Mistérios dolorosos: a agonia de Jesus

Mistérios dolorosos: a agonia de Jesus

Foto: Criada via Chat GPT

O Evangelho de São João não fala da agonia de Jesus no horto; menciona somente que Ele foi para lá após a instituição da Eucaristia: “Depois dessas palavras, Jesus saiu com os seus discípulos para além da torrente de Cedron, onde havia um jardim, no qual entrou com os seus discípulos” (cap. 18, v. 1). É nos outros três Evangelhos que encontramos esse relato: no capítulo 26 de São Mateus, no 14 de São Marcos e no 22 de São Lucas. São Mateus e São Marcos tratam o lugar como “Getsêmani” e São Lucas como “monte das Oliveiras”. Getsêmani é nome do jardim que fica no monte das Oliveiras e, em hebraico quer dizer algo como “prensa de azeite”, pois ali havia uma prensa onde se esmagavam azeitonas para extração do azeite.

Foi esse o lugar que testemunhou o sofrimento interior de Nosso Senhor, que antecedeu seu sofrimento físico. Antes do Gólgota, onde se deu a crucificação, foi esse o lugar que viu seu interior esmagado e seu sangue escorrido: “Ele entrou em agonia e orava ain­da com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra” (v. 44 no texto de São Lucas).

Mesmo na iminência de um perigo, a nós é vedado saber se sofreremos ou não, ou o quanto sofreremos. Mas nem disto Jesus foi poupado. No texto de São Mateus, lemos: “Minha alma está triste até a morte” (v. 38). O de São Marcos diz a mesma coisa, e acrescenta: “começou a ter pavor e a angustiar-se” (v. 33). E no relato de São Lucas, conhecemos a prece de Jesus: “Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça, todavia, a minha vontade, mas sim a tua” (v. 42). Mesmo antevendo o que iria sofrer, Ele aceitou tudo, para nossa salvação. Podendo escolher – duríssima escolha! –, escolheu morrer por nós. Como é possível a indiferença a um amor tão grande?

Acontece que o diabo arma mil ciladas para nos distrair e nos afastar dessa verdade – inclusive suscitando coisas boas em si mesmas, mas inúteis, em certos momentos, para nossa fé. Ele não quer que pensemos nessa verdade, que meditemos sobre ela, pois isso nos aproxima do amor de Deus. Por isto, nesta Quaresma, ao invés de distrações e facilidades, e com o auxílio da Sagrada Escritura, de bons livros de espiritualidade e dos exercícios quaresmais, escolhamos permanecer com o Senhor e meditar sobre sua agonia, sua Paixão e sua morte na cruz.

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