As raízes e os desafios de Cláudio Aoki em Mirandópolis

As raízes e os desafios de Cláudio Aoki em Mirandópolis

Foto: Eduardo Mustafa

Nascido em 1959, em Mirandópolis, no Jardim Miguita, Cláudio Toshimite Aoki carrega uma trajetória marcada pelo trabalho desde cedo, pelo empreendedorismo e pelo forte vínculo com a comunidade. Filho de caminhoneiro e dona de casa, cresceu em meio às dificuldades e aprendizados da vida simples. Ainda jovem, iniciou sua vida profissional na cooperativa local e, ao longo dos anos, buscou oportunidades fora da cidade, passando por São Paulo, Americana e até pelo Japão. De volta a Mirandópolis em 2004, assumiu os negócios da família, a Adega Aoki, e se consolidou como comerciante, enfrentando desafios com dedicação e apoio da comunidade. Além disso, sempre esteve envolvido com a colônia japonesa, contribuindo voluntariamente em diversas áreas, especialmente na educação. Em 2026, assumiu a presidência da Associação Nipo-Brasileira (NIPO), reforçando seu compromisso com a cultura e o desenvolvimento local.

Onde nasceu e como foi sua infância?

Nasci em 1959, em Mirandópolis. Meu pai era caminhoneiro. Já minha mãe sempre foi dona de casa, mas gostava de plantar e se dedicava a várias atividades para ajudar no sustento de casa. Minha mãe chegou a abrir um bar em frente à Volks, mas eu era pequeno e sempre chamava meus primos e amigos para comer doces de graça. Depois de adulto eu brinco que por isso o bar não foi para frente por isso (risos).

Como era a vida de vocês naquela época?

Era muito difícil! Por isso tenho grande respeito e valorizo muito os caminhoneiros. Meu pai enfrentava estradas de terra e, muitas vezes, ficava dois ou três dias atolado. Era uma rotina dura: meu pai, minha mãe, eu meus quatro irmãos. Eu fiz o primário na escola Hélio Faria e o colegial no Noêmia (CENE).

O senhor começou a trabalhar cedo?

Sim, por volta dos 12 ou 13 anos, como office boy na cooperativa, onde fiquei até os 18. Depois fui para São Paulo estudar e trabalhar. Iniciei o curso de Comunicação, mas como eu trabalhava em uma empresa japonesa eles me transferiram para Americana. Lá eu retomei os estudos, mas depois, fui para o Japão, onde fiquei por cerca de seis meses. Quando voltei, acabei não conseguindo continuar os estudos por conta da rotina de trabalho que era muito puxada. A empresa que eu trabalhava encerrou as atividades em 1994 e posteriormente, montei minha própria confecção.

E a experiência no Japão, como foi?

Foi difícil, sofri bastante no início. Pensei em voltar logo no primeiro mês, mas precisei cumprir o contrato. Apesar disso, foi um período de grande aprendizado e amadurecimento. Desde aquela época lá as máquinas já eram muito modernas, mas a força e a garra do brasileiro de trabalhar eu acho que é bem maior.

Quando decidiu voltar para Mirandópolis?

Em 2004. Retornei para assumir a adega da família. Meu irmão que tomava conta anteriormente, foi ele que inaugurou, cuidou, mas depois se cansou. 

Quando o senhor se casou?

Casei em 1990, em Americana, com a Rosalina Sueko Miamoto. Tive três filhos, todos engenheiros: atualmente um trabalha em Campinas, outro em Três Lagoas e a minha caçula em Lins.

Como foi assumir a adega? Já tinha experiência?

Não tinha. Minha experiência era na área de confecção. No início foi bastante difícil, mas minha esposa teve um papel fundamental na administração. Com muito trabalho, conseguimos fazer o negócio dar certo. Foram anos intensos, inclusive trabalhando em 17 natais e anos novos seguidos.

E sua atuação na colônia japonesa?

Sempre procurei contribuir. Depois que voltei, passei a atuar no departamento de educação do NIPO, auxiliando professores vindos do Japão para dar aulas na escola. Agora em 2026, assumi a presidência do NIPO. É uma experiência desafiadora e exige bastante responsabilidade. Estamos buscando reativar e fortalecer a associação com o apoio dos jovens. Mantemos atividades como atletismo, beisebol e karaokê, além de eventos importantes como o Bon Odori e a Takaoka Fest.

O senhor também participa da igreja budista?

Sim, sempre fui religioso, inclusive tenho um templo em casa. Hoje percebo que o interesse dos fieis diminuiu, mas sigo participando.

Gostaria de deixar algum agradecimento?

A toda a população de Mirandópolis, aos clientes e à colônia japonesa, que sempre me apoiaram ao longo da minha trajetória.

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