Mariana Coppi: empreendedorismo feminino e coragem para inovar em Mirandópolis

Mariana Coppi: empreendedorismo feminino e coragem para inovar em Mirandópolis

Foto: Divulgação

Com uma trajetória marcada por trabalho desde cedo, criatividade nas vendas e muita persistência, a empreendedora Mariana Coppi Limeira, 35 anos, transformou a paixão pelo comércio em um negócio próprio que vem conquistando espaço no município. Casada, mãe de dois filhos e nascida em Mirandópolis, Mariana começou vendendo produtos de porta em porta e hoje comanda uma loja com uma grande variedade de itens voltados principalmente ao público feminino com cosméticos, acessórios, lingeries e produtos eróticos na Rua Rafael Pereira, nº 860 no Centro de Mirandópolis. Em entrevista, ela conta sobre sua história, desafios e sonhos no empreendedorismo.

Você nasceu e cresceu em Mirandópolis?

Sim. Nasci e fui criada em Mirandópolis. Estudei no SESI até o 8º ano e depois fui para o Noêmia Dias Perotti para cursar o ensino médio. Depois cursei Administração aqui mesmo em Mirandópolis. Comecei a namorar muito cedo, aos 13 anos, com o Tiago. Nós nos casamos quando eu tinha 22 anos e tivemos dois filhos: o Davi, de 11 anos, e o Isaque, de 7 anos. Hoje o Tiago é gerente do Alameda Tintas e sempre foi um grande parceiro na minha trajetória.

Quando começou a trabalhar?

Desde criança eu sempre gostei muito de vendas. Com 8 anos minha mãe me colocou em uma aula de pintura. Eu pintava panos de prato e vendia. Depois fiz aula para montar caixas de presente e também vendia para a família. Com 15 anos comecei a vender Natura para uma tia. Aos 16 fui indicada pela escola para ser Jovem Aprendiz na Caixa Federal. Comecei como jovem aprendiz, depois fui estagiária e, por último, telefonista. Mas ali eu aprendi muito mais do que isso: aprendi a lidar com o público, resolver problemas e crescer profissionalmente.

Mariana realizou recentemente um encontro voltado as mulheres. Foto: Divulgação

Como surgiu a ideia de empreender?

Quando me casei, meu esposo trabalhava na Aliança Tintas, mas a loja acabou fechando e ele ficou desempregado. Como ele já tinha experiência com oficina, começou a atender em casa fazendo polimentos e alguns serviços. Só que a renda era incerta, então comecei a vender para ajudar. Uma amiga de Guaraçaí, dona da Bela Cosméticos, começou a me passar produtos para revender, como maquiagem e bijuterias. Depois vieram fornecedores de lingerie e outras amigas foram indicando novos produtos: semi-joias, óculos, relógios, bolsas. Eu vendia de porta em porta, levava no carro, em visitas a amigas e até em festas de família.

Quando decidiu montar o próprio negócio?

Em 2017 criamos um grupo de WhatsApp chamado “Vaidade Feminina”, nome sugerido pelo meu esposo. Coloquei todos os contatos que eu tinha e o grupo começou a crescer. Eu postava os produtos antes de entrar no trabalho e, quando saía, fazia as entregas. Com o tempo cheguei a ter 15 vendedoras entre Mirandópolis, Alianças e Valparaíso. Durante a pandemia tive problemas com calotes e decidi continuar apenas eu vendendo. Nessa época também comecei a vender lingerie erótica e sex shop, e isso foi uma virada de chave para o negócio. A demanda aumentou tanto que montei um espaço na casa da minha mãe para atender as clientes. Fiquei um tempo lá, mas por não ser um loja apropriada tinha algumas limitações que impedia o crescimento profissional.

E como foi a abertura da loja?

O espaço que encontramos precisou de reforma. Tive ajuda do tio do meu esposo com pintura, mobília e decoração. Confesso que tive muito medo, precisei me convencer de que eu era capaz e saí da Caixa. Mas desde quando inauguramos, no dia 9 de abril de 2022, graças a Deus a loja deslanchou.

Como é trabalhar com produtos íntimos?

Não é fácil. Já enfrentei situações desagradáveis, também enfrentei preconceito dentro da própria família. Em cidade pequena ainda existe muito tabu, e algumas pessoas têm vergonha de entrar na loja e acabam comprando pela internet. Além disso, o comércio de Mirandópolis está cada vez mais desafiador. Como eu já tinha uma cartela de clientes e hoje também somos reconhecidos nas redes sociais, isso tem nos mantido firmes.

Qual é o seu diferencial no atendimento?

Eu procuro estudar muito sobre os produtos, entender do que são feitos, para quem são indicados e como podem ajudar as pessoas. E na parte das lingeries também gosto de motivar as mulheres, ajudar na autoestima. Muitas vezes não é só uma venda, é também uma conversa e um incentivo. A loja e o sex shop ainda não estão exatamente do jeito que eu sonho, mas passo a passo vamos atingir nosso objetivo. E já sou muito grata por tudo que já conquistamos até aqui.

O que as pessoas encontram hoje na loja?

Hoje temos uma grande variedade: cosméticos como Natura, Eudora, Boticário e Avon, produtos árabes, bolsas, mochilas escolares, óculos de sol masculinos e femininos, lingeries do dia a dia, pijamas, camisolas, peças sensuais, produtos eróticos, semijoias e bijuterias. É uma loja mais voltada para o público feminino, mas também fui agregando outros itens que as clientes pediam, como cuecas e produtos infantis.

Você também realiza encontros voltados para mulheres?

Eu sempre tive vontade de fazer algo diferente, como um evento com desfile, coquetel e conversas sobre temas importantes para as mulheres, como a sobrecarga feminina e o prazer da mulher. Compartilhei essa ideia com algumas amigas e elas abraçaram o projeto. No ano passado fizemos um evento com cerca de 15 mulheres, com ajuda da minha amiga Juliana e da Carol Saladine, que trabalha com o Sagrado Feminino. E neste mês da mulher fizemos novamente. Convidei a advogada Marcela Delai, que falou sobre relacionamentos abusivos, e a Juliana, massoterapeuta, que abordou a exaustão feminina. Eu também falei sobre prazer feminino e apresentei alguns produtos. Foi um encontro muito bonito, de troca de experiências e energia. As participantes saíram encantadas.

Quem você gostaria de agradecer?

Primeiramente à minha rede de apoio: minha mãe e minha irmã, que sempre cuidaram dos meus filhos quando eu precisava trabalhar, e ao meu marido, que me incentiva, aconselha e orienta sempre. 

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