De grandes corporações ao cuidado com pessoas: a nova missão de Marina Rezny no interior de São Paulo

De grandes corporações ao cuidado com pessoas: a nova missão de Marina Rezny no interior de São Paulo

Foto: Arquivo Pessoal / Marina Rezny

Com uma trajetória marcada por mais de duas décadas em grandes empresas e ambientes de alta pressão, Marina Rezny construiu uma carreira sólida no universo corporativo antes de redirecionar completamente sua atuação profissional. Hoje, morando em Mirandópolis, ela dedica seu trabalho a um tema que ainda enfrenta resistência dentro das organizações: o burnout e o esgotamento emocional das equipes.

Nascida em São Paulo, Marina cresceu cercada de estímulos diversos, com forte ligação ao esporte e à comunicação. Formada em Comunicação Social, iniciou sua carreira ainda jovem, passando por empresas de grande porte e acumulando experiências em áreas como marketing, entretenimento e recursos humanos. Ao longo dos anos, trabalhou em multinacionais, participou de grandes lançamentos e eventos, além de ter contato direto com projetos de grande visibilidade e exigência.

A vivência em ambientes corporativos intensos, com cobranças constantes e decisões complexas, foi determinante para a construção de seu olhar atual. Durante esse período, Marina também passou por momentos desafiadores, incluindo episódios de exaustão mental e, mais tarde, uma depressão pós-parto. Foi justamente a partir dessas experiências pessoais que surgiu a necessidade de compreender mais profundamente o comportamento humano e a saúde emocional.

Esse movimento a levou de volta aos estudos. Marina buscou formação em Neurociência pelo Mackenzie, além de especializações em gestão, comportamento e saúde mental, incluindo cursos pela PUC-Campinas. Também se formou em Psicanálise e obteve certificações em Coaching e Mentoring pela FGV, consolidando uma base multidisciplinar para sua nova atuação.

NOVOS DESAFIOS

A partir dessa transição, decidiu encerrar o ciclo no ambiente corporativo tradicional para investir em um propósito mais alinhado com sua vivência: apoiar pessoas e lideranças diante dos desafios emocionais do mundo atual.

Hoje, Marina atua com cursos, palestras e mentorias voltadas principalmente a líderes, ajudando gestores a lidarem com um dos maiores desafios contemporâneos dentro das empresas: falar sobre saúde mental de forma prática, responsável e efetiva. Segundo ela, muitas organizações ainda evitam o tema ou tratam de forma superficial.

“Cuidar das pessoas é algo que nenhuma tecnologia resolve. É preciso preparo, escuta e coragem para enfrentar essas conversas dentro das equipes”, destaca.

Entre seus projetos, está o desenvolvimento do Programa Coraggio, voltado à formação interna de líderes em ambientes de alta exigência. A proposta é trabalhar o autoconhecimento e a responsabilidade individual como pontos centrais para a construção de ambientes mais saudáveis.

“Olhar para si mesmo e se enfrentar exige coragem. E é justamente isso que muitas vezes falta dentro das empresas: líderes preparados para lidar com pessoas de verdade, com suas dificuldades, limites e emoções”, afirma.

Além da atuação corporativa, Marina também tem se dedicado a iniciativas sociais e educacionais, especialmente em Lavínia, onde passou a desenvolver trabalhos voluntários que, segundo ela, também fazem parte do seu processo de aprendizado. “Eu gosto de fazer ações voluntárias porque isso me ensina. Quando você está ali, ouvindo as pessoas, entendendo a realidade delas, você aprende muito mais do que ensinando”, ressalta.

Foi nesse contexto que surgiu sua atuação na escola Cesare Toppino, onde passou a desenvolver atividades voltadas ao desenvolvimento humano. O trabalho ganhou visibilidade e levou ao convite da própria Prefeitura de Lavínia para participar de ações institucionais, como uma palestra durante a campanha do Setembro Amarelo, voltada à conscientização sobre saúde mental. “A diretora Miriam me chamou e, a partir dali, as coisas começaram a ganhar forma. Eu percebi que existe uma necessidade muito grande de falar sobre isso, principalmente com jovens”, conta.

A experiência em Lavínia também abriu portas para novos projetos, como iniciativas ligadas à educação e ao desenvolvimento de talentos em comunidades, reforçando a ideia de que o cuidado com a saúde emocional precisa começar desde cedo.

“O problema da saúde mental não começa nas empresas. Começa em casa, passa pela escola e só depois chega no ambiente de trabalho. Se a gente não olhar para essa base, vai continuar apagando incêndio lá na frente”, pontua.

Agora morando em Mirandópolis, Marina pretende ampliar sua atuação, levando seu trabalho de forma mais estruturada para empresas, lideranças e também para projetos sociais no município e em toda a região.

“Eu quero estar mais próxima, atuar de forma mais presente. Existe uma demanda muito grande nas cidades menores também, às vezes até maior, porque o tema ainda é pouco discutido. Quero contribuir com empresas, com gestores e também com a comunidade”, afirma.

Segundo ela, a proposta é justamente aproximar esse debate da realidade local, levando ferramentas práticas para o dia a dia das pessoas. “Não adianta falar de saúde mental de forma distante. É preciso traduzir isso para a realidade de quem está ali, liderando equipes, enfrentando desafios reais. É sobre comportamento, sobre escolhas e sobre responsabilidade individual também”, finaliza Marina.

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