma vida difícil, mas foi ali que aprendi o valor do trabalho.
Quando você saiu da fazenda e veio para a cidade?
Fiquei na fazenda até os 18 anos. Depois vim para a cidade trabalhar como servente de pedreiro. Fiquei quase um ano e então fui para a Cooperativa Cotia. Cortei cana por oito safras. Na entressafra trabalhava na sacaria do algodão e também na transportadora Nomizo, carregando frutas. Mais tarde, em 2002, entrei para trabalhar na Muralha, na penitenciária. Foram 22 anos de serviço até me aposentar, em 2024.
E a música, quando começou a fazer parte da sua vida?
Na minha família não tinha músico, mas na fazenda eu convivia muito com o Braz, conhecido como Coisinha. Ele ensaiava com o irmão porque tocavam na Rádio Clube aos domingos. Eu ficava encantado vendo aquilo. Acho que ali nasceu minha paixão. Lembro que tinha uns 7 anos quando meu pai perguntou o que eu queria de presente de Natal. Eu pedi um violão. Desde pequeno já gostava mesmo. Aprendi tudo olhando os outros tocarem, nunca fiz aula.

Teve algum momento marcante ainda na juventude?
Teve sim. O Braz iria gravar o programa sertanejo Luar do Sertão, naquela época Jaborã que apresentava. Eu tinha uns 15 anos e fiz minha inscrição para cantar também. Consegui participar e cantei uma música no programa. Quando passou na televisão foi uma emoção enorme. Aquilo ficou marcado para sempre.
Como foi sua trajetória musical já na cidade?
Quando vim morar na cidade, entrei para o coral da igreja. Fiquei cinco anos tocando e depois até coordenando o pessoal. Foi um grande aprendizado. Nesse período conheci o Marcos Juvêncio, formamos uma dupla sertaneja e comecei a tocar na noite. Ficamos cerca de três anos juntos. Depois que casei com a Elza, dei uma pausa. Parei de tocar em bares e fiquei só nas reuniões de família, algo mais íntimo. Foram cerca de 25 anos longe da noite.
E como aconteceu a volta aos palcos?
Em 2018 teve um Encontro de Violeiros no ginásio. Fui só para assistir, mas o Davi do Pesqueiro começou a me incentivar a participar. Fiz a inscrição na hora e fui um dos últimos a cantar. Apresentei duas músicas e ali reacendeu aquele espírito de cantor. O Davi estava apresentando o evento e depois me chamou para tocar no pesqueiro. Fiquei lá direto por uns quatro anos. A partir daí começaram a surgir convites para festas e bares novamente. E estou até hoje. Sempre fui apaixonado pela música, ela nunca saiu de mim.

O que a música representa na sua vida?
A música é alegria, é amizade, é história. É algo que me acompanha desde criança. Mesmo quando eu parei, ela continuava dentro de mim. Voltar a cantar foi como reencontrar uma parte que estava guardada.
O que Mirandópolis significa para você?
Eu sempre gostei demais de morar aqui. Nunca pensei em sair. É uma cidade hospitaleira, cheia de amigos. Construí minha família aqui, criei meus filhos aqui. Só tenho a agradecer a Mirandópolis e a todas as pessoas que sempre me apoiaram, principalmente minha esposa Elza e meus filhos, que são meu maior incentivo.

