Mistérios dolorosos: a flagelação de Jesus
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À dor interior de Jesus, causada por sua agonia no horto, sucedeu a dor física da flagelação. Ele não foi poupado da crueldade. Aquele de onde emana toda a misericórdia não recebeu misericórdia. O capítulo 53 do Livro do Profeta Isaías prenuncia o que aconteceria com Nosso Senhor séculos depois: “Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, seguíamos cada qual nosso caminho; o Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós. Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. Ele não abriu a boca” (vv. 4-7).
Os quatro Evangelistas mencionam a flagelação do Senhor, mas com poucos detalhes: São Mateus no cap. 27, São Marcos no cap. 15, São João no cap. 19 e São Lucas no 23. Alguns santos e cristãos piedosos tiveram revelações particulares sobre seu sofrimento – que além de físico, foi também psíquico, fruto da indiferença, da zombaria e do ódio de muitos que acompanharam sua Paixão. A cada golpe, uma dor no Corpo e no Coração de Jesus… Como ensina Santo Tomás de Aquino, bastaria uma gota do Sangue Preciosíssimo do Senhor para redimir a humanidade inteira, mas Ele quis doar-se totalmente.
No cap. 52 do Livro Profeta Isaías está escrito: “à sua vista, muitos ficaram embaraçados – tão desfigurado estava que havia perdido a aparência humana” (v. 14). Como não nos sentirmos interiormente tocados frente a um amor tão grande? Mas o que vemos é tanta indiferença, rejeição, deboche e ódio que o Senhor ainda recebe… Tanto amor, e tão pouco correspondido… Que isso não aconteça conosco! Ofereçamos sempre nossas boas obras e nossos sofrimentos em reparação a esses pecados. E que em nosso coração não haja espaço para a apatia ou desinteresse por essa sublime verdade da nossa fé! Por meio das penitências, das meditações e da ajuda a quem está sofrendo, aproximemo-nos do grande mistério do amor divino!
Sigamos firmes em nossos exercícios quaresmais!

